Roadie Metal Entrevista: Taurus – “É um disco afirmativo e consciente do momento em que vivemos. Pesado e profundo, mas esperançoso de dias melhores.”

by Vitor Sobreira

Lá se vão mais de 30 anos de carreira, cinco álbuns de estúdio e a banda fluminense Taurus, uma das lendas vivas do Metal nacional, segue firme divulgando o seu novo trabalho ‘V’. Além disso, a banda também comemora o aniversário de 10 anos do álbum ‘Fissura’, que marcou o seu retorno as atividades, após inúmeros anos sem qualquer tipo de material inédito. Confiram:

Roadie Metal: Antes de abordar assuntos mais recentes, não posso deixar de lado os trabalhos dos anos 80. Começando por ‘Signo de Taurus’ (1986), como a banda, então com músicos bem jovens, lidou  com  todo  aquele  trabalho  de  composição,  gravação  e por fim, o lançamento, do que seria aclamado mais tarde como um dos clássicos do Metal de nosso país?

Otávio Augusto: Realmente,  tudo  muito  novo.  Tivemos  que  amadurecer  muito  rápido  em relação  a  gravação  nos  estúdios  e a  tomada  de  decisões  importantes  para  que conseguíssemos um bom trabalho. Tivemos apoio por parte de alguns profissionais e o Sergio (da Point Rock) foi incrível em confiar no nosso talento. Nossas composições foram de forma natural, afinal tínhamos tempo e mil ideias. Na linguagem de hoje, diria que o ‘Signo de Taurus’ é um álbum “raiz” (risos). Sabíamos que o ‘Signo’ teria uma boa  aceitação,  porque  havia  um  bom  público  nos  shows,  já  cantando  e vibrando com nossa música.

Cláudio Bezz:  Naquela  época,  tínhamos  muita  energia  e  vontade de  sobra  para mudarmos   o   mundo.   Jovens,   recém-saídos   da   adolescência,   com   as   ideias fervilhando,  e o  Taurus  foi  uma  válvula  de  escape  para toda  essa  energia.  As  coisas tomaram  forma  quando  percebemos  que  todos  nós  estávamos  com  a  mesma atitude  idealista,  voltados  inicialmente  para  a  composição  de  uma  música,  depois duas,  três,  uma  demo  tape,  um  show,  e  aí  veio  o ‘Signo  de  Taurus’.  Ninguém tinha  muita  noção  sobre  os  resultados  daquilo,  mas  tínhamos  o  principal  que  era acreditarmos  em  nós  mesmos  e  fazermos  tudo  da  melhor  maneira  possível.  Mais tarde,  mais velho,  entendi  que  era  essa  a  diferença.  Fazer  tudo  de  acordo  com  as nossas  crenças,  pautando  sempre  não  só  pelo  resultado,  mas  pelos  caminhos  que levaram a ele, não importando aonde isso nos leve.

Roadie Metal: ‘Trapped in Lies’ saiu em 1988, apresentando algumas mudanças,  como  letras cantadas  em  inglês,  a  saída  do  vocalista  Otávio  Augusto  e  a  entrada  de  Jeziel  de Oliveira (vocal e guitarra), bem como da sonoridade, que ficou mais Heavy/Thrash. A evolução é algo natural em  nossas  vidas,  mas  o  quê – especificamente – motivou  cada  uma dessas mudanças?

Cláudio:  É  importante  frisar  que  as  músicas  do  primeiro  disco,  foram  compostas  durante  toda   nossa   fase   de   amadurecimento  como banda,  instrumentistas,  compositores,  até  na  conquista  do  amadurecimento  da amizade inicial. Tudo isso está representado nas músicas do álbum de estréia. Após o lançamento  dele,  Otávio  saiu  da  banda  e  a  chegada  do  Jeziel foi  uma  complementação a  todas  essas  mudanças.  Letras  mais  maduras;  arranjos mais sofisticados (veja a instrumental “Ária”, por exemplo). A cena metálica já havia mudado, e nós aprendemos  muito  durante  os  shows  de  lançamento  do  ‘Signo’.  Já vivíamos  sob  outra  perspectiva  aqui  no  Brasil e a  vontade de  mostrarmos  nossa música  para  outros  países  era  enorme – comum  à  todas  as  bandas  da  época – ,  por isso adotamos o inglês hegemônico da cena Rock mundial.

