É sempre bom encontrar grupos que saibam trabalhar som de outras eras e encaixa-los aos tempos atuais. Melhor ainda é quando conseguem isso sem perder a essência não só do estilo, mas também sem forçar a barra, não permitindo que contextos datados façam parte da proposta. E temos aqui um destes casos.
Trata-se da banda polonesa Tár. Originária de Szczecin, a banda constrói seu som sobre uma base de rock e metal alternativos, enriquecida por desert rock, stoner-doom, shoegaze e grunge. Seu estilo autodenominado “nostalgic-gaze” canaliza a energia da cena alternativa de guitarra dos anos 90 em uma experiência moderna e profundamente atmosférica.
Contando com Tomasz Jackowski no vocal, Krzysztof Boboryko na guitarra, Robert Lachendro no baixo e o baterista Daniel Nowakowski, a banda divulga este seu mais novo EP, “Dancing on the Event Horizon”, que não é exatamente um álbum conceitual, mas tem algumas temáticas centrais que se distribuem no contexto das canções.
Com quatro faixas, o trabalho traz questionamentos como você já esteve à beira do precipício? Tão perto que não conseguia distinguir se ia voar ou cair? Ou talvez você simplesmente sinta falta dos tempos em que os riffs de guitarra eram sujos e as melodias ressoavam como memórias através da neblina?
Trazendo letras que falam sobre perda, rebeldia e nostalgia, eles entregam aquele som pesado, inspirado no grunge e shoegaze, onde a melancolia vem como realidade e não forma de lamentação. Ou seja, não se trata de desistir, mas ter que encarar de frente os caminhos pedregosos do mundo atual.
“A Course for Home” (a jornada de volta ao quadrante alfa continua), abre o disco resumindo bem e servindo como um ótimo cartão de visitas. A música encanta pelo seu contexto amplo, peso na medida e um leve toque sombrio no instrumental colaborando com a densidade.
Outro destaque e que surpreende pelo flerte, é “Neon Blood”, uma faixa que tem contextos que fica entre o stoner e o progressivo, provando que coisas certas e outras nem tanto podem andar juntas. Destaque para a mudança de andamento das quebras do verso para o refrão mais melodioso, mostrando uma habilidade impressionante da banda.
Claro, as outras duas composições não ficam atrás, afinal de contas o repertório prima pelo equilíbrio e o Tár vence a partida de goleada. É importante mencionar a produção que, além dos excelentes timbres, entrega um som natural, que combina perfeitamente com a proposta. Confira agora!
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