A ROADIE METAL falou com exclusividade com a banda brasileira que excursionou e gravou o álbum póstumo de Warrel Dane, “Shadow Work“. E num bate-papo pra lá de interessante, que foi bem trabalhoso, mas, garanto que você, caro leitor, ficará bastante satisfeito com o resultado. Abordamos temas como a concepção do disco, a convivência dos caras com Dane. Claro que o lado fã do redator gritou e rolaram perguntas sobre curiosidades e também informações sobre a festa de lançamento do álbum e uma bem provável tour que está para ser anunciada. Da mesma forma que os músicos fizeram uso da expressão “sangue, suor e lágrimas” para definirem como foi conceber o álbum, eu digo o mesmo, pois em dado momento da entrevista, o baixista Fabio Carito me arrancou lágrimas ao me enviar uma foto bem pessoal do Dane, que, segundo ele me contou, somente os quatro músicos (e agora eu) temos a foto, e afirmou que o fez pois percebeu que sou realmente fã da carreira do nosso saudoso vocalista. E ele está certo ao fazer tal afirmação. Bem, chega de delongas e vamos ao papo com Thiago Oliveira (guitarra), Johnny Moraes (guitarra), Fabio Carito (baixo) e Marcus Dotta (bateria), todos muito simpáticos e bastante receptivos.

Fabio Carito, Thiago Oliveira, Johnny Moraes e Marcus Dotta, em 2014, durante ensaio, antes da primeira vinda de Warrel Dane ao Brasil. Foto: Fabio Carito/arquivo pessoal

ROADIE METAL – Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que é uma honra imensa poder entrevistar os músicos que compuseram o álbum deste imortal. Eu sou muito suspeito para falar, pois sou fã de Dane, do NEVERMORE e super influenciado por suas letras, inteligentíssimas e que ajudaram a tornar-me o adulto que sou hoje. Então, sejam muito bem-vindos à ROADIE METAL – A VOZ DO ROCK e espero que possamos ter um bate papo bem proveitoso.

Thiago Oliveira – Obrigado, Flávio. Obrigado pelo apoio, obrigado pela resenha, por tudo que vocês falaram sobre o disco. É um trabalho feito com sangue, suor e lágrimas. E obrigado aos leitores por todo o apoio. Vamos lá!

ROADIE METAL – Falando sobre “Shadow Work“, em princípio seria um álbum de covers. Vocês fariam versões Heavy Metal para músicas pop. Como rolou essa mudança nos planos por parte do Warrel?

Johnny Moraes – O “Shadow Work” era um projeto sugerido pela “Century Media“, já que o Warrel havia gravado o cover do SISTERS OF MERCY, a “Lucretia My Reflection” em seu primeiro álbum solo, e com o NEVERMORE ele regravou a “The Sound of Silence“, do SIMON & GARFUNKEL, que ficaram bem legais. Então eles queriam que fizéssemos versões Heavy Metal para canções pop dos anos 70, 80 e 90. E como o Warrel estava na casa do Thiago, foram surgindo muitas ideias e eu também estava com ideias de músicas novas e a coisa foi naturalmente caminhando para um disco autoral.

Thiago Oliveira – Tudo começou quando o Warrel estava na minha casa. Estávamos compondo bastante e seguindo o script que ele tinha passado, de fazer um disco de covers. Eu mostrava algumas músicas, ele mostrava outras  e conversávamos bastante a respeito. Ele era muito ligado à mensagem que a música queria passar e muitas das músicas que ele sugeriu tinham letras muito maravilhosas, mas a parte musical não se traduzia tão bem para uma música de Heavy Metal e isso estava dando um trabalho imenso. Até que um dia, ele virou para mim e perguntou o que eu achava de fazer um disco de músicas autorais. E eu respondi: “graças a Deus” (risos), pois eu já não aguentava mais tentar transformar (as músicas). E a partir daquele momento, as coisas fluíram de uma maneira maravilhosa.

Fabio Carito – Para mim rolou de uma forma natural e uma cobrança natural. Nós tivemos um relacionamento muito bom na primeira turnê. Foi muito acima do que esperávamos, ele gostou muito de nós e nós dele. Construímos uma amizade muito bacana. E entre 2014 e 2015 já havia passado muito tempo do seu lançamento solo anterior (N. do R: “Praises to the War Machine” fora lançado em 2008). E nós músicos perguntávamos entre nós se não era interessante compor. Gostamos de gravar e já que estávamos com ele, como seria gravar. Natural porque foi um caminho que foi se afunilando.

ROADIE METAL –  É um trabalho bastante diferente de “Praises to the War Machine”, visto que temos diversas influências naquele disco: Hard, Gothic, etc… E neste não houve surpresa alguma, já que o próprio Dane dizia que este seria um álbum Heavy Metal. E percebemos que em “Shadow Work“, temos muitas influências sobretudo dos dois últimos trabalhos do NEVERMORE, “This Godless Endeavor” e “The Obsidian Conspiracy“. Vocês concordam? Se sim, foi proposital ou o processo de composição rolou de forma espontânea?

Johnny Moraes – Era um desejo do Warrel fazer um trabalho mais pesado, uma coisa mais voltada para o NEVERMORE. Se último disco havia sido o “The Obsidian Conspiracy“, de 2010 e sobre o disco se parecer com seus dois últimos trabalhos, isso se deve ao fato de todos nós ter ouvido muito a banda, foi uma influência muito forte. Em 2005 e 2006 eu ouvi muito o “Dead Heart” e o “This Godless“. A minha banda, o HEVILAN, tem muito dessa influência. Essa vivência tem muito a ver.