Roadie Metal: ‘Pornography’ não demorou a sair e apesar do estilo ter sido o mesmo, notou-se que a  banda  buscou  se  aperfeiçoar  para  não  repetir  a  fórmula,  resultando  em músicas  mais diretas  e  um  pouco  mais  trabalhadas.  Mas a questão  é:  por  que  a banda   não   fez   outros   lançamentos   em seguida   e,   tempos   depois,   encerrou   as atividades?

Cláudio: 1989 foi um período inicial de uma crise econômica e política que o país passou nos anos seguintes e, ao que parece, nunca saiu. Naquela época, faltava até vinil para a prensagem dos discos, os espaços de shows diminuíram bastante e em  1991/92  resolvemos  dar  uma  pausa,  não  um  término. Cada um foi  viver  sua vida,  mas  sempre  muito  próximos  uns  dos  outros.  O  ‘Pornography’  é  um  disco  em que  nos  reaproximamos  do  som  mais  cru,  mais  direto,  até  por  nossas  amizades com a galera de bandas Punk e Hardcore (Cólera, Tubarões Voadores, Ratos) e que influenciaram,  de  certa  maneira,  essa  atitude  musical.  Foi  um  disco  evolutivo, inclusive   no   seu   alcance,   pois   foi   distribuído   pela   Polygram,   uma   major internacional. Chegou realmente a muitos lugares, mas infelizmente ficou marcado como o último dessa fase.

Os três primeiros álbuns do Taurus, lançados entre meados e o final da década de 1980

Roadie Metal:   Foram  aproximadamente   20   anos   sem   músicas   inéditas,   lançadas.   Nesse período, ocorreram  encontros  musicais  entre  os  membros  da  banda?  Ou  o  nome Taurus ficou literalmente adormecido?

Cláudio:  1992  até  2007,  ou  seja,  15  anos  com  o  Taurus  adormecido.  Em 2006/07  resolvemos  nos  encontrar  para  tocar  novamente,  mas  porque  descobrimos no antigo Orkut uma página do Taurus feita por fãs, o que nos deixou muito felizes. Resolvemos  dar  de  presente um  show  fechado  para  alguns  desses  fãs  em  um pequeno  teatro  em  Niterói/RJ.  Como  o  Jean  já  havia  se  mudado  para  SP,  resolvemos buscar um substituto, e o nosso amigo Beto de Gásperis chegou, dando vida nova à banda.  Duas  semanas  depois  abrimos  o  show  do  Testament  no  antigo  Canecão – casa  de  shows  histórica  do  Rio -.  que  sempre  foi  um  sonho  fazer  um  show  lá.  Não teve jeito… Voltamos. De lá até o ‘Fissura’ foram muitos shows, a volta do Otávio nos vocais e a cada ensaio novas ideias composicionais.

Roadie Metal:  Tomando  uma pequena  liberdade  pessoal,  conheci  a  banda  em  2008,  com  o ‘Trapped  in  Lies’,  e  logo  em  seguida  os  demais.  Mas,  confesso  que  ao  saber  do retorno da banda e do lançamento de ‘Fissura’, a satisfação não poderia ter sido diferente. Como então foi o retorno do Taurus  ao estúdio de gravação após tantos anos? E como se deu essa volta às atividades em si, antes do lançamento?

Otávio: Infelizmente,   devido   a   problemas   profissionais,   não   pude   retornar   ao Taurus  no  show  do  Canecão  com  o  Testament.  Meu  retorno  aos  palcos  foi  no Blackmore  em  SP,  a casa estava lotada  e  fiquei  emocionando  vendo  todos  cantando  as músicas  do  nosso debut.  Ali  percebi  a  importância  e  a  força  desse  álbum. Depois  desci para conversar com o pessoal e reparei em pais com seus filhos curtindo nossa música e  nos  dando  tanto  apoio,  que  acredito  ser  o  motivo  mais  forte  porque  estamos  até hoje  nessa  estrada.  Foram  vários  shows  e  festivais  em  diversas  cidades.  Assim, chegou o  momento em que  sentimos  a  necessidade  e  a vontade  de  compor  e  lançar um novo trabalho. O ‘Fissura’ refletiu o nosso momento, uma pegada bem dos anos 80,  mas  bem  agressivo  e  com temas  atuais.  Trouxe  um  vocal  forte  que  ajudou  no clima desse trabalho. Nesse relançamento do ‘Fissura’ (Dies Irae, 2020), espero que muitos aproveitem para conhecê-lo.

