O sintetizador já entra em cena desenvolvendo uma superfície ácida e levemente áspera que entrega uma textura igualmente corrosiva para com o riff da guitarra solo. De melodia trotante e levada rítmica suja, Don’t Lie caminha por uma cadência em mid-tempo, enquanto permite o nascimento de uma camada harmônica que, em razão da agudez ácida do teclado que imita o sonar do hammond, flerta com o progressivo. Sombria e até mesmo ultrajante, a faixa chama a atenção por ser liricamente narrada por uma voz feminina envolta em atitude e empoderamento.
Ainda que a guitarra puxe o amanhecer da composição com uma melodia distorcida, mas de caráter interessantemente melodioso, o ambiente introdutório minimalista dá lugar para uma etapa instrumental expansiva e convidativa que denuncia, de imediato, o seu viés radiofônico. Takin’Its Tool, a partir daí, se destaca por permitir um transpirar dramático que a assemelha à energia de The Kids Aren’t Alright, single do The Offspring. Viciante, assim que se percebe respaldada pelo sonar distante de uma sirene, a canção mergulha em um escopo sônico mais denso e minimamente insandecido.
Nascida a partir do dedilhar das teclas do piano de forma a extrair, dele, notas de uma conotação melancólica, dramática, adocicada e levemente aguda, a presente faixa denuncia a sua verdadeira natureza a partir da interpretação lírica visceral e, consequentemente, cheia de profundidade sentimental assumida pela vocalista. Pungente, dramática e rascante, a versão de Set Fire To The Rain, single creditado à Adele, assinada pelo Nerved, traz intensidade e um desenho mais cru para o sofrimento proposto pelo enredo lírico.

Kompromat é simplesmente um material construído a partir de canções que caminham pelo tenso, pelo intenso. Também respaldado pelo bruto, pelo visceral, pela melancolia e pelo toque dramático, o EP chama a atenção pela sua mistura metalizada e industrial, de forma a combinar brisas digitais no que tange ao eletrônico com o soturno e o rascante.
Brevemente experimental, o EP ainda apresenta uma track list formada por outras importantes canções, tais como a épica e cinemática I Rise, além da azeda e soturna Scars. Com essas músicas na conta, o cinemático e o orquestral auxiliam Kompromat a atingir um conceito de poder, revisão e perspectiva.
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