Thiago Oliveira – Foi espontâneo. Estávamos vindo de uma experiência de dois anos tocando o “Dead Heart” na íntegra. Tínhamos feito três ou quatro turnês com ele na época. Essa influência de NEVERMORE vem naturalmente, lógico, junta-se os riffs com as guitarras de 7 cordas e a voz característica de Warrel, então não tem como sair diferente. O NEVERMORE não era a banda que eu mais ouvia, e pelo menos da minha parte não foi nada consciente. o “Dead Heart” e o “This Godless” são os meus favoritos e achei interessante você citar o “The Obsidian“, porque é um álbum que escutei pouco.

Fabio Carito – Concordo com você que tem algumas diferenças e semelhanças. Agora sobre o “The Obsidian“, talvez seja o clima um pouco mais denso, pois acredito que seja uma evolução natural do Warrel, este foi o último disco do NEVERMORE, depois veio o disco do SANCTUARY (“The Year The Sun Dead”, de 2014), que na minha opinião foi o melhor que ele já gravou, que também é muito denso e ai veio o “Shadow Work”. Podia ser fruto do que ele estava ouvindo, do que ele estava passando e toda influência gótica dele. Ele nos contava que nos anos 80 ouvia muito DEPECHE MODE, BAUHAUS. O que a gente escuta no rádio e vê na internet hoje em dia, ele vivenciou, comprando os lançamentos, indo aos shows, então para ele foi muito especial.

Marcus Dotta – Então, o Warrel era um cara que era conhecido por ter um estilo muito específico, ele fez parte de bandas com estilos muito diferenciados. Ele tem um legado muito grande e não podíamos sair muito deste legado, pois os fãs já esperam alguma coisa dele. E como ele falou que já seria um disco pesado, foi quase que inevitável que acabássemos seguindo uma praia meio NEVERMORE. Seria um tiro no pé se desrespeitássemos esse legado. Ele é um cara que é conhecido pelo estilo dele, ele não é um cara genérico. Ele é conhecido por fazer parte do NEVERMORE e esta é uma banda que ninguém conseguiu copiar. Então não inventamos de sair do que os fãs esperam, mas, colocamos também as nossas características.

ROADIE METAL – O cover do THE CURE  (“The Hanging Garden“) ficou simplesmente sensacional. Vocês deram uma roupagem totalmente NEVERMORE. Marcus Dotta, em minha opinião tem sua melhor performance nessa faixa. Dane era um grande fã de Gothic e provavelmente ele tenha sugerido essa música. inclusive pelo que pude apurar, rolaria uma versão para músicas do CONCRETE BLONDE. Havia outro cover que poderia ser incluída e a passagem dele não permitiu?

Thiago Oliveira – A música do THE CURE foi uma das que sobraram daquela primeira fase, a dos covers. Eu costumo compor com bateria eletrônica e depois eu deixo o baterista criar em cima e sugeri ao Dotta que ele fizesse viradas na introdução, como a “Painkiller” (JUDAS PRIEST) ou a “Scavenger of Human Sorrow” (DEATH). Ele botou os “blast-beats” e o resultado foi esse, digno do top do top do Heavy Metal. O Jim Sheppard (baixista do NEVERMORE) costumava dizer com relação aos covers que soava muito mais “brucutu”, pois trabalhando com guitarras de 7 cordas, coisas mais técnicas e a voz do Warrel por cima causavam essa sensação. Em relação ao CONCRETE BLONDE, era uma das bandas favoritas dele, que ficava ouvindo a banda o dia inteiro e achei sensacional, eu não conhecia. Cogitamos algumas músicas e a cantora da banda (Johnette Napolitano) foi uma inspiração para ele. Eu cheguei a trabalhar em algumas coisas, mas ai o projeto acabou tomando outro rumo.

Marcus Dotta – Obrigado pelo elogio, que bom que você gostou. Eu penso que a “Hanging” é a música mais enroscada de se tocar na bateria, pelos arranjos. A “Mother” é mais longa, mas a “Hanging” tem arranjos mais intrincados. Nós iríamos incluir alguns covers como bônus, mas acabamos deixando pra lá, assim como as outras músicas que o Warrel não concluiu. Eu gravei a bateria desses outros covers, mas eu acho que o pessoal não chegou a gravar as suas partes.

ROADIE METAL – O Johnny me deixou escapar que entre 4 e 6 músicas acabaram ficando de fora do disco. As partes instrumentais delas chegaram a ser concluídas?

Thiago Oliveira – Ficaram de fora 4 composições do Johnny, uma do Fabio Carito e uma versão minha para “The Trees“, do RUSH. O Warrel tinha uma coisa que era de escrever as músicas aos 45 do segundo tempo. Ele tinha essa coisa de pressão, de fazer as coisas em cima da hora, inclusive a “The River Dragon” (Has Come, do álbum “Dead Heart in a Dead World”) foi assim. Infelizmente acabou não dando tempo. Ele começou a trabalhar no esboço dessas músicas, mas não chegou a concluir nada, apenas tinha os títulos. Uma se chamava “No Time to Hate” e a outra “Tears“. Ele ainda estava compondo muita coisa quando faleceu.

Johnny Moraes – Ele começou a compor e não deu tempo de terminar, seriam as últimas músicas que ele iria gravar os vocais. Ele sempre deixava para concluir as músicas durante as sessões de gravação, mas infelizmente, a saúde dele não permitiu isso. Ainda não sabemos o que vamos fazer com essas músicas, se iremos utilizar em outro projeto. É um material que está guardado por enquanto.

ROADIE METALJohnny, você estava na presença de Dane quando ele veio a falecer. Acredito que tenha sido um grande trauma para você aquela madrugada de 13 de dezembro. Como foi ter que lidar com aquela situação?