Cláudio:  Nenhum  disco  acontece  do  nada.  Trabalhamos  duro  para a pré-produção, gravação e pós-produção, em que tive o prazer de assumir as rédeas da produção  do  disco  inteiro.  A  intenção  foi  trazer  uma  sonoridade  que,  em  2010, representasse  o  Taurus oitentista,  sem  perder  suas  raízes,  mas  apontando  para  o futuro.

Roadie Metal: ‘Fissura’ completou 10 anos do seu lançamento, agora em 2020. Além de apresentar  uma  sonoridade  mais  agressiva  e  pesada,  contou  novamente  com composições  em  português  e  marcou  o  retorno do  vocalista  Otávio  Augusto. Apesar  de  ter  contado  também  com  a  presença  de  Jeziel,  desta  vez  no  baixo,  por que o baixista Jean não participou do retorno?

Cláudio:  O  Jean  já  não  queria  mais  participar  como  músico,  mas  sempre estivemos  próximos,  como  amigos  e  parceiros.  O  Beto,  nosso  baixista,  participou de  todas  as  composições,  inclusive  como  letrista na  maioria  das  faixas.  Gravou todas as músicas, com exceção da música título, “Fissura”, em que o Jeziel assumiu o baixo  após  a  ida  do  Beto  em  definitivo  para  os  EUA.  A  volta  do  Otávio  e  a  opção pelo  português  somou  bastante  na  identificação  do  disco  com  os  nossos  fãs. Para os  shows  de  lançamento  do  ‘Fissura’,  o  Felipe  Melo  assumiu  o  baixo  desde  a  saída do  Jeziel,  e  foi  uma  aquisição  superimportante,  pois  encontramos um  irmão fraterno,  e  conseguiu  fortalecer  a  nossa  perspectiva  futura  de  uma  consistência musical,  aliada  a  criatividade  e  convivência  maravilhosa.  Felipe  é  um  músico sensacional.

Roadie Metal:  O  álbum  foi  lançado  também  na  Europa,  pela  Metal  Soldiers  Records,  e  na América  do  Norte  (American  Line  Productions).  Como  foi  a  receptividade  no mercado estrangeiro?

Cláudio: Como todo trabalho, a divulgação é essencial. Lançar os discos nessas duas  pontas  importantes  (EUA  e  Europa)  faziam  parte  das  nossas  estratégias para  levar  o  disco  o  mais  longe  possível. Essa iniciativa  rendeu  boas  críticas  no exterior,  mas  o  caminho  é  muito  difícil  se  não  acontecerem  os  shows,  o  que infelizmente  acabou não ocorrendo.  Vários  contatos  foram  feitos,  mas  as  dificuldades logísticas  e financeiras  não  ajudaram.  Seria  fácil  ir  até  lá,  tocar  em  lugares  sem estrutura,  mas  não  somos  mais  garotos  e  todas  os  nossos  esforços  estão  em  fazer shows com qualidade, não em quantidade.

‘Fissura’ completou agora em 2020 os seus 10 anos de lançamento

Roadie Metal: Geralmente, datas especiais requerem uma comemoração, e esta aconteceu na forma do DVD ’30 Anos Ao Vivo’, lançado em 2016. Qual foi o sentimento de poderem ter tido uma experiência (na época, inédita) como essa?

Otávio: Esse  DVD  foi  muito  importante  para  nossa  história,  um  registro  da  nossa trajetória  no  Metal brasileiro.  Afinal,  foram  30  anos de  dedicação  através  de álbuns, shows e eventos. Esperamos fazer outros!

