The Black Plague Doctors traz disco de hip-hop que flerta com o rock

O The Black Plague Doctors é um coletivo sediado em Atlanta que desafia os limites do ‘lo-fi hip-hop’ por meio de uma abordagem ‘DIY’ (do it yourself, a famosa ‘faça você mesmo) intransigente. Formada por Jo-Fi e St. Gabe, a dupla prima por trazer uma sonoridade cheia de particularidades.

Mas por quê diabos os caras estão no meio de uma publicação de rock? Pois bem, o trabalho em comum do The Black Plague Doctors é trazer instrumentações orgânicas, realmente tocadas e que se desenvolvem com os beats, onde eles se entrelaçam criando uma personalidade própria e sons que soa cheio de identidade.

a dupla baseia seu processo criativo na instrumentação ao vivo — guitarra e baixo — sobreposta a baterias eletrônicas, um sampler SP404 e diversos equipamentos musicais, tudo captado em um modesto gravador digital de 8 canais. Não tenha dúvidas que isso deixa seu som muito diferenciado, mas sem perder o mote e as características daquilo que apostam.

Eles chegam agora ao novo disco “DYNAMITE! (Audio Cinema)”, que também é concebido em um formato diferenciado, mostrando o quanto a dupla é criativa. Trata-se de uma jornada sonora ambiciosa que transcende os formatos tradicionais de álbum, concebida como um “curta-metragem em áudio” que explora as batalhas paralelas de lutadores profissionais e daquelas pessoas que lutam pela sobrevivência no dia a dia.

O projeto segue a estrutura da “Jornada do Herói”, entrelaçando temas profundamente pessoais — como paixão, amor, perda, medo, raiva e resiliência — ao longo de sua narrativa. Tudo resumido em 14 músicas e pouco mais de 41 minutos.

Quase não se pode perceber o intervalo entre as faixas, que estão interligadas contando uma história em comum e com os arranjos se emendando, por isso é um disco que acaba soando essencial como um todo. Mas, alguns destaques individuais chamam atenção, como se fosse importantes cortes.

O primeiro deles é o rap vanguardista “Poor Boy’s Sport”, que praticamente é a faixa de abertura de fato após a introdução. A música convida o ouvinte de vez para a viagem no disco, servindo como um excelente cartão de visitas.

“Allah Mode” também é outra ótima composição, com um órgão magistral e um solo de guitarra perfeito, soando levemente dramática e introspectiva. Por fim, “Birds Aren’t Real”, o carro-cchefe, apresenta uma crítica contundente à sociedade americana contemporânea, abordando materialismo, cultura de armas, tensão racial e desinformação com uma batida tão cativante que reflete, intencionalmente, a tendência da sociedade à distração. Musicalmente é um rap imponente e que traz diversas facetas do hip-hop, onde os beats priorizam batidas espaçadas e bases graves. Mas, é bom ouvir o disco todo!

https://open.spotify.com/artist/0mkw0zDFbcWjmaXdJgda1v?si=XiktnSoyR9KEtijkC2ubaw

https://www.instagram.com/the_black.plague.doctors

https://theblackplaguedoctors.bandcamp.com

https://on.soundcloud.com/RoAzP1HgfuiiFoIGe2

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