Johnny Moraes – Eu diria que foi um momento, provavelmente para o Warrel, de paz. Ele faleceu muito pacificamente. Ele mordeu um pedaço do lanche, deitou e meio que foi em paz, não reclamou de dor, nem de nada. Ele estava bem debilitado, bem incomodado com as dores. Para ele foi um momento de paz. no momento em que aconteceu, eu entrei neste clima por um breve momento, e de repente eu percebi que ele estava sem pulso, eu entrei em pânico. Liguei para a emergência, que veio bem rápido, fiz massagem cardíaca. Foi uma situação mais difícil para mim do que para ele, eu entrei em choque. Quando o pessoal da SAMU chegou, me disseram que ele já estava em óbito e que havia sido de ataque cardíaco.

Marcus Dotta – Eu e o Johnny estávamos muito próximos a ele no final. Eu estava com o Warrel na noite anterior ao seu falecimento. Eu tinha ido com ele para o estúdio, depois jantamos e eu o deixei no hotel, quando o Johnny foi ficar com ele. Então foi uma questão de horas. É estranho de pensar, porque nós estávamos muito próximos dele neste período. Ele já não estava muito bem de saúde, eu e o Johnny o acompanhávamos nos médicos, então foi um choque muito grande. Até hoje é estranho pensar que ele não está mais aqui, eu fico pensando que de repente ele vai me ligar ou me mandar mensagem, como ele fazia.

ROADIE METAL – Vocês farão um evento no próximo dia 18, com vários convidados. Vi na página do Facebook que um destes convidados será o guitarrista Antônio Araújo, do KORZUS. tem mais gente confirmada? O que vocês podem passar para nós?

Thiago Oliveira – Existem vários músicos confirmados, eles inclusive já estão tirando as músicas. São integrantes do VIPER, TORTURE SQUAD, músicos da cena Metal de São Paulo. Fizemos questão que fossem pessoas que conheciam o Dane e que apoiaram a nossa carreira e gente que estava do nosso lado enquanto batalhávamos com os problemas de saúde dele.

Johnny Moraes – Não será um show propriamente dito. Nós tocaremos pouco e estamos guardando shows como uma provável surpresa para o ano que vem e esperamos anunciar isso em breve.

ROADIE METAL – Existe a possibilidade de acontecer em outras cidades ou será um evento único?

Thiago Oliveira – Esse evento será uma festa de lançamento. A participação dos músicos será uma “jam session“, onde tocaremos as músicas do NEVERMORE. Haverá uma turnê do “Shadow Work” que estamos planejando para o ano que vem com um vocalista convidado. Ainda estamos negociando, então não podemos dar nenhum detalhe, porém, esperamos poder falar sobre a tour já na festa de lançamento.

Johnny Moraes – Será um evento único, mais como uma celebração do lançamento do disco, com amigos e fãs, em comemoração por ter terminado este disco.

ROADIE METAL – Eu sei que vocês conheceram o Dane através de um empresário, que fez contato com ele dizendo que tinham músicos aqui no Brasil que tocavam suas músicas. Vocês ensaiaram juntos antes de chegada dele?

Thiago Oliveira – Foi através do empresário Thiago Claro. Ele falou primeiro comigo e eu indiquei o Johnny e o Fabio. O Johnny eu tinha visto o trabalho dele no HEVILAN e achei extraordinário. E como ele toca com uma guitarra de 7 cordas, percebi que ele era a pessoa certa para o posto. E o Fabio, eu já tinha tocado com ele na Expo Music há muitos anos atrás em um projeto solo meu, ele manda muito bem. E o Marcus Dotta veio através do Fabio. A gente ficou um bom tempo ensaiando antes de o Warrel vir ao Brasil, porque sentíamos que era a grande oportunidade como músicos. Aqui no Brasil temos poucas bandas de destaque, poucos músicos que estão se destacando na cena, então percebemos que tocar com um artista veterano seria uma grande oportunidade. Demos o sangue para fazer o melhor possível. Ficamos entre dois e três meses ensaiando direto, em São José dos Campos, onde fica o estúdio do Dotta, para deixae o maios redondo possível. E quando o Warrel chegou, ensaiamos com ele.

Marcus Dotta – Nós quatro nunca tínhamos tocado juntos, eu apenas tinha gravado com o Fabio. E fizemos uma maratona tão grande de ensaios, uns dois meses ensaiando direto antes da turnê. E mesmo que não tivéssemos química, nos esforçamos a ter, de tanto que ensaiamos.

ROADIE METAL – Dane era um dos sujeitos mais simpáticos da cena. Lembro que ao conhecê-lo, eu fiz a pergunta que provavelmente todo fã de NEVERMORE o fazia (que é se a banda iria voltar) e ele me respondeu com um “maybe” (talvez). Ele comentava com vocês sobre essa possibilidade?

Thiago Oliveira – Nos dois primeiros anos não havia essa possibilidade. Ele gostava de dizer “maybe“, de ser misterioso, de contar histórias e de deixar as pessoas confusas com suas respostas evasivas. Existiu uma possibilidade muito concreta da volta da banda em 2016. Houve uma conversa do Warrel e o Jeff Loomis e essa conversa aconteceu na minha casa. Ele tinha o costume de colocar as suas ligações no viva-voz e eu perguntei se poderia ouvir a conversa, no que fui permitido. Eles se falaram por mais ou menos uma hora. Eu nunca o vi tão feliz. A banda faria uma apresentação no ProgPower USA. O produtor do evento, Lance King, conseguiu fazer o elo entre os dois. O manager do ARCH ENEMY não permitiu a saída de Loomis, pois eles tem uma agenda muito lotada. Mas eu presenciei a conversa e eles falaram sobre tudo. Era um papo de amigos e a felicidade dele era porque o Jeff havia se afastado completamente e eles haviam voltado a se falar naquele momento. Quando conhecemos o Warrel, ele falava coisas não muito boas do Jeff, mas depois dessa conversa, ele voltou a falar bem. O Warrel era meio excêntrico, qualquer pessoa poderia ter tomado as mesmas atitudes que o Jeff tomou. Mas eu fiquei muito satisfeito de vê-los voltando a se falar antes do falecimento.