Cláudio:  Sim,  o  DVD  de 30 anos  foi  um  presente  que  demos a nós mesmos e  ao  público.  A gravação  aconteceu  durante  o  festival  ‘Super  Peso  Brasil’, em  São  Paulo,  e foi  uma noite  super  especial  para  as  bandas  envolvidas,  todas  representantes de  um período super criativo e importante para todos nós. Estávamos em ótima forma e o show  foi  marcante,  tanto  que  resolvemos  lançar  o  projeto  Taurus  30  anos.  Foi nossa primeira experiência em um DVD ao vivo e foi especial.

Roadie Metal: Chegando neste complicado ano de 2020, em janeiro foi lançado o álbum ‘V’, pela  Dies  Irae  Records,  com  oito  faixas  e  que  vem  chamando  bastante  a  atenção desde a liberação do lyric vídeo “Nove Vidas”. Mas,  por  que  esse  quinto  álbum levou  tanto  tempo  para  ser  lançado?  Vocês  apenas  deram  tempo  ao  tempo,  ou  o lançamento do DVD contribuiu para um provável adiamento?

Otávio: Acredito  que  a  demora  foi por motivos  diferentes  de  cada  um.  Falta  de tempo,  dificuldade  em  nos  encontrar  e  estímulo.  Até  que  chegou  o  momento, vamos  compor  novas  músicas  e  começaram  a  surgir  as  ideias.  O  tempo  nós arrumávamos,  os encontros  se  tornaram  mais  frequentes,  e o  momento  político-social nos trouxe bons temas para as letras. Assim, tudo saiu como o desejado.

Cláudio: Mesmo com um intervalo de dez anos entre o ‘Fissura’ e o ‘V’, o Taurus sempre esteve em atividade ininterrupta. Shows por todo Brasil, gravações (participamos    de    vários    CDs    tributo),    composições    e    pré-produções,    que amadureceram o perfil das músicas do ‘V’. Todas as fases foram muito importantes. Em   2016   lançamos   o   DVD,   e   passamos   muito   tempo   fazendo   os shows de lançamento dele.  Então,  nunca  paramos.  Não  somos  uma  banda  de  mil  shows  por ano,  por  isso  a  sensação  de  uma  parada. Acho  que  os  próximos  discos  serão produzidos  em  um  período  menor  de  tempo,  pois  encontramos  uma  maneira de produção própria, desde o estúdio, mixagem e pós-produção que nos deixou muito satisfeitos  e  otimizou  muito  o  trabalho. Encontramos  na  Dies  Irae  uma parceira e esperamos que isso possa durar bastante.

O DVD ‘Taurus – 30 Anos’ – Um marco na carreira da banda

Roadie Metal:  Além  da  formação  estabilizada  com  os  músicos  Otávio  (vocal),  Cláudio  Bezz (guitarras),  Felipe  Melo  (baixo)  e  Sérgio  Bezz  (bateria),  o  trabalho  também  tem  a participação especial de Alex Camargo (vocal e baixo, Krisiun), Luiz Carlos Louzada (vocal,  Vulcano)  e  Beto  de  Gásperis  (baixo,  ex-Taurus).  Como  surgiu  o  convite  a cada um deles, bem como a efetivação do Felipe Melo na banda?

Otávio: Felipe surgiu naquele momento mais improvável. Jeziel tinha decidido sair da banda e nós já havíamos combinado um ensaio. Ensaiamos no estúdio do Felipe e resolvemos ir, mesmo sem Jeziel. Na hora, chamamos Felipe para tocar conosco, e me  lembro  que  ele  estava  de  ressaca (risos),  nunca  tinha  tocado  baixo  e  muito menos  Metal.  O  resultado  está  aí,  pressão  total  e  até apelidamos  ele de  “psicobaixo”.  O baixo  dele  é  cavernoso,  forte,  dá  um  peso  fora  de  série  na  nossa  música. Alex  e Louzada são amigos, parceiros. Louzada já fez participação na música “Mundo em Alerta” em alguns shows em São Paulo. Com o Alex, nos encontramos em Manaus, tocamos com eles  e além  de  toda  a  importância  deles  para  o  Metal,  são  profissionais  que  nos identificamos.  Aliás,  nos  próximos  trabalhos  chamaremos  outros  convidados para  participarem.  Já o Beto nos ajudou muito quando retornamos aos palcos, além de amigo, também nos ajuda bastante nas composições.

