A banda alemã Xandria está voltando para os palcos com nova formação e após um hiato de quase 6 anos. Para falar sobre a tour, o novo álbum “The Wonders Still Awaiting” e a nova formação, nossa redatora Tamira Ferreira bateu um papo com a vocalista Ambre Vourvahis. 

Já comecei perguntando para ela como pronunciar seu nome já que ela é de origem grega e, com certeza, o nome não seria pronunciado como eu achei que fosse. Ela riu e me explicou, mas vai ficar bem difícil transcrever, seria melhor um vídeo para explicação, vai ficar para uma próxima. 

 A entrevista na íntegra vocês conferem abaixo: 

Eu queria começar com a sua entrada na banda e gostaria de saber como você foi convidada e seu sentimento em fazer parte do Xandria. Me conta como foi esse processo. 

Ambre: Eu já conhecia o Marco antes e, durante o hiato, nós começamos a trabalhar em algumas músicas como um projeto paralelo, também para se divertir e ver no que poderia dar. Algumas músicas têm similaridades com Xandria e pensamos que talvez poderiam ser canções futuras para a banda e ele gostou muito da minha voz e me perguntou se eu gostaria de ser a vocalista da banda. 

Ah, que legal! 

Ambre: Sim, incrível. 

Eu vi que algumas canções foram escritas pelo Marco e outras por você. Como foi esse processo de compor canções juntos. É seu primeiro álbum do Xandria e você já está escrevendo, com foi isso? 

Ambre: Na verdade eu não escrevi as canções, as melodias, eu escrevi mais ou menos metade das letras, nós nos juntamos para a maioria das músicas e eu dava ideias, feedbacks, algo que eu gostaria de ouvir na música e tudo ocorreu muito bem, eu acho. 

Isso é incrível porque a maioria das vocalistas apenas cantam e você sendo uma parte da banda, isso é ótimo, gostei muito. 

Ambre: É mesmo, eu gosto muito disso. 

O primeiro single foi “Reborn”, que é uma grande canção, eu amei o videoclipe e eu gostaria de saber primeiro sobre o clipe. Tinha um tema indiano, com foi criado o conceito dele? 

Ambre: Obrigada! Eu tive uma ideia para ele, me inspirei em coisas como deserto e um pouco da vibe oriental, então a gente entrou em contato com uma companhia que a banda já trabalhou, eu pedi para eles: “Vocês conseguem criar um lugar que se parece oriental? Pode ser, eu não sei, estava pensando em algo sonar, então eles acharam uma casa de banho em algum lugar da Alemanha que foi perfeito. Eu estava congelando porque estava meio abandonado, mas parecia perfeito, e o resto foi na frente de um chroma key comigo no deserto onde eu lutava contra algumas forças no sol porque combinava com a letra de não deixar as pessoas te fazerem mal e renascer. No final deu tudo certo, foi um pouco de última hora, foi estressante, mas foi muito bem. 

E é um belo vídeo: 

Ambre: Obrigada! 

Do jeito que eu vejo “Reborn” e “Ghosts”, eles são bem diferentes, não apenas o vídeo, mas a música e eu vi que eles colocaram que Marco escreveu “Reborn” e você escreveu “Ghosts” e você já falou que foi partes da música. Como você vê essa diferença? Para mim, “Reborn” era diferente, mas soava mais como o Xandria, as antigas músicas, e “Ghosts” é mais diferente, mais ousado. Posso dizer assim? 

Ambre: Sim, com certeza! 

O que você pode dizer sobre essa diferença? 

Ambre: Você está completamente certa, “Reborn” é mais parecido com as últimas músicas do Xandria, a essência da banda, e pensamos que como uma volta seria ótimo colocar como primeiro single porque é o Xandria, com novos elementos, talvez, como os screams, os guturais, algumas coisas novas, mas era basicamente o que os fãs esperavam de nós. E  “Ghosts” foi uma das minhas favoritas porque tem esse toque mais moderno e é mais pesado, com algumas ideias que são um pouco diferentes do que o Xandria já tinha feito e era o que representava o álbum em geral. “Reborn” and “Ghosts” são boas representações do álbum completo, as vibes nele e os novos elementos, então eu achei que poderia ser um single, eu achei muito cativante para introduzir os novos elementos e os pesos que a banda apresenta agora que é diferente de como era no passado. 

Até mesmo o clipe é diferente, pega mais a essência da música sendo mais moderno. 

Ambre: Eu queria algo mais moderno e coloquei algumas ideias que eu tinha na minha mente há um tempo como o carro, eu queria deitar no carro (risos) que foi inspirado em alguns clipes de música pop, uma vibe mais anos 80, eu fui um pouco louca (risos). 

Sim, eu amei! Eu queria perguntar como está sendo como vocalista, você faz vozes diferentes nas canções, foi algo que você sempre fez, foi algo que você começou a fazer pela banda? Quando surgiu essa ideia e como foi esse processo? 

