Não é preciso de muito para se permitir se perder em um ambiente de conotação espacial. Afinal, é isso o que a sonoridade sintética que rege a introdução deseja transmitir. Introspectiva e trazendo consigo um quê de enigmatismo, The Grand Design, em um súbito, passa a explorar algo épico em sua estrutura. Entorpecente e, de certa forma, flertando vagamente com a paisagem do power metal, ela surpreende por fluir para um ambiente intenso, harmônico e cheio de pulso em razão do emprego consistente do bumbo duplo.
Diferente da obra anterior, o que Welcome To Terra Corp oferece é, desde seu início, uma estrutura sônica madura e consistente marcada pela intensa sintonia instrumental que, inclusive, não esconde sua base progressiva em hipótese alguma. Explorando texturas que vão do ácido ao áspero com tamanha versatilidade, a faixa surpreende por mesclar traços de metal sinfônico em sua estrutura, o que a torna denotativamente grandiosa e penetrante.
Com um início pautado em uma sonoridade sintética e estridente de forma a trazer consigo referências a algo tecnológico, é possível de se afirmar que a composição se destaca por flertar, ainda que minimamente, com o sci-fi. De caráter denso e dramático, Initiation Day, com seus quase oito minutos de duração, transita tanto por entre versos emotivos e sofredores quanto por momentos em que o épico se destaca e outros instantes em que a agonia e o desespero imperam.

Bruta, crua e sombria. Essa trinca de adjetivos descreve bem aquilo que o ouvinte vivencia em Hyperconverter. Obscura, agressiva, azeda e corrosiva, ela, na posição de segunda maior faixa do álbum no que tange à duração, explora a significância léxica tanto de caos quanto de dissonância. De traços curiosamente dramáticos e melancólicos, a faixa, na companhia de Charlie Griffiths, tem, em si, um aspecto de curiosa elevação.
Ele não é um álbum progressivo em sua pureza. E isso é uma coisa boa. Afinal, Interestellar I alça voos mais amplos ao fundir outras sonoridades em meio à sua sequência de faixas de oito títulos. Explorando o denso, o caótico, o melancólico, o dramático, o azedo, o intenso e o corrosivo, o disco se destaca pelas harmonias e pelos cenários sônicos grandiosos que surpreendem a cada nova estrofe.
Capaz de ser igualmente cru e se destacar por momentos de audaciosa estridência, o disco tem, em si, o protagonismo do metal progressivo infusionado com insinuações sci-fis robustas. Marcando principalmente a paisagem de suas quatro primeiras obras, o álbum pincela essas características de maneira bem conduzida por toda a sua track list. Dialogando sobre o excesso de tecnologia, a corrupção massiva e os conflitos pessoais relacionados à identidade, ao amor e ao conceito de sobrevivência, Interestellar I conta ainda com participações especiais que abrilhantam a sua dramatúrgica execução.
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