Ela é de uma natureza silenciosa. Fazendo o ouvinte pensar até mesmo que há um erro em relação à sua reprodução, a canção evolui de forma faceira e adensada em um minimalismo sônico rígido. Combinando, de forma profunda, noções léxicas de introspecção e torpor, …the morning after (overture) explora camadas sônicas etéreas de forma a transformar seu ambiente em uma espécie de universo misto entre o onírico e o espacial. Tudo isso se percebe envolto em camadas que conferem noções de leveza, mas também cuidadosas notas de crueza, as quais enaltecem a morfina que recai sobre frases suspirantes de um violão que é surpreendentemente acompanhado por uma voz feminina grave que, na posse de Amber Balleras, transforma a canção em algo dramático e pungente.
Aqui o início é mais direto no que se refere à exploração de uma sonoridade mais palpável e acústica. Colocando a guitarra ausente de distorção em evidência diante de uma levada melódica amaciada, a canção acaba flertando com energias que beiram, ao mesmo tempo, o melancólico e o nostálgico. Explorando nuances sensoriais dramáticas diante da desenvoltura sonora, (don’t) touch my body apresenta uma estrutura que, curiosamente, flerta com aquela crueza sentimental das canções com base no emo e no rock alternativo do início dos anos 2000.
Não que ela seja necessariamente esotérica, mas a maneira como a guitarra se apresenta confere um senso associado ao transcendental de maneira a atingir um ponto até mesmo entorpecente. Misturando leves doses de estridência e acidez a tal ponto que chega a ser até mesmo soturna, close your eyes (my dear) consegue ser sensual ao mesmo tempo em que soa sombria, visceral e um tanto obscura.

Dá para dizer que …the morning after é um álbum que bebe de uma estética crua. Uma brutalidade que atinge apenas o som e a movimentação instrumental. Afinal, no que se refere às interpretações líricas e às melodias desenvolvidas, o material e simplesmente sentimento em sua forma mais pura.
Transitando livremente entre melancolia, nostalgia e o soturno diante de uma postura comportamental maciçamente introspectiva, ele é moldado por canções que ainda fornecem ideias sensoriais aéreas e, portanto, denotativamente brisantes. Percebidas principalmente nas três primeiras faixas da track list, essas características também são percebidas, mas em menor grau, em outros dois títulos.
(fly)paper traz uma atmosfera agoniante e desesperada, enquanto (never) coming back traz um caráter reconfortantemente melódico e aromático. Essas faixas evidenciam um lado inclusive mais pungente, mas também doce e honesto de Han que foi devidamente encapsulado em …the morning after.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6EmrQlpj5PHVUzQiURCeG4
Site Oficial: https://musicbyhan.com/
Bandcamp: https://hanmusic2000.bandcamp.com/album/the-morning-after
Instagram: https://www.instagram.com/hanmusic_official/