Falar sobre o Queen é uma grande missão, porque além de ser uma das maiores bandas da história do rock, é uma das minhas favoritas. E hoje vamos abordar no Roadie Metal Cronologia o clássico álbum The Works (1984), um