Cláudio: Já  falei  sobre  a  chegada  do  Felipe,  e  até  hoje  ainda  me  impressiono com  a  pegada  forte dele,  mesmo que  ele já participando  do  Taurus  há  dez  anos.  O Louzada  é  outro  super  músico  e  nos  demos  bem  desde  o  primeiro  encontro.  É sócio  do  Taurus! (risos).  A  participação  do  Alex  Camargo  (Krisiun)  foi  uma  super felicidade.  Ele  já  havia  feito  um  texto  para  o  encarte  do  nosso  DVD  (‘Taurus  30 anos’), e estabelecemos uma amizade com ele. Fizemos um show juntos e o convite para a participação em alguma música era questão de tempo. “Existe um Lugar?” foi o primeiro single do nosso novo CD, que  teve  uma  resposta  ótima  do  público,  e  nas plataformas  de  streaming. O  Beto  é  o  nosso  quinto  elemento,  sempre!  A  maioria das  letras  são  dele,  e  a  troca  que  estabelecemos  durante o  trabalho  de  produção (Califórnia-Rio) foi algo digno de nota. O ‘V’ tem a participação efetiva dele.

Roadie Metal: ‘V’ manteve o peso de ‘Fissura’, entretanto soa bastante atual e com mais diversidade entre as faixas. Comparando com os trabalhos anteriores, como vocês descreveriam todo o processo de criação, gravação, etc?

Otávio: Acredito  em  um  amadurecimento  nesse  novo  trabalho.  O  ‘Fissura’  era  um retorno  ao  estúdio  e  composições,  já  o  ‘V’  veio  com  mais  perfeição  nos  arranjos, sonoridade   mais   atual   e   temas   fortes. Essa   diversidade   do   ‘V’,   foi   proposital, gostamos dessa variação de músicas rápidas e agressivas com outras mais pegadas e   com   peso.   Acreditamos   que   isso   deixa   o   álbum   mais   agradável,   não   fica parecendo tudo igual.  Mas, todo o processo de criação e gravação foi parecido com o  ‘Fissura’,  pois fomos  criando  por  partes,  arquitetando  com  novas  ideias  e  finalizando com as letras.

Cláudio: O ‘V’ teve alguns elementos na sua criação que gostaria de relatar. Durante todo o período entre o ‘Fissura’ e ele, nunca deixamos de compor, mesmo que pequenas partes, grooves, levadas, enfim, gravávamos tudo durante os ensaios que  achássemos  interessante.  Esse  processo  deu  origem  a  mais  de  vinte  músicas, que  filtramos  na  reta  final  do  ‘V’.  As  8  músicas  do  novo  disco  são  um extrato  mais significante  de  todo  o  trabalho  que  envolveu  a  sua  feitura.  Resolvi  aplicar  um processo  de  produção  totalmente  autossuficiente,  já  que  tenho  experiência  em estúdio como instrumentista e técnico, em várias produções de vários estilos. Esse era o  momento  de  utilizar  toda  minha  expertise  técnica  de  30  anos.  Foi  uma aposta,  mas  como  sempre  fizemos,  acreditamos  no  nosso  potencial  e o  resultado está  aí.  É  um  disco  afirmativo  e  consciente  do  momento  em  que  vivemos.  Pesado e profundo, mas esperançoso de dias melhores. É um trabalho conceitual, e a ordem das músicas (tracklist) conta  essa   história,   a   nossa   história   de   luta   contra   os preconceitos,  intolerâncias  e  radicalismos  tão  presentes. A  contracapa  do  encarte afirma tudo isso.

V’, o quinto álbum da carreira do Taurus, lançado em janeiro deste ano

Roadie Metal: Apesar de ‘V’ ser  um  daqueles  trabalhos  que  deve  ser  escutado  na  íntegra,  é impossível  não  destacar  uma  faixa  ou  outra.  Mas,  para  a  banda,  existe  alguma composição  especial,  a ser  indicada  para  aqueles  que  ainda  não  ouviram  o  álbum, ou sequer a banda, em geral?