Johnny Moraes – Houve a possibilidade de eles tocaram no ProgPower USA, provavelmente em 2016 ou 2017, mas não rolou por motivos de logística. Porém, rolou o convite e não foi possível fazer a reunião. Ele o Jeff tinham planos de reunir a banda novamente e se o Warrel conseguisse estabilizar a saúde, com certeza isso aconteceria no futuro.

Fabio Carito – Ele sempre comentava e à medida que fomos pegando mais intimidade, começaram a surgir alguns boatos, de que o Jeff Loomis gostaria de gravar novamente com o Warrel. O Van Williams se reconciliou com o Warrel e a esposa do Van trava uma batalha contra o câncer e talvez por isso ambos esfriaram a cabeça. Haviam sim as conversas sobre essa volta, de repente fazer um show especial ou compor coisa nova. Acredito que por questões burocráticas do Jeff acabou não rolando, mas planos, eles tinham sim.

ROADIE METALThiago, agora aproveitando aqui a curiosidade aguçada do fã, eu me lembro que quando estive no show do Dane, em abril de 2014, eu havia pedido para que ele cantasse “Poison Godmachine“, que é a minha favorita do NEVERMORE e para minha surpresam vocês acabaram tocando. Estava prevista no setlist?

Thiago Oliveira – Sim, estava no setlist, inclusive, era uma das músicas favoritas dele. O “Dreaming Neon Black” de acordo com ele, toi o disco que ele mais gostou de sua performance enquanto vocalista, é o disco favorito dele. É um disco bem pessoal.

ROADIE METAL – Sim, eu lembro que conheci a banda através da revista Planet Metal (N. do R: para os mais novos, foi uma revista editada em fins dos anos 90, em que ela era publicada com um cd coletânea e que ajudou na difusão de muitas bandas). E a música que conheci foi a “Poison“. Na época, o acesso às bandas não era como hoje, então eu conhecia uma infinidade de bandas somente pelo nome, pois era leitor da Rock Brigade, mas foi na Planet que eu conheci, de fato, o som das bandas.

Thiago Oliveira – Sim, eu lembro da Planet. E tenho quase que a mesma idade que a sua. Lembro que lia a Brigade também e a Roadie Crew e a Planet nos deu a chance de ver se a banda era boa mesmo, e eu conheci algumas bandas que eram boas e outras nem tanto.

ROADIE METAL – O produtor Wagner Meirinho fez um excelente trabalho, também, vocês ajudaram e muito, visto que todos tem um talento enorme em seus instrumentos. Como se deu a escolha por ele?

Thiago Oliveira – Eu conheci o Wagner em um dos muito eventos que eu organizava com o Johnny. Eu já conhecia seu trabalho e quando vimos um disco do TORTURE SQUAD que ele produziu, na hora vimos que ele é um excelente produtor. E por coincidência, quando o Thiago Claro sugeriu que gravássemos o álbum lá no “Orra Meu“, o Wagner era um dos caras que trabalhava lá. Foi uma escolha natural, ele curte som. O trabalho que ele fez com o TRAYCE, TORTURE SQUAD, mostra que ele é o Andy Snaep brasileiro. Ele teve toda a paciência de um monge zen conosco, estávamos todos surtando, cheios de problemas e ele tratou de manter tudo organizado, de fazer tudo acontecer de uma maneira muito responsável. A gente fez muita coisa junto. Gravei os teclados no estúdio dele. Foi muito difícil você ter um amigo seu morto e você ali escutando a voz dele, foi uma coisa extremamente mórbida. Ele soube lidar com essa situação e a gente deve tudo a ele, um grande produtor.

Johnny Moraes – O Wagner foi uma escolha natural porque era amigo nosso e já o conhecíamos de outros trabalhos. Ele é muito diferenciado naquilo que faz, muito trabalhador.

ROADIE METAL – O Dane chegou a ver alguma música de fato concluída? Se sim, o que ele achou?

Thiago Oliveira – A única música que ele chegou a conferir foi a “Hanging Garden“. Boa parte das músicas que estão no disco já estavam compostas quando entramos no estúdio. Tivemos de mandar uma demo para a “Century Media” para que eles pudessem conhecer melhor a banda e as composições antes que eles dessem o sinal verde para o disco. Quando ele faleceu, 90% do instrumental já estava gravado. Faltavam poucos detalhes, ele estava muito satisfeito com o disco, gostava das músicas, ele tinha muito orgulho deste disco. Acredito que se não tivéssemos encarado e batido o pé para terminar, ele teria ficado muito triste. Ele tinha muito orgulho da banda que estava com ele e era uma coisa que tinha que sair.

Johnny Moraes – Não, pois ele faleceu durante as gravações dos vocais, mas ele tinha um apreço enorme pelas versões da demo.

Marcus Dotta – Ele acompanhou bem o processo de gravação e estava bem animado, e isso foi uma das coisas mais tristes para nós, porque víamos a sua animação conforme íamos concluindo cada gravação, eu lembro claramente disso. Quando eu terminei de gravar as baterias, eu o via muito bem como há muito tempo ele não estava. Uma pena que ele não esteja aqui para conferir o disco concluído, seria o disco que mais lhe daria orgulho.

