Quem acompanha música sabe o quanto o mercado e a forma de consumi-la mudou nos últimos anos, talvez nas duas últimas décadas. Logo, nem todo mundo vê como viável lançar discos cheios e sempre trabalham com singles, que permeiam as plataformas digitais e estão aptos ao dinamismo da sociedade atual.
O heavy metal ainda resiste a isso e não somente. No cenário, o colecionismo ainda é forte, e fã de música pesada ainda coleciona material físico e sabe apreciar um disco completo. A banda sueca We Are To Blame, formada em 2020, provavelmente ciente disso, trabalhou dos dois modos.
Eles chegam agora ao seu primeiro ‘full’, “Omega Origin”, depois de lançarem diversos singles, inclusive alguns presentes no disco, e três EP´s. Ou seja, equilibraram seu som, cevaram seu público, moldaram seu som e com maturidade suficiente chegam ao seu trabalho mais ousado, onde entregam nove músicas em quase uma hora de som.
“Omega Origin”, além das particularidades de cada faixa, é um disco que transita por diversos estilos, que sempre se entrelaçam bem, honram a tradição do metal sueco, que dispensa apresentações, além de mostrar uma atemporalidade incrível, graças à produção muito bem cuidada, que une o moderno sem deixar de ser orgânica.
Vale destacar que esse processo de produção ficou por conta dos próprios músicos. Produzido por Johan Karlsson, “Omega Origin” foi mixado pelo guitarrista Johan Karlsson e pelo baterista Sebastian “Seppo” Lindgren, este último também responsável pela masterização. As gravações ocorreram no JSK Audio, KLANG Studio, Svefi e nos estúdios caseiros dos integrantes da banda.
Caminhando pelos trilhos do metal alternativo, power metal e symphonic metal, o We Are To Blame sabe muito bem dosar seus elementos e chega com belos arranjos, variação rítmica e melódica, além do peso na medida. Tudo dando uma abrangência magistral ao disco, que ainda traz leves toques de gótico e progressivo.
Dentre os destaques podemos mencionar a faixa “To Feel”, um power metal com groove na medida e que prende o ouvinte, “Life Lost Love”, um single prévio onde eles conseguem soar modernos sem serem tendenciosos, além de “She Is Me”, uma balada erudita que foi escrita pela vocalista Alice Hartvig e dá um respiro no disco.
Claro, o trabalho merece uma audição completa, pois é uma viagem sonora onde as faixas se complementam, mas ainda podemos mencionar a faixa título, um épico de mais de 14 minutos que fecha o disco com chave de ouro. Completam o time o baixista Oliver “Olly” Älmeros e o outro guitarrista Marcus Lillsebbas.
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