O sexto álbum de estúdio do Gamma Ray, lançado em 1999, pode ser considerado como um dos melhores trabalhos do grupo liderado pelo talentoso e carismático Kai Hansen. Levando ao pé da letra a denominação “Power Metal”, o disco é uma verdadeira coletânea de hinos que se encaixam perfeitamente no estilo. Não deixando a melodia de lado, mas ao mesmo tempo, fincando o pé no Metal mais tradicional, o já citado Hansen (vocal e guitarra), Henjo Richter (guitarra, teclados), Dirk Schlächter (baixo) e Dan Zimmermann (bateria) mostraram que a fase da banda se mantinha em alto nível, haja visto que o álbum anterior, o ótimo “Somewhere Out in Space” (1997) havia obtido excelente aceitação dos fãs e da mídia.

Lançado pela Sanctuary em março de 1999, produzido pela dupla Hansen/Schlächter e tendo a arte de capa feita por ninguém mais, ninguém menos que Derek Riggs (o criador das capas sensacionais da maior banda de Heavy Metal da história – a saber, o IRON MAIDEN, e que se prestarmos bastante atenção, veremos algumas referências a um dos melhores álbuns do Maiden…), “Powerplant” mostra que, em relação à composição, Hansen continuava (e ainda continua) sendo um mestre. Faixas até mesmo polêmicas (como o inusitado cover de “It’s a Sin” do grupo Pop Pet Shop Boys e “Short As Hell”, que trouxe influências industriais) traziam a essência do Power Metal alemão, que o vocalista/guitarrista ajudou a criar/sedimentar pelo mundo afora.

Já na abertura com a grandiosa “Anywhere in the Galaxy”, uma daquelas faixas que apenas Hansen consegue criar (e que mesmo trazendo consigo muita influência de Judas Priest, soa sempre original), com um refrão que não sai da cabeça desde a primeira audição, fica claro que o grupo estava disposto a manter a boa fase. “Razorblade Sigh” traz as características do grupo, pois apesar do peso das guitarras, carrega uma boa dose de melodia em suas linhas. Na sequência, temos uma faixa que se tornou emblemática na carreira da banda: “Send Me a Sign”! Uma faixa que poderia estar em qualquer trabalho clássico do Helloween. Com um andamento tipicamente “alemão”, a faixa é uma das melhores do álbum e também tem um daqueles refrãos que a gente canta junto sem perceber. “Strangers in the Night” é outro belo exemplo de como o Heavy Metal pode caminhar lado a lado com a melodia sem soar irritante. Assim como “Gardens of the Sinner”, que possui mais um refrão com o selo “Kai Hansen” de garantia.

Então temos uma das faixas “polêmicas”. “Short As Hell” nos remete um pouco ao que o Rammstein estava fazendo no momento. Guardadas as devidas proporções, obviamente. Apesar de boa, a composição acaba destoando um pouco do restante do álbum por fugir das características do grupo. Então, temos “It’s a Sin”. E não é que Hansen e cia. conseguiram dar uma roupagem bem “Metal” para a faixa? Muitos fãs torceram a cara mas… Se você tem a mente aberta vai perceber o bom gosto e a classe do grupo ao fazer esse cover. Logo em seguida, uma daquelas faixas que podem ser consideradas um hino. “Heavy Metal Universe” traz consigo tudo aquilo que o Manowar vem fazendo ao longo de todos esses anos. Uma verdadeira ode ao estilo de música mais pesado e amado do planeta. Ou do Universo, como diz a letra da música. As três faixas seguintes, “Wings of Destiny”, “Hand of Fate” e “Armageddon” mantêm o alto nível de excelência que o álbum apresentou até aqui.

“Powerplant” é um álbum indicado não apenas para os fãs do grupo ou de Metal Melódico. Esse álbum é indicado a todo apreciador de Heavy Metal de qualidade. E estamos falando de Kai Hansen. E não é preciso dizer mais nada, não é mesmo?

Formação:
Kai Hansen – vocal e guitarra
Henjo Richter – guitarra
Dirk Schlächter – baixo
Dan Zimmermann – bateria

Faixas:
01. Anywhere In The Galaxy
02. Razorblade Sigh
03. Send Me a Sign
04. Strangers In The Night
05. Gardens Of The Sinner
06. Short As Hell
07. It’s A Sin
08. Heavy Metal Universe
09. Wings Of Destiny
10. Hand Of Fate
11. Armageddon