Ambre: Eu gosto do scream já há algum tempo e Marco sempre gostou desse estilo, ele é um fã de Death Metal, nós dois amamos vocais guturais e scream então foi natural de colocar em alguns momentos das músicas e casou muito bem com a música. Todos os tipos de vocais são mais puxados para o power metal e as músicas estavam pedindo por esse estilo de vocais, então eu tentei, às vezes, no começo do processo de composição, ou um pouco depois e deu certo dando uma certa diversidade. 

Sim, e soa como uma novidade para a banda, eu realmente gostei. 

Ambre: Obrigada! É ótimo de ouvir. 

Eu gostaria de saber sobre o single “You Will Never Be Our God” com Ralf Scheepers, como essa parceria surgiu e quando vocês decidiram convidá-lo e sobre as ideias da canção e o videoclipe. Estou curiosa. 

Ambre: Essa música tem um toque de heavy metal clássico e pensamos que talvez seria legal ter uma voz que também nos lembra desse estilo, não apenas um vocal feminino que soa lindo, mas ter um pouco de intensidade e rapidamente pensamos no Ralf porque ele é bem conhecido na Alemanha por ser um incrível vocalista, nós perguntamos e ele rapidamente gostou da canção, então foi muito bom ter ele também no clipe que era algo muito importante para nós por ser um pouco mais político e com ideias que realmente queríamos explorar, especialmente nesses tempos em que é bom falar a respeito especialmente com arte. Não precisamos falar sempre sobre política, mas quando tivermos a chance e a música combina e Marco sempre gostou de escrever sobre esse assunto, mas dessa vez ele quis fazer de uma forma mais óbvia, ele escreveu a letra mais direta o que achamos ótimo. O clipe foi meio que um longo processo para pensar em todas essas ideias e eu acho que também se tornou algo muito bom. 

Isso, foi incrível, eu senti um arrepio assistindo e eu gosto muito desses temas mais políticos. Eu queria te fazer uma pergunta mais pessoal, se você pudesse convidar alguém para fazer um feat, você pode pensar grande (risos) qualquer um que você gostaria muito de cantar com essa pessoa, quem seria? Ou talvez um músico. 

Ambre: Engraçado você perguntar isso, recentemente eu pensei em algumas pessoas que eu adoraria ter no álbum, eu não sei se vai acontecer, mas poderia. Estou tentando pensar se há alguém… Na verdade tem uma que nunca aconteceria porque não combina, ela se chama Marina, eu não sei se você conhece, ela é uma cantora pop inglesa, ela é mais conhecida na América do Sul, ela estava no Lollapalooza, eu sou muito fã e adoraria ter ela em uma música mais pop, uma suave, mas nunca aconteceria (risos). 

Talvez, Within Temptation convidou um rapper para uma música deles, você pode fazer qualquer coisa. 

Ambre: Isso é verdade. Nunca sabemos, pode ser que eu a convide, escrever para o empresário.  

Eu gostaria de perguntar sobre turnês, vocês voltaram bem recentemente, pós pandemia em fazer shows. Como foi voltar em turnês e viajar, como foi essa experiência para você? 

Ambre: Foi bom, na verdade, eu peguei covid na primeira turnê, bem no começo, foi bem traumatizante porque eu tive que cantar todas as noites depois de estar doente, foi bem difícil. Eu peguei covid na segunda turnê de novo, então é bem difícil porque é mais certo de você pegar ao conhecer as pessoas e eu gosto de encontrar os fãs depois e falar com eles, mas é um risco ainda fazer isso. Mas fora isso está indo muito bem, não tem muito problema, as pessoas estão vindo para os shows e eu amo fazer turnês, eu amo estar na estrada, é cansativo, com certeza, mas eu gosto de ver diferentes lugares e é como uma aventura. 

Eu imagino! E agora vocês vão sair em tour com o Kamelot pelos Estados Unidos. Está animada, vocês estão preparando algo? E a pergunta mais importante: Você vai cantar com o Kamelot? Porque eles sempre convidam e se eles não convidarem, você pede porque eu quero ver (risos). 

Ambre: Eles vão levar a Melissa Bonny do Ad Infinitum para cantar com eles, então eu não irei cantar com eles. 

Talvez uma música, algo especial. 

Ambre: Eu falei com o Thomas, mas ele tem uma cantora, então, eu acho que não vai acontecer, mas eu adoraria. Talvez no futuro. 

Minha última pergunta era sobre o Xandria aqui no Brasil, mas você não estava aqui, infelizmente, mas há algum plano de voltar para a América do Sul, vocês falam sobre isso ou nada ainda? 

Ambre: Nós até falamos sobre isso ontem que eu adoraria e eu recebo muitas mensagens positivas dos fãs do Brasil, México, há tantos fãs dedicados na América de Sul, mas de alguma forma precisamos de um produtor, nós precisamos de propostas, não é muito comum ou fácil como na Europa, mas eu espero ter essa chance e nós, com certeza, pegaremos, e claro que falamos a respeito. Espero que aconteça o mais rápido possível. 

Gostaríamos de agradecer à Ambre e ao Xandria pela entrevista e ao Marcos Franke pela oportunidade.  

Encontre sua banda favorita