A compilação da banda estadunidense de Heavy Metal Virgin Steele, Hymns to Victory foi lançada em janeiro de 2002 pela Noise Records, para celebrar seu vigésimo aniversário – quase que simultaneamente com trabalho The Book of Burning -, que entre regravações e novas versões, trouxe uma composição inédita.

A primeira faixa, Flames of Thy Power,  já impressiona pela riqueza nos arranjos, combinando acordes doces com uma guitarra que, mesmo sem absolutamente peso algum, convence pela beleza dos riffs. Por falar em falta de peso, os vocais também aparentam ter apenas médios e agudos, sem graves absolutamente. Por incrível que pareça, isso não torna a música ruim, exceto pelos gritinhos do vocalista que são repetitivos e chatos demais!

E lá vamos nós de novo com os gritinhos maçantes de David DeFeis que insiste nisso! Uma coisa é você ter uma característica vocal que lhe marca como cantor, outra é você ficar na mesma porqueira em todas as músicas e estragar o trabalho dos instrumentistas. O solo de teclado, os belos arranjos vocais e a harmonia,  salvam a canção na faixa Through the Ring of Fire.

Parece que finalmente vou conseguir gostar do vocal nessa banda, mas dessa vez quem peca é o instrumental. Não pelos arranjos, mas sim pela equalização na faixa Invictus. Eu só queria saber o que o produtor tem contra o botãozinho do baixo. Puxa vida, não custava nada valorizar um pouco mais os graves e tornar o som um pouco mais gordo. Mais uma vez os arranjos por parte da banda, salvaram. E não, não vou falar mais do chiado de guabiru do cantor.

O piano na intro de Crown of Glory é simplesmente fantástico. Linda melodia com acordes escolhidos a dedo. E o momento em que o piano entrega o protagonismo para a guitarra também é espetacular. Um timbre à la Van Halen. Os drives vocais mais uma vez convencem, exceto pelo mais do mesmo. E olha que eu tinha prometido não tocar mais nesse assunto. Ôh diabo! E o destaque fica pelo solo de guitarra! Sem excessos de virtuosismo e valorizando o tema.

Kingdom of the Fearless nos remete a um clima épico, muito mais do que as demais faixas apresentadas até aqui, e o ostinato da guitarra toma conta da obra. Muito bem construído e com um alto poder de persuasão, como uma poesia que penetra os ouvidos de uma dama e a rende. A escolha da harmonia parece ter sido feita por alguém que realmente sabe como criar um clima, especialmente por parte dos teclados. The Spirit of Steele é simplesmente linda! A começar pelo praticamente uivo do vocalista ao início. Os arranjos de cordas vieram bem a calhar – algo a se ressaltar de pois de tantas críticas, é o uso adequado, na medida certa, dos drives vocais. Tudo nessa canção está em total equilíbrio e ela se torna um marco nesse álbum. É uma daquela que eu vou ouvir umas três vezes depois de escrever sobre.

A Symphony of Steele só peca por conta dos timbres dos teclados. É incrível a capacidade dessa galera de se superar tanto na arte de fazer belas obras quanto na de fazer cagada. O restante está ótimo, mas esses benditos teclados não me descem. A banda só precisava de alguém mais coerente na produção de áudio e mixagem. Muitas faixas seriam bem melhor se fossem melhor timbradas. Em seguida, ao som de uma intro muito legal e dos gritinhos de morcega gripada, entramos na faixa The Burning of Rome que se demonstra bem mais interessante e persuasiva que as demais, a se destacar pelo refrão marcante e grudento. O solo de guitarra está lindo e carregado de feeling!

I Will Come for You é avassaladora! É daquelas que te dão vontade de se mexer, mesmo sendo um desengonçado que nem eu. Simples, sem muitas piruetas e diretamente ao ponto. Mesmo assim, não deixa de ser um belo desafio na questão rítmica dessa vez, com a bateria muitíssimo bem timbrada e um solo de guitarra que, a exemplo dos outros, vem pra marcar a obra.

Pense numa interpretação nada-a-ver-com-nada, adicione um instrumental fuderoso e também uma sensação de que alguém tentou dar uma de Robert Plant e falhou miseravelmente. Não se esqueça de adicionar uma pitadinha de vergonha alheia. Pronto, temos “Dust from the Burning”. Pronto, já descobri qual é a intenção da banda! Imagino que no processo de composição a coisa funciona mais ou menos assim: “negada, essa música aqui ta muito boa, agora a gente tem que fazer uma merda de dinossauro pra encher linguiça e depois a gente faz outra música boa pra poder se redimir e continuaremos assim pra sempre!” Esta versão para  a clássica Noble Savage – aqui com o acréscimo de “(Long Lost Early Mix)” foi uma das redenções.

Agora, se me dão licença, vou ali engolir minhas palavras, porque a inédita Mists of Avalon não decepcionou em nada. Linda composição perfeitamente interpretada em todos os instrumentos. E também, não poderia deixar meus comentários a respeito do vocal de fora. O rapaz representou!

Para encerrar lindamente a listagem, Emalaith é no mínimo controversa e confusa, que tive o (des)prazer de ouvir. Acredito que ainda vou escutar esse álbum muitas vezes, só que agora eu já sei quais faixas pular e quais não.

Integrantes:
David DeFeis (vocais, teclados, orquestração, espadas nas faixas 5 e 8, baixo nas faixas 1, 3, e 8, todos os instrumentos na 6);
Edward Pursino (guitarras, baixo na faixas 2, 4, 5, 7, 9, 10 e 12);
Frank Gilcheirst (bateria nas faixas 1, 2 e 3);
Joey Ayvazian (bateria nas faixas 7, 8, 9, 10, e 11);
Joey O’Reilly (baixo na faixa 11);
Steve Young  (solo de slide guitar na faixa 12)

Faixas:
01. Flames of Thy Power
02. Through the Ring of Fire
03. Invictus
04. Crown of Glory (Unscarred)
05. Kingdom of the Fearless (The destruction of Troy)
06. The Spirit of Steele (acoustic)
07. A Symphony of Steele  (Battle Mix)
08. The Burning of Rome (Cry for Pompeii)
09. I Will Come for You
10. Dust from the Burning (Orchestral Version)
11. Noble Savage (Long Lost Early Mix)
12. Mists of Avalon*
13. Emalaith

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