Viper: guitarrista e fundador Felipe Machado completa 50 anos

by Flávio Farias

Em 04 de agosto de 1970, nascia Luis Felipe Machado de Oliveira, ou somente Felipe Machado, guitarrista e fundador de uma das bandas mais importantes do nosso Heavy Metal, o VIPER. Em atividade desde 1985, ele tem mantido mantido o legado construído desde o início, quando foi parceiro do imortal Andre Matos, então adolescente tal qual o aniversariante de hoje.

Com o VIPER, ele realizou feitos, como fazer a banda se tornar idolatrada no Japão. Tão idolatrada que a banda escolheu o país do sol nascente para gravar seu primeiro registro ao vivo, o não menos que excelente “Maniacs in Japan”. Além disso, sua banda foi uma das estrelas dos bons tempos em que o Metal tinha passe livre pela extinta MTV Brasil, além de ter em seu currículo shows de abertura para nomes como SLAYER, BLACK SABBATH, KISS, SLAYER, entre outros.

Também foi uma das atrações do primeiro festival “Monsters of Rock”, no ano de 1994 e a glória maior foi o reconhecimento e o convite para tocar no “Rock in Rio” no ano de 2013, durante a turnê “To Live Again Tour”. Uma pena que não rolou um disco de estúdio, o que aconteceria novamente desde 1989, quando gravaram o aclamado “Theatre of Fate”.

Mais do que um músico importante para o Heavy Metal praticado em terras tupiniquins, Felipe Machado é também jornalista graduado pela Faculdade Cásper Líbero desde 1993 e mestre em Comunicações Digitais desde 2009. Trabalhou para o Grupo Estado, onde foi repórter, colunista e editor, além de diretor da TV Estadão, área de vídeos do portal O Estado de São Paulo.

Tem ainda em seu histórico uma carreira como escritor, na qual escreveu dois livros não-ficcionais, dois romances e um livro infantil, “Um Lugar Chamado Aqui”, lançado em 2016 e que foi premiado como o melhor livro infantil, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Capa do premiado livro do nosso aniversariante

Além de guitarrista dos bons, Felipe Machado é um sujeito preocupado com as causas sociais. Fez na presente data, uma bela postagem na sua conta no Instagram, em que, além de relembrar suas conquistas ao longo deste meio século, mostra a prepcupação com o lado humano, ao afirmar que não fará festa pois enquanto ele completa mais um ano bem vivido, quase cem mil pessoas terão perdido suas vidas em decorrência desta pandemia do novo Coronavirus, que destruiu tantos sonhos, deixou tantas pessoas devastadas e o mais agravante, tem mostrado o pior do que alguns seres humanos têm a capacidade de destilar. Felizmente temos no mundo gente como ele, que usa a empatria de maneira espetacular.

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“Como vai ser sua festa de 50 anos?” foi uma das perguntas que mais respondi desde que fiz 49. O número redondo, efeméride de peso, exigiria uma comemoração à altura da minha animação e de seu simbolismo: meio século. Ao contrário do que imaginavam os que me conhecem, não haverá festa. Quando o sol do dia em que eu fizer 50 tiver se posto, 100 mil brasileiros terão morrido. E outros milhares pelo mundo. Nunca imaginei que meus 50 aconteceriam durante essa tragédia. Mas não deixemos que o pessimismo nos seduza como a serpente encantada pela flauta: há muita vida ainda pela frente. Permita-me citar outro Machado, muito mais brilhante, que por sua vez citava o francês Blaise Pascal: “cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes”. Das cinzas às cinzas, do pó ao pó. Evoluir é uma edição constante da vida, darwinianamente como manda a biologia. Agora, às conquistas. Foram e são muitas. Lembro de tudo e penso: que vida extraordinária eu tenho. Que aventura divertida e repleta de recompensas. Das viagens aos trabalhos, dos amores aos amigos. Minha família é a maior delas. Mãe e irmão são maravilhosos por si próprios, mas minha filha é, se a modéstia que tanto me falta permite, um pouco de mérito meu. Ela me ensina enquanto eu a ensino, e será assim até o dia em que eu não tiver mais nada a ensinar – e aí então ela começará a ensinar aos Machados que nos sucederem. Há em mim um sonho irreal de viver para sempre, e só isso explica a quantidade absurda de projetos criativos em que me meto. Há sempre um novo disco a compor, um novo livro a lançar, uma nova maneira urgente e necessária de se expressar. Faço tudo isso porque gosto de ver o resultado e confio em seu valor. Não é pelo ego, nem pelo dinheiro: é pela felicidade de ver algo que saiu da minha cabeça ganhar os ares da realidade. “Criar é mais importante do que ser feliz”, já dizia Glauber Rocha. Obrigado a todos pela amizade e carinho com que têm me tratado nesses 50 anos. Essa viagem fantástica segue em frente. A festa foi adiada, mas isso é o de menos: o importante é fazer da vida uma eterna celebração.

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Voltando ao campo musical, em 2015 ele se lançou em carreira solo e gravou um disco chamado “FM Solo”, onde arriscou-se como vocalista e não faz feio. O disco conta com faixas autorais, covers para Morrissey e ATHLETE, além de uma versão bem diferente para a música “The Shelter”, do VIPER, que ficou muito boa.

Enfim, a ROADIE METAL, A VOZ DO ROCK deseja toda felicidade para esta figura importante e também muitos anos de vida. É importante que todos nós possamos reverenciar nossos ídolos enquanto estão vivos, o amanhã não nos pertence e a nossa dádiva maior é ter a oportunidade de poder vê-los lançando álbuns e fazendo turnês, quando esta pandemia terminar, obviamente. E 50 anos é uma marca especial. Receba o carinho da nossa equipe e também do leitor.

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