ROADIE METAL – Gostaria que vocês falassem sobre a oportunidade em que Dane conheceu a famosa casa paulistana “Madame Satã”

Thiago Oliveira – O Fabio é frequentador assíduo da Madame Satã, ele curte ficar ao lado dos góticos e o Warrel era muito fã do David Bowie. Uma amiga nossa tinha uns vips porque ela conhecia a gerência da casa. Levamos ele lá no dia em que o Bowie morreu. Ele estava dormindo lá em casa, quando eu abri a porta e disse: “O Bowie faleceu”. E ele era uma das maiores influências do Warrel, se não a maior. Ele ficou muito abalado. E o levamos na Madame Satã a noite. Ele ficou doido, parecia criança em loja de doce. Começou a dançar e você vendo um gringo, todo duro dançando (risos)… E ai chegaram as meninas e (algumas) deram “toco” nele. E ele começou a tomar umas, tinha um cara dançando, imitando o David Bowie, ele foi pra frente do palco, causando, cantando tudo, conhecia todas as músicas e ai todos perguntavam: “Quem é esse maluco?” (risos)… E nesse meio, ele tinha perdido a sua carteira, com mais ou menos 4 mil reais. Ficamos procurando a carteira e no final, a carteira estava dentro da cueca dele, e eu falei: “Seu louco, como é que você faz isso?” (mais risos). Foi divertido porque acabou virando a música. Ele ficou obcecado pelas duas palavras e ele repetia isso o tempo todo. Na “Mother” tem uma citação também. E todas as vezes que ele voltava ao Brasil, ele queria ir lá, mas evitávamos levá-lo porque poderia dar problemas.

Johnny Moraes – Ele esteve no Madame Satã em 2016, com o Thiago e uma amiga nossa. Ele adorou esse clima alternativo, a galera mais gótica, do rock alternativo. O Warrel sempre foi uma pessoa de muita personalidade, muito peculiar no seu jeito de ser. Ele era como o David Bowie do Metal e se sentiu muito em casa, com pessoas muito parecidas com ele ao seu redor, ao ponto de ele ter dedicado uma música para esta casa.

Fabio Carito – Eu frequento a casa desde a minha adolescência. E na primeira vez que ele veio, eu já tinha dito da existência de uma casa que tocava as músicas da sua juventude. E ele ficou muito empolgado, queria conhecer a casa, mas da primeira vez que ele veio, não deu tempo, pois ficou tudo muito corrido. Na segunda passagem, tivemos um tempo na agenda e o levamos lá, ele simplesmente pirou. Da primeira vez que ele foi, tinha um cover do David Bowie e ele se misturou no meio da multidão, cantou, vibrou. E ficávamos ali pensando que aquelas pessoas ali não faziam a mínima ideia de que era o Warrel Dane e a possibilidade que estava escorrendo pelas mãos, de tirar uma foto, de trocar uma ideia. Ele parecia um adolescente. Voltou mais três vezes, dançou na pista e conheceu a casa inteira. Gostou tanto que a música que abre o disco chama “Madame Satan” e a capa do disco é como ele enxergava a casa. Ele não chegou a conhecer a história do travesti que originou a casa, mas na cabeça dele, era um demônio com forma feminina e dentro do encarte tem uma casa que seria simbolicamente a Madame Satã. Tínhamos planos de fazer a festa de lançamento e de gravar um videoclipe oficial lá, mas a direção da casa não nos deu a devida atenção e acabou não rolando.

ROADIE METAL – O entrosamento de vocês com o Dane é bem latente, visto que a parceira de vocês durou por 4 anos, podemos até dizer que foi além destes 4 anos, já que vocês deram sequência à conclusão do álbum. Vocês fizeram turnês no exterior. Como foi a recepção dos fãs e qual o legado que ele deixou para vocês?

Thiago Oliveira – No começo, houve uma certa desconfiança por parte dos fãs que não sabiam o que esperar, por se tratar de músicas complexas, mas temos que observar que aqui no Brasil sempre tivemos bandas muito técnicas, os nossos trabalhos, o HEVILAN, o SEVENTH SEAL são trabalhos muito técnicos. É um país que deu ao mundo o ANGRA, o SHAMAN. Depois da primeira turnê, percebemos que os fãs nos abraçaram. Eles nos procuravam para dar presentes ao Warrel e procurávamos atendê-los da melhor forma possível. Agora lá fora, a reação foi muito legal, era a banda solo do Warrel. Uma vez na Alemanha, os caras ficavam nos esperando para pedir autógrafos e alguns deles sabiam até o meu nome e eu pensava: “Como esse cara sabe o meu nome?” Mas se não fosse pelo carinho dos fãs, esse disco nem teria saído.

Johnny Moraes – O entrosamento foi ótimo, desde o primeiro ensaio vimos que rolava uma química boa entre todos e isso fez com que ele quisesse continuar a excursionar conosco e gravar um disco. Na Europa foi a melhor possível, tocamos por duas vezes. A primeira vez fizemos mais o sul da Europa, Grécia, Turquia, Bulgária. O povo grego muito receptivo. E em 2016 fizemos mais a Europa central, mais ou menos uns 10 países e a galera se mostrou bem empolgada com “As Fast as the Others” e “The Hanging Garden“, que tocamos em toda a turnê e a receptividade foi muito boa com estas duas músicas. O legado que ele nos deixou foi possibilitar que gravássemos um álbum por uma grande gravadora, sendo ele um dos principais artistas da “Century Media”. Ele era um dos artistas mais antigos por lá e isso nos abriu portas para que alcançássemos um número maior de público e tem sudo uma experiência agregadora em ter nosso trabalho sendo reconhecido.

