Roadie Metal Cronologia: Type O Negative – Bloody Kisses (1993)

Type O Negative em 1993 estreou seu terceiro full em três anos de banda, Bloody Kisses, levando a banda a um patamar que divide a linha do underground e mainstream, posicionando ela no mercado como revelação do Doom e Gothic Rock.

Saindo de álbuns que exploram a profanação melancólica de sinais religiosos em cadenciadas levadas e abusivas conotações, o quarteto liderado pelo icônico Pete Steele traz uma nova banda com um amadurecimento musical mais presente, a mesma sagacidade em passar a audácia vampiresca em seus conteúdos líricos, mas, dessa vez, de uma forma muito mais rítmica, poética e única.

Afinal, o que há de tão bom em Type O Negative, produção?

 – Pete Steele é um registro dentro do Metal, colocando seus timbres mais graves como uma marca potente dentro doom. Ele era um Elvis no metal, seduzindo donzelas(os) com uma voz única, rítmica perfeita e uma beleza que atraía a tudo e todos.

 – O Type mostrou o Doom com uma outra cara, principalmente nessa época, onde ele posicionou o estilo sangrento e polêmico numa formula em que muitos poderiam escutar, alcançando o mercado de maneira bem abrangente.

 – O conceito lírico que envolve o vampirismo, Drácula, licantropia e toda bruxaria que rodeia vítimas que se escondem atrás de cruzes, mas de mentes fracas para qualquer sinal de tentação.

Vamos ao que interessa, ao álbum.

Para essa cronologia, eu não vou citar mais precisamente as músicas, porque são perceptíveis os meus motivos. O álbum tem mais de uma hora de duração, ele foi feito para você viajar em sintonia, pois é necessariamente bem trabalhado nas transições de faixa. Afinal, apesar de nada mudar aparentemente depois da quarta, quinta faixa, a ideia é que você relaxe e se deixe levar pelo fluxo escuro criado pela banda.

O álbum tem início com uma instrumental, Machine Screw deixando claro o passado da banda: sexo sujo e ousado. Mas ele contraria e mostra sua nova face com um hit que bombou paradas e rádios. Christian Woman, que já havia sido lançada antes da data oficial do Full, conquistou os fãs e gerou o famoso hype desigual para a banda. A música é um clássico para qualquer fã da banda, tendo direito a clipe. Obviamente, mostrando o lado mais old school e negro da banda, a versão oficial de Christian Woman no álbum é vezes maior que a sua versão comercial que ganhou produção audiovisual. Black No 1, que teve uma origem igual da música anterior, é algo totalmente diferente. É uma música bem mais sensual, com altos e baixos e que inicia os ouvintes pra ambiência gótica criada pelo quarteto. Como no clipe, te leva para uma festa sombria, ao ar de Família Adams, com referências a bruxas e vampiros até dizer chega. Um rito de passagem musical, um festejo sobre sinais cristãos que também reconstruiu a cara da banda.

Além das melancólicas passagens, e frases icônicas da banda, o conjunto investe em uma das suas principais influências que é o Punk. Kill all The White People é de fato uma música que sucede a instrumental faixa de passagem, Fay Wray Come Out and Play, que parece um ritual tribal, feito por índios. A faixa totalmente agressiva e que tem suas linhas mais tensas torna-se uma boa continuação a faixa anterior. Logo em seguida, pra quebrar um pouco o gelo de influência punk e psicodelic rock, temos um cover da clássica música de Seals & Croft Summer Breeze. O cover traz um novo ar, uma nova ideia para a canção original, e o grave tom de Pete torna o cover como se fosse uma música original do conjunto de Doom. Já Set Me On Fire se apropria da levada de Summer Breeze para interligar com uma nova canção bem vampiresca, regada a linhas de órgão bem maquiavélicas, flautas desconexas, as brincadas de vocal que Pete Steel faz com os ouvintes e a música se torna um literal pop nos ouvidos dos fãs. Cheio de Wah wahs, e uma linha um tanto Ghost B.C que convence com uma sonoridade um tanto inusitada.

Dark Side Of The Womb é outra faixa um tanto estranha, pois são somente berros de crianças recém nascidas que cortaram de forma meio precoce a faixa Set Me On FireWe Hate Everyone é outra faixa que se torna icônica para a banda, por misturar o punk frenético com a melodia pesada e sinistra. Sua composição é o Type em sua fase nova. Explosões de influências diversas mas complementando com sua essência em usar timbres diferenciados e vocais viajantes. Bloody Kisses é a segunda faixa mais longa do álbum, focando numa única formula, que é o Doom cadenciado, pesado, lento, como uma marcha mórbida. Sinistra e maquiavélica, ela abusa de frases que poderiam ser reconhecidas como pai do Beatdown. Como comentado antes, não é uma música para prestar atenção mas para sentir o espírito e se deixar levar pela sua melancólica essência.

3.0.I.F é outra faixa ambiental, que traz uma aparência escura e sombria, com efeitos sonoros horripilantes, e sonoridades que não levam a lugar algum. São abruptamente pausadas por Too Late: Frozen. Uma faixa que também é uma balada gótica e frenética, que se torna um tanto comercial, mas tem os berros viajantes de Pete, ao mesmo tempo que seus berros que remetem a latidos compõem os melhores momentos da música. Ela remete um pouco a Black No 1 numa velocidade mais avançada. Blood & Fire faz jus de uma composição mais simples, um verdadeiro hard rock com essência de Doom. Palmas aos trechos épicos que são feitos de violões e flautas que tornam essa espiritualidade com um ar medieval e clerical por meros segundos.  Mas ela não procura fugir muito do seu rumo. Afinal, elas não merecem o holofote final. O final dissonante quebra seus ouvidos ao meio. Can’t Loose You tem o ar clássico do Doom do Type, mas com vertentes que lembram ambiências ciganas e místicas, instrumentos diferenciados e uso de efeitos que criam essa sensação estranha ao ouvinte. Pelo fato de ser uma música com mais identidade, ela definitivamente merece seus holofotes finais. Esse ar árabe não foge em nenhum momento sempre estando presente com a banda para fechar o álbum de maneira épica e preparando os fãs para um novo full que traria muito mais desse Type O Negative que é profanamente poético.

Formação:
Peter Steele (R.I.P. 2010) – vocal, baixo
Kenny Hickey – guitarra
Josh Silver – teclado
Sal Abruscato – bateria

Faixas:
01. Machine Screw (instrumental)
02. Christian Woman
03. Black No. 1 (Little Miss Scare-All)
04. Fay Wray Come Out and Play (instrumental)
05. Kill All the White People
06. Summer Breeze (Seals and Crofts cover)
07. Set Me on Fire
08. Dark Side of the Womb (instrumental)
09. We Hate Everyone
10. Bloody Kisses (A Death in the Family)
11. 3.0.I.F. (instrumental)
12. Too Late: Frozen
13. Blood & Fire
14. Can’t Lose You

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Sobre: Bruno Jankauskas

Bruno Jankauskas

Compositor, guitarrista e vocalista na Viletale. Apaixonado por games, literatura, filmes, séries e principalmente música extrema. Aluno do sétimo semestre de Comunicação Social da FURB de Blumenau.

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