Spells Rituals & Incantations | Psilophibian anuncia álbum com paisagens cinemáticas

É uma acidez inquestionável e uma estridência contínua. Diante dessa sonoridade de natureza sintética, o ouvinte é completamente mergulhado no incômodo enquanto um toque ambiente e amaciado e devidamente molhado daquilo que parece ser a representação da chuva despeja necessários sinais de delicadeza estética. Com direito a trechos com protagonismo de uma guitarra grave e distorcida, GRIMOIRE OF EXALTED DEEDS, no decorrer de seus mais de 18 minutos de duração, põe o ouvinte diante de experiências imersivas que transitam entre as noções sombrias do abissal e do trevoso.

GREEN FAIRY segue os preceitos de sua antecessora. Dando mais voz à experimentação de texturas do que a construção sonora propriamente dita, a faixa combina introspecção, torpor e tensão com a estridência grave e contorcida da distorção da guitarra. Aqui é até possível de se perceber compenetrado e capturado pelo viés ritualístico desenhado pela melodia, algo que escancara o nebuloso e o soturno como um só corpo sensorial. Reverberante como forma de alcançar um quê de espiritualismo endemoniado, a obra se expressa a partir da linearidade do corrosivo.

Começando com o som ambiente do estridular dos insetos da noite, é até curioso que a obra ofereça sinais de um aconchego vulnerável em seu desenho estético. Expondo um som sintético, ríspido e têmulo, GRAINY AND FAMILIAR segue a exploração do estridulante em suas diversas facetas. Curiosamente, dentro de seus mais de nove minutos, o que a torna a canção mais curta do material, existem sinais sonoros que lhe dão a categorização léxica de melodiosa, mesmo que de forma breve e embriagante.

Sombria, ríspida, ácida e bruta. Essas são as principais categorizações possíveis de serem endereçadas a GREEN FAIRY REPRISE (THE LAST INCANTATION). Soturna e tenebrosa em sua máxima essência, eis aqui uma obra que se aventura ao máximo na exploração do ressoar desse som que range até os ossos. Com momentos de uma calmaria surpreendente por dar vasão ao sonar da água e do canto dos pássaros, a faixa se encerra com uma espécie de menção de redenção.

De forma geral, Spells Rituals & Incantations é o caos. O caos em forma de experimentação, mas não algo comum. Afinal, a aventura aqui se dá perante texturas que suscitam o desconforto em sua forma denotativa. 

Cheio de tensão, densidade e paisagens sombrias que colocam a coragem à prova, o disco se consagra como um produto de superfície ante o próprio som que se destaca por paisagens cinemáticas. Repleto de sintetizadores digitais abusivos e cenários assustadores, o álbum faz, das trevas, o seu lar.

Mais informações:

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