Fabio Carito – Se somarmos todo o tempo de negociação, conversas no Facebook para definir o setlist e os ensaios, tenha sido uns quatro anos e meio. Foi algo surreal na verdade porque ele deixou um legado enorme para nós. Acredito que cada um absorveu o melhor do que o Warrel tinha. Costumávamos dizer que ele impactava em nossas vidas de uma maneira diferente. Eu tinha um tipo de conversa com ele, o Thiago tinha outro tipo e com o Dotta e com o Johnny era também diferente. Então, de uma maneira inconsciente, extraíamos fragmentos que nos interessavam. E ele entendia isso, e conversava com cada um sobre coisas que não falava com o outro. E a receptividade com o público do exterior foi muito, muito boa, principalmente na Grécia. O pessoal nunca nos destratou, nunca nos enxergou com desconfiança, nunca nos diminuíram por sermos músicos de apoio naquela ocasião. O povo na Europa se mostrou bem educado e receptivo conosco.

Marcus Dotta – Lá fora é um pouco diferente daqui em termos de público. Lá, tínhamos o respeito inerente por estarmos tocando com um artista de respeito como ele, e existe um respeito maior pelo músico, por estar no palco, mesmo sendo banda solo. Aqui no Brasil temos problemas, pois muitas pessoas não aceitam o fato de que brasileiros consigam certas oportunidades, então tem um cara que te vê no palco e não te respeita, porque acha que era ele quem deveria estar ali, pois aqui temos poucas oportunidades e lá na Europa é o contrário: a proporção de bandas, de estrutura para que você desenvolva um trabalho é bem maior do que por aqui. E para conquistar o respeito no Brasil foi mais difícil, mas fomos mais respeitados na Europa.

ROADIE METAL – É natural que os artistas digam que o mais recente lançamento seja o melhor de suas carreiras. Vocês também acham isso? Ficou faltando algo à mais (claro desconsiderando a falta do Dane) ou vocês consideram que deram tudo e mais um pouco e que tudo saiu da forma que deveria ser?

Thiago Oliveira – Olha, eu nem sei te dizer porque é um sentimento muito agridoce. Ficamos muito felizes com as reviews, com os comentários dos fãs daqui e lá de fora, só que ao mesmo tempo, a gente perdeu uma pessoa. Eu tenho muito orgulho das composições que estão neste disco, só que por tudo que passamos, eu penso que essa felicidade fica um pouco perdida. Em relação as composições, eu senti um amadurecimento em comparação aos meus trabalhos anteriores. Uma banda com músicos de altíssimo calibre. Passamos por muitos problemas neste disco.

Johnny Moraes – Colocamos muito sangue, suor e lágrimas; O trabalho do Wagner e tudo que fizemos na pré-produção colaboraram para que tudo ficasse redondo. O que poderia ser melhor nele, talvez, se tivéssemos as outras músicas terminadas e gravadas, talvez teria agregado, mas eu achei mais dinâmica dessa forma que ficou, com duração de 40 minutos. Isso gerou um disco que tem uma cara muito peculiar. Se tivesse as outras canções, seria formatado de outra maneira. mas do jeito que acabou ficando, enriqueceu. Com menos músicas, temos a oportunidade de mostrar um material mais preciso em menos tempo e tentar mostrar mais qualidade. E mesmo se fosse um disco longo ou curto, seria um disco diferenciado;

Fabio Carito – Eu posso te afirmar que é o disco mais importante da minha vida por ora. Eu ainda não escutei o disco pronto e preciso absorver as coisas internamente. Estou vendo muitos citando o álbum como o melhor do ano, mas as músicas do Johnny e a que eu compus, que é mais no estilo do “Praises“, deixariam o álbum com outra cara. Mas pelas composições do Thiago, que são densas e pela morte do Warrel, acho que esses fatores contribuíram para que “Shadow Work” seja o que é. É um disco que vai sobreviver ao teste do tempo, está sendo muito bem cotado e vai envelhecer bem. Todos nós demos muito mais do que poderíamos, saímos de nossas zonas de conforto, tanto em questão de composição quanto de execução, e principalmente no desgaste físico e emocional; E o Wagner nos ajudou muito para que este álbum pudesse ver a luz do dia. Lembro que ficávamos até às 5 da manhã, escolhendo takes. A gente parava, tomava um café, conversava… Por um momento parecia um serviço que não tinha fim, mas tudo se ajeitou.

Marcus Dotta – É difícil dizer o que faltou… Esse disco só de a gente ter lançado e a gente ter conseguido enfrentar o processo de finalizar depois do falecimento do Warrel já é uma vitória por si só. É complicado de julgarmos… Só o fato de ele estar ai já é o bastante. Obviamente se ele estivesse vivo seria completamente diferente,  mas esse disco acabou se tornando mais  uma homenagem a ele do que qualquer coisa. O legado dele é isso que a gente conseguiu entregar. Não conseguiríamos adicionar mais coisa, pois não dependeria mais de nós.

ROADIE METAL – É sabido que o Dane adorava o Brasil. Lembro que li uma entrevista dele na época do “Enemies of Reality” em que ele falava com empolgação das churrascarias a rodízio que ele encontrou por aqui. E sempre que ele podia, ele vinha pra cá. Ele falava da beleza da mulher brasileira e cotava a modelo Adriana Lima como a mulher mais linda que ele já tinha visto. O que mais ele gostava aqui da nossa terra?

Thiago Oliveira – Ele gostava muito da forma como as pessoas aqui o acolheram. Ele ficou feliz com a forma como nós o tratávamos, com os fãs. Ele também ficou feliz por ter uma nova chance de cantar as músicas do NEVERMORE, pois quando a banda acabou ele se sentiu abandonado, traído e ele era um cara muito emotivo. Sua saúde já estava fragilizada, ele sentiu como se fosse um recomeço. Nós o levávamos aos lugares, em festas… Um jornalista sueco falou comigo e com o Johnny que era como se tivéssemos dado uma chance a um cara que já tinha desistido de tudo. Quando ele viu que o disco tava rolando, ele ganhou uma sobrevida. O Warrel tinha um posicionamento bem de esquerda e dizia que se o (Donald) Trump vencesse as eleições nos EUA, que ele se mudaria de vez para o Brasil, mas acabou que ele não se mudou. Não sei se ele ficaria feliz com a eleição de (Jair) Bolsonaro, pois ele tinha posições políticas bastante fortes.

