Scumbag Rock N’ Roller | Art Of Dysfunction lança single que captura o espírito irresponsável do rock n’ roll

A estética sonora adotada pela guitarra já denuncia muito mais do que a sua postura. Ela exibe um panorama perfeito da su atitude e do seu comportamento, evidenciando um toque libidinoso associado com o provocante. Diante de suas silhuetas rebolantes e sensuais, o instrumento ainda é capaz de transpirar um irreverente esnobismo e um toque de deboche curiosamente charmoso.

Assim que a bateria entra em cena, o cenário muda radicalmente de um minimalismo sedutor para algo mais pulsante e explosivo com uma pitada equilibrada de selvageria. Permitindo a construção, diante da sinergia obtida entre os instrumentos, de uma estrutura rítmico-melódica trotante, mas com resquício de uma agressividade presente e em processo de evolução, a canção recebe, com uma voltagem excitante, um vocalista cuja voz se apresenta embebida em autotune, mas sem prejudicar a sua performance instigante e sedutora.

Com uma estrutura harmônico-rítmico-melódica que traz muito da mesma energia alcançada pelo Jet em Are You Gonna Be My Girl?, seu respectivo single, a presente composição, quanto mais avança em meio à sua própria desenvoltura, destaca, com notável clareza, uma perfeita mistura de subgêneros do universo do rock, como o hard rock, o garage rock e o blues, criando uma paisagem sônica ao mesmo tempo clássica, crua, sensual e bem lapidada.

E tudo isso se encontra diante de um compasso rítmico pautado em um desenho 4×4, riffs de guitarra melódicos e linhas de voz provocantes e debochadas. Experimentando, a partir daí, contornos que trazem muita influência também de nomes como ZZ Top e The Doors pela maneira com que oferece o blues rock, a faixa ainda é agraciada por um solo guitarrístico sensual e cínico cheio de uma postura libidinosa e exibicionista que encarna a aura de uma Sunset Strip dos anos 80. 

Com Scumbag Rock N’ Roller, os australianos do Art Of Dysfunction entregam ao ouvinte o frescor da modernidade com a atitude descompromissada e irresponsável tradicional do rock n’ roll em sua forma mais crua. De traços melódicos que também trazem a figura do AC/DC como uma importante base na sonoridade do grupo, a canção, portanto, destaca o seu viés de privilegiar o conterranismo, mas com autenticidade e irreverência. E isso pode ser muito bem observado com as nuances rock alternativas com sabor dos anos 2000 na maturidade de sua evolução conjuntural, mostrando versatilidade e, principalmente, um senso de atualidade sem se esquecer do passado.

Mais informações:

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