Roadie Metal Cronologia: Sepultura – Chaos A.D. (1993)

Com certeza “Chaos A.D.” é o disco que consolidou de vez o estilo, identidade que o Sepultura buscava em sua música e que consolidou definitivamente o nome da banda como uma das maiores forças do Metal mundial. Sim, aquele estilo selvagem, tribal usando as guitarras como máquinas de ritmo e solos dissônicos a atonais influenciou toda uma geração inclusive de gigantes como Pantera, Machine Head, Ministry, Rammstein entre outros, o que mostra definitivamente o que o Sepultura se tornou no exterior e sua importância para o mundo da música pesada. “Chaos A.D.” vendeu mais de 1 milhão e meio de cópias ao redor do mundo.

“Chaos A.D.” traz uma banda coesa, afiada e no auge de sua criatividade dentro dos parâmetros delimitados pelo grupo. Max era um verdadeiro frontman, cuja voz característica comandava a selvageria; Andreas Kisser magistralmente dando polimentos à massa sonora e a característica atonal de sua guitarra, que fez escola; Igor Cavalera, cujo tribalismo e força unidos à sua técnica poderosa eram a espinha dorsal do grupo junto ao baixo correto e abrilhantador das tonalidades graves do grupo. Assim nasceram hinos daquele Metal moderno, tribal e ao mesmo tempo intrincado como “Territory” e “Refuse/Resist”, que alavancaram a banda ao estrelato definitivo.

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“Slave New World” em sua cadência minimalista, mostrando toda a técnica de Igor; “Amen” mostra uma riqueza de contrapontos que seria mais explorada em trabalhos futuros da banda, utilizando melodias e cantos de outras culturas do oriente.

“Kaiowas” é uma pérola acústica, uma linda homenagem à tribo indígena brasileira em um maravilhoso arranjo de cordas, que maravilhou músicos de todo o mundo em sua originalidade e beleza.

Em “Propaganda” mais uma vez a força da bateria de Igor fala alto. uma faixa arrasa quarteirão que nos prepara para a rápida e devastadora “Biotech is Goodzilla”, uma canção do mestre Jello Biafra para o grupo.

“Nomad”, “We Who Are Not As Others” e “Manifest” são músicas interessantes onde os músicos exploram mais sonoridades e influências absorvidas por eles ao redor do mundo. É interessante ver como o amadurecimento fez surgir essa parede sonora bem entendida e sobejamente utilizada com inteligência pelos brasileiros. Fica evidente aqui, ainda que estas não sejam canções fáceis, que o Sepultura entendeu que estava criando algo novo. Eles haviam transformado de vez sua prata em ouro nesta alquimia sonora.

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“The Hunt”, um cover escolhido do New Model Army, mostra uma faceta mais contida da voz de Max e mais melódica da banda que casou bem no contexto. “Clenched Fist” tem toda uma aura Hardcore em sua estrutura costurada de forma brilhante pelas baquetas de Igor e a magistral presença de Kisser, que mais uma vez prova porque entrou no primeiro time de guitarristas do Metal. “Chaos B.C.” é uma brincadeira de ritmos brasileiros da banda, que na verdade usou de vez como um tapa de luva de pelica dizendo: “- Nós somos brasileiros e vocês vão prestar atenção em nós”.

Com “Arise” o Sepultura estendeu o tapete e com “Chaos A.D.” a banda definitivamente escreveu seu nome na história do Heavy Metal mundial, não a toa se tornando um divisor de águas não só da banda mas parâmetro para outros estilos dentro do Metal e influência de muita coisa que é feita hoje. Tão assustador quanto maravilhoso e neste momento, o Sepultura não precisava provar mais nada a ninguém!

Formação:
Max Cavalera (vocal, guitarra, violão);
Andreas Kisser (guitarra solo, viola caipira);
Paulo Jr. (baixo, percussão);
Igor Cavalera (bateria, percussão).

Músicas:
01 – Refuse/Resist
02 – Territory
03 – Slave New World
04 – Amen
05 – Kaiowas (instrumental)
06 – Propaganda
07 – Biotech Is Godzilla
08 – Nomad
09 – We Who Are Not as Others
10 – Manifest
11 – The Hunt (cover do New Model Army)
12 – Clenched Fist
13 – Chaos B.C.

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