ROADIE METAL – Sim, eu imagino que ele ficaria bem insatisfeito. Conhecendo o Dane como eu conhecia, com certeza rolaria uma letra no estilo “Inside Four Walls” como uma forma de protesto pela eleição do novo presidente do Brasil

Johnny Moraes – Ele tinha um apreço muito grande pelo povo do nosso país. Ele sempre dizia que o brasileiro é “amazing” (incrível). Ele dizia que o povo brasileiro é um povo muito humano, por conta de nossa forma de receber as pessoas de uma maneira geral. E tem o lance do fã sul-americano ser o mais caloroso do que os de outros lugares. Ele gostava muito de ir na Rua Augusta, por conta do ambiente alternativo. E gostava muito de comer em uma hamburgueria famosa que fica na Rua Augusta. Ele gostava muito também da culinária brasileira.

ROADIE METAL – Vocês foram ao funeral dele em Seattle?

Thiago Oliveira – Não, eu estava fora, vi pela internet. Até coloquei em meu canal no YouTube.

Johnny Moraes – Eu não fui ao funeral, mas assisti ao memorial dele pela internet, que rolou em janeiro.

ROADIE METAL – Sim, eu também assisti ao memorial dele pela internet, gostei muito da banda que tocou no palco naquela noite (o redator se refere à banda DEVILATION). E foi legal porque vimos os amigos e até músicos prestando uma última homenagem ao Dane.

ROADIE METAL – Na última entrevista do Dane em vida, no programa Sonoridades (da Rede TV!), deu para perceber que ele estava bastante debilitado. Sabíamos que ele era diabético e que tomava insulina. Vocês tinham noção da gravidade de sua saúde ou realmente a morte dele foi algo inesperado?

Thiago Oliveira – Nós sabíamos que ele era diabético, nós sabíamos que a saúde dele estava debilitada e naquele programa foi a última vez que eu o vi, foi o meu adeus para ele. Não foi uma surpresa para nenhum de nós. Ele teria de ter uma vida bem regrada e ele não era assim… Ele tinha problemas com o álcool e falava disso abertamente. Eu não quero julgá-lo por isso, é algo que a pessoa não tem controle. No dia do programa, ele estava muito mal e depois piorou. Isso tudo você junta com a depressão. Tivemos diversos problemas com ele em turnê, por várias vezes ele desmaiava, ele passava mal. Aconteceu comigo várias vezes de ele desmaiar, quando andávamos na rua. Eu pressenti a morte dele, como se fosse uma voz me dizendo que ele não iria resistir, eu não sei explicar. Foi uma coisa que a gente sentiu que poderia acontecer por todo o histórico.

Johnny Moraes – A gente tinha noção da gravidade de sua saúde e fazíamos tudo o que podíamos. Cuidávamos da sua sua saúde e alimentação, e procurávamos fazer tudo o que estava no nosso alcance. Faltou um pouco de ele se cuidar um pouco mais. Sabíamos que era uma possibilidade, devido as crises que ele tinha, por ele não se cuidar, pelas nossas idas com ele ao hospital. Mas não tínhamos como saber se iria acontecer.

ROADIE METAL – A versão em mediabook terá 44 páginas deve estar maravilhosa. O que vocês podem adiantar para o fã que pretende ter essa versão?

Johnny Moraes – Essa versão é a mais completa de todas, junto com o vinil. No mediabook, tem depoimentos pessoais de todos nós sobre a vida dele e o final da vida dele. Sobre a experiência pessoal de cada um de nós, como foi trabalhar com ele nestes quatro anos. Tem também o depoimento do pessoal da “Century Media“, do Travis Smith (artista gráfico que fez toda essa parte do disco), fotos bem legais dessa última passagem dele por São Paulo. Quem puder ter essa versão, terá um trabalho muito complexo e poderá apreciar bem mais a música. Isso complementa o trabalho musical que é o “Shadow Work“.

Fabio Carito – De longe para mim é um dos trabalhos mais bonitos que eu já vi de identidade visual. O Travis Smith é meu artista preferido e ele captou 110% do que o “Shadow Work” significa. O encarte de 44 páginas tem artes para todas as músicas, Não é um disco conceitual,  mas o Travis criou artes individuais para todas as músicas. Ele fez um trabalho de tipografia de cores absurdamente harmonioso, tem fotos  exclusivas do Warrel. É um trabalho bonito, muito bem organizado, muito completo e complexo. Não é aquele trabalho em que você vai pegar o encarte, folhear e absorver tudo. Você terá de ler várias vezes para poder descobrir alguma coisinha diferente ali. Não é nada subliminar, é questão de detalhes mesmo. A versão em vinil está também absurdamente linda, como fotos promocionais nossas com ele e todo este trabalho excepcional que o Travis fez;

Marcus Dotta – O que é interessante nesse trabalho são os depoimentos, o encarte acabou sendo uma espécie de carta para o Warrel… Então tem os nossos depoimentos mais sinceros, nós escrevemos, sem saber o que o outro escreveu e todos descobriram somente quando estava pronto. E cada um escreveu algo muito pessoal, baseado em suas próprias experiências. Será uma experiência diferente para o fã, que não abrirá apenas um encarte, e sim uma espécie de testemunho nosso para ele. A arte em si é muito carregada emocionalmente,  eu nem consigo descrever. Eu fiquei meio afetado por algumas horas, porque você lembra de tudo que você passou. O Travis conseguiu transmitir nas artes exatamente o sentimento que este disco carrega. Então você lê o encarte. escuta a música, lê os depoimentos e é um pacote completo do que foi os últimos momentos do Warrel.

