A guitarra entra em cena já com uma postura desafiadora. Por meio de uma sonoridade distorcida embebida em nuances gordas, ácidas e curiosamente agraciada por respingos de veludo, ela assume um inusitado tom de ordem perante a presença pulsante, dura e seca da bateria. Ocasionando na fluidez estético-estrutural para um ambiente regido por uma interessante mistura entre o rock alternativo e resquícios de stoner rock, tal elemento brinca com a consagração de sensos inerentes à estridência, à sujeira e à crueza.
Em se tratando no aspecto da crueza, é importante mencionar que tal conceito, ao trazer o bruto ao centro do holofote, fornece uma estruturação pautada na proposital ausência de lapidação sônica, o que acaba desembocando em indícios do punk e, também, de um post-punk originário do limiar das décadas de 70 e 80. Nesse meio tempo, o ouvinte acaba se deliciando, de certa forma, com o timbre masculino ácido que se apresenta na ânsia de dar vida ao escopo lírico.

Na posse de Jason McKee, esse timbre consegue criar uma interessante mistura em relação à insinuação de posturas introspectivas, observadoras, sorrateiras e, até mesmo, debochadas. A partir delas é que a canção evidencia uma essência crítica e analítica, detalhes perceptíveis especialmente à maneira com que o cantor pronuncia cada palavra pertencente ao escopo verbal.
O que mais chama a atenção na obra nem é tanto por essas misturas estético-estruturais ou lírico-interpretativas. O que a destaca é, especialmente, o fato de oferecer, ao ouvinte, um refrão chiclete e, portanto, contagiante, que mistura nuances solares vívidas, enérgicas e de nuances ousadamente dançantes. Diante disso, não é difícil que o ouvinte identifique, perante a conjuntura máxima da obra, uma, talvez, inconsciente influência de nomes como Ugly Kid Joe e Faith No More no que tange à sua roupagem.
Harmonicamente linear, a faixa escancara atmosferas que imergem o ouvinte diante de ímpetos que sugerem o sombrio e o denso. Com momentos que parecem ter sido montados para instigar a participação do público, War Killer é uma faixa que traz McKee em sua primeira aventura em relação à criação de uma composição de cunho político. Aqui, portanto, o cantor se inspira em um momento surreal durante o isolamento de Melbourne. Nele, o vocalista testemunha o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un pela paz, um evento que impactou profundamente a sua bagagem militar. E o mais interessante é que essa composição ganhou vida após uma pausa de sua gravação. Um intervalo aproveitado na companhia de tequila e cerveja.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6lH7AHY50LNvZIseYmsF6Y
Site Oficial: https://www.reetoxa.com
Facebook: https://www.facebook.com/@reetoxa20
Twitter: Https://www.twitter.com/@reetoxa
YouTube: Https://www.YouTube.com/@reetoxa
Instagram: Https://www.instagram.com/@reetoxa
Tik Tok: Https://www.TikTok.com/@reetoxa