Roadie Metal Entrevista: Finntroll -“Esse é um álbum conceitual, fala sobre as viagens que você faz para dentro e fora de si mesmo”

by Maria Clara Goé

Diretamente da Finlândia, o Finntroll mais uma vez surpreende e irá lançar pela Century Media RecordsVredesvävd”, um álbum de peso, criatividade e com aquele toque de folk em meio aos extremos do death metal.
Vredesvävd” é o sétimo álbum de estúdio da banda, e é o primeiro a ser lançado nos últimos 7 anos, e em uma entrevista para a Roadie Metal, o vocalista Mathias “Vreth” Lillmåns falou sobre o tema do novo álbum, novos projetos e planos para o Finntroll durante e após a pandemia.

-Em primeiro lugar, parabéns pelo novo álbum, é bem pesado e intenso. Eu estava lendo uma entrevista antiga, em que você disse que gosta de produzir seus próprios materiais, escrever as letras, desenhar a arte da capa e até gravar algumas músicas sozinho. Como foi o processo de gravação? Quando tudo começou?

Dessa vez na verdade, nós fizemos um pouco diferente. Eu sempre gravei, a maior parte dos discos. Mas dessa vez, todos estão morando em lugares diferentes, e não conseguimos estar o tempo todo juntos no estúdio. Então tinha um cara gravando o álbum, mas eu estava lá, acompanhando, e produzindo algumas coisas. Mas ainda fazemos a maior parte entre nós mesmos.

-Não sei se é o caso do Finntroll, mas algumas bandas fazem novos álbuns para complementar o último. Finntroll segue isso ou os álbuns não têm absolutamente nenhuma conexão entre si?

Sim, claro que eles têm conexão entre um e outro. Nós temos um tipo de marca que estará presente em todos os álbuns, e isso sempre conecta eles.

-Preciso perguntar sobre a letra, pois aqui no Brasil não temos como saber a tradução, desculpe. As composições desse álbum seguem algum tipo de tema? Do que elas falam?

Sim, elas seguem. Todos os nossos álbuns seguem um tema, e geralmente tendem a ser um álbum conceitual, não é um álbum de loja ou de show, mas ainda assim tudo está conectado. O álbum Vredesvävd é sobre viagens e jornadas, porque existem dois tipos de viagem, as que você faz física e geograficamente, indo de um lugar para o outro, e as que você faz para dentro e para fora de si mesmo.

As músicas do álbum estão conectadas entre si, falam sobre nossos estados de ira e raiva, então todas as histórias das letras falam sobre isso também.

– Eu já conhecia muitas músicas do Finntroll, mas para preparar a entrevista ouvi a discografia inteira para analisar. E percebi a diferença entre os primeiros álbuns e os atuais. Os lançamentos de 2004 são muito mais pesados. Você pode explicar essa evolução das músicas da banda?

No começo, a formação era outra, eram outros caras tocando, então era óbvio que o som iria mudar junto. Eu entrei na banda em 2006, antes do lançamento do álbum “Ur Jordens Djud”, então definitivamente, crescemos depois disso, amadurecemos.

-Eu sei que vocês não classificam o Finntroll como um estilo específico. Vocês são influenciados pelo death, black metal, folk e muitas outras coisas. Mas eu acho que a maioria das pessoas não aceitam facilmente bandas que não seguem um gênero específico. Vocês já sentiram algum tipo de rejeição do público por causa disso?

(risos) Com certeza, sofremos com isso o tempo todo. Os fãs de death e black metal acham que é um sacrilégio colocar um acordeom nas músicas, como se a partir do momento que você toca um acordeom…você não é mais do death metal.
Claro que tem suas exceções. Nós já fizemos uma turnê na Irlanda, nós achamos que iria ser um total desastre e que as pessoas iriam nos odiar, e fomos muito bem aceitos, tivemos a melhor energia durante os shows.

-Você também toca no “And Oceans”, né?! Seus outros projetos têm algum tipo de influência no Finntroll, ou o contrário? É fácil para você conciliar esses outros projetos com o Finntroll?

Eu toco numa banda de punk chamada Dispyt, e acabei entrando no And Oceans porque os membros da banda são praticamente os mesmos de uma das primeiras bandas de death metal da Finlândia, e morávamos no mesmo lugar praticamente.
E sobre conciliar, na verdade não é um grande problema. O maior problema agora será o And Oceans ter tempo para fazer turnês. Eu iria fazer turnê com o And Oceans na primavera e no verão, e depois com o Finntroll no outono e inverno. Era pra ser uma coisa fácil, mas como todos os shows foram reagendados para o ano que vem, ficará um pouco mais complicado de reconciliar. Provavelmente todo o meu tempo livre com o Finntroll será preenchido com o And Oceans.

– Por causa da pandemia, as pessoas estão dizendo que os shows ao vivo levarão muito tempo para acontecer novamente. Como vocês planejam promover esse novo álbum sem a possibilidade de fazer uma turnê? Vocês pensam em fazer shows drive-in ou transmissão ao vivo, talvez?

Sim, todas essas coisas estão sendo pensadas agora, não posso falar muito sobre isso ainda, mas teremos alguns shows para esse ano, e serão bem limitados.

-Vocês estão produzindo mais alguma coisa durante esses meses de pandemia? Talvez um vídeo clipe?

Estamos, tudo isso está em andamento já. Vamos lançar 3 singles do álbum, dois deles já estão lançados, então com certeza têm coisa nova vindo aí.

-Tem algo que eu não perguntei, mas que você gostaria de falar, manda um recado para a galera?
Claro, quero avisar a galera que têm muita coisa acontecendo e vindo por aí, por mais que não pareça. Então esperem porque haverá shows em breve. E assim que a situação no Brasil melhorar, esperamos poder voltar aí. Para o ano que vêm já temos vários shows marcados, e creio que não será possível passar pelo Brasil, mas assim que possível estaremos todos juntos aí novamente.

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