ROADIE METAL – Com a passagem do Dane, fica uma pergunta: vocês pretendem a tocar juntos, criar um novo projeto ou depois disso, cada um seguirá seu caminho artístico?

Thiago Oliveira – A gente não sabe o que vai rolar. Recebemos propostas de cantores do Brasil e do exterior. Temos material inédito, coisas com o Warrel que sobraram do “Shadow Work“. O nosso destino como banda vai depender muito da gravadora e do respaldo dos fãs para que possamos dar uma resposta definitiva. Claro que é legal compôr, gravar e sair em turnê e queremos fazer isso com um grande cantor.

Johnny Moraes – Por enquanto a gente ainda tem muito cuidado com o legado de “Shadow Work“, de fazer toda a mídia, a divulgação. Talvez façamos uma tour de tributo a ele. Tem todo esse trabalho a ser feito e existe uma possibilidade de ser lançado um EP com os covers que fariam parte do disco no primeiro momento. Temos umas demos muito bem gravadas com a voz dele. É possível que role ano que vem ou até 2020, está no nosso radar. Manter o legado dele vivo, divulgar ao máximo possível. pelo menos até o EP, nós ainda teremos muitos compromissos.

Fabio Carito –  Ainda teremos alguns compromissos em 2019. Além das faixas que sobraram do “Shadow Work“, tem a voz, sobraram também algumas versões de cover, do embrião do disco. É certo que continuaremos juntos em 2019, porém, todos têm as suas bandas paralelas, seu compromissos à parte. Para 2020, eu ainda não sei. Mas independente disso, todos somos amigos, nos conhecemos há muitos anos, tocamos juntos em outros projetos também, não os quatro juntos, mas todo mundo toca com ao menos um ou dois. Um indica o outro para tocar em outros projetos. Então, indiretamente estaremos envolvidos durante muitos anos, isso eu tenho certeza.

ROADIE METAL -A faixa “Rain” seria lançada antes como single, mas acabou não rolando. Houve alguma razão?

Thiago Oliveira – Estava nos planos da gravadora lançar a “Mother”, mas depois lançaram a “Rain” pelo site da “Billboard“, mas eu não sei muito bem o que aconteceu. São coisas da gravadora, não sei o plano deles, algumas datas de lançamento do single foram alteradas. É uma coisa que só a “Century Media” saberá responder.

Johnny Moraes – Acredito que tenha sido alguma decisão da gravadora, pois além da “Billboard” ter lançado o single, havia também o documentário que a gravadora lançou uma semana antes de sair o “Shadow Work“. Então, eles podem ter pensado que eram muitos materiais para se lançar de uma só vez num período muito curto.

ROADIE METAL – Bem, eu quero agradecer imensamente pela oportunidade de entrevistá-los. E agora o espaço é de vocês para as considerações finais.

Thiago Oliveira – Obrigado a ROADIE METAL pelo espaço, pela oportunidade. A gente gosta de conceder entrevistas, temos feito algumas e é sempre bom poder contar com o apoio da imprensa especializada. Espero que vocês gostem do disco e a continuidade deste legado depende muito do apoio dos fãs, de comprar o disco, de irem aos shows, na nossa festa de lançamento… Então contamos com a força de vocês para que isso aconteça. Se a gravadora ficar satisfeita com o resultado. Temos tido uma reação além do esperado, a pré-venda do disco se esgotou na Europa e nos EUA e sempre recebo mensagens de fãs, de gente que nunca imagine que fosse conhecer o nosso trabalho. Ficamos muito felizes por essa receptividade. Quem quiser entrar em nosso Facebook, ficaremos muito felizes em manter contato com a galera.

Johnny Moraes – Nós agradecemos a oportunidade. Qualquer fã do Warrel nós consideramos nosso amigo. Espero que quem estiver lendo possa comprar o disco. É um dos melhores discos que ele fez na sua vida, tem sido muito aclamado pela crítica. É um trabalho que deve ser apreciado num todo, o encarte, a arte gráfica, as imagens. E fiquem ligados que anunciaremos outras atividades em relação ao legado deixado por ele. Um grande abraço a todos.

Fabio Carito – Flávio, eu te agradeço pelo espaço e pela oportunidade de falar do que foi o Warrel e comentar sobre o “Shadow Work“. Um grande abraço para você, para toda a equipe da ROADIE METAL e para todas as pessoas que estão interagindo com o veículo. Agradeço a resenha extremamente positiva do disco. Deixo os sites de divulgação que são: www.warreldane.net (site oficial),

https://www.facebook.com/warreldanefans (página estrangeira dos fãs de Dane)

https://www.facebook.com/events/880819335455250/ (página do evento de lançamento de “Shadow Work“)

https://www.facebook.com/WarrelDaneBrasil/?ref=br_rs (página dos fãs brasileiros de Dane)

E para as pessoas que estão lendo esta entrevista, eu gostaria que elas dessem uma atenção especial ao disco e compreendessem o quão denso e complexo foi o término do trabalho dele. Deem uma chance ao “Shadow Work“. Ele é um disco que precisa ser ouvido mais de uma vez, foi concebido com muito sangue, suor e lágrimas. valeu, Flávio, um abraço.

Marcus Dotta – Obrigado pela oportunidade, um prazer para nós falar contigo. Além de estarmos nesta posição de entrevistador e entrevistado, estamos falando como fãs; E eu sei que você é muito fã, então é um prazer compartilharmos essas experiências com pessoas que também gostavam do Warrel. Um abração e obrigado por tudo.

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