Otávio: Quando  ouço ‘V’,  tenho  aquela  sensação  de  curiosidade,  de  como  será  a próxima música. As diferenças nas composições tornam o álbum bem diversificado e qualificado. Mas, lógico que tenho minhas prediletas: “O Pior Pesadelo”, “Existe Um Lugar?” e “Mãos de Ferro”. Top demais. Fico imaginando a galera cantando junto no refrão “Mãos  de ferro, mãos”. Vai ser loucura, pressão demais.

Cláudio:  Todas têm um lugar especial para mim. Cada música tem um momento especial  que  traz  uma  sonoridade  especial,  um  efeito  extramusical.  Sinos  de Notredame,  Amsterdam,  poemas  de  Augusto  dos  Anjos,  Castro  Alves,  e  efeitos  da prática  eletroacústica (Música  Concreta  francesa) em  que  me  especializei  e me aprofundei em seus estudos. A Literatura também está muito presente em todas as músicas. O disco é um “todo inteiro”, que não consigo desmembrar. Gosto muito de todas as composições!

Roadie Metal: O encerramento com “Mutation” apresenta uma pegada mais “experimental” que  as  demais,  inclusive  com  linhas  de  voz  mais  melodiosas.  Novas  influências tiveram   um   papel   no   som   do Taurus   ou   os   músicos   apenas   seguiram   sua experiência musical?

Cláudio:  ‘Mutation’  aponta  para  novas  experiências,  mas  também  representa um presente que demos ao Beto de Gásperis, inclusive com ele contando em inglês. Ele é o nosso parceiro de todas as músicas e peça fundamental no apoio conceitual e  musical.  A  melodia  é  uma  característica  muito  estigmatizadas  no  metal  mais agressivo.   A faixa em questão  procura   quebrar   esse   paradigma,   aliando   peso,   refrão e melodias,  mas  tudo na dose  certa.  Ela  fecha  o  disco  olhando  para frente.  A  mudança, “mutação”,  é  importante  e  a  história  do  Taurus  está  recheada  disso. Somos  um  e somos muitos.

Roadie MetalHá  alguns  meses  o  clima  mundial  é  de  tensão,  por  causa  dessa  pandemia  que afetou  diversas  áreas  da  economia,  bem  como  a  vida  das  pessoas  em  si.  Como estavam  os  planos  da  banda  antes  de  tudo  isso  acontecer,  principalmente  em relação à divulgação do novo trabalho?

Cláudio: O disco saiu exatamente no início do fechamento provocado pela pandemia,  o  que  dificultou  muito  a  sua  divulgação.  Já havíamos  confirmado  a participação  em  dois  dos  maiores  festivais  de  Metal  do  Brasil,  (Abril Pro Rock e  Armageddom)   para   o   lançamento   de   ‘V’.   Mas   temos   consciência   da   nossa responsabilidade  em  derrotar  o  vírus,  e  sempre  participamos  de  eventos  on  line, lives, com essa intenção: chamar a atenção das pessoas para o combate ao corona vírus. Estamos  em  casa,  mas  produzindo  uma  série  de  vídeos  no  nosso  canal  do Youtube,  lives,  entrevistas  on  line,  enfim,  tudo  que  está  ao  nosso  alcance  neste momento.   Esperamos   que em   breve   possamos   estar   na   estrada   novamente, lançando ao vivo o nosso novo CD.

Roadie Metal: Bom, chegamos ao final da nossa entrevista e eu gostaria de agradecer imensamente a vocês pelo tempo dispensado a responder estas perguntas! O espaço é todo do Taurus.

Cláudio:  Foi  um  prazer  participar  dessa  entrevista. As  questões  levantadas foram instigadoras e provocaram respostas mais aprofundadas. Espero que fiquem bem,  saudáveis e  em  breve  estaremos  na  estrada,  passando  pelo  máximo  de cidades  e  fazendo  todo  o  possível  para  mostrarmos  ao  vivo  este  que,  na  minha opinião, é um disco com grande potencial. Grande abraço a todos e ouçam ‘V’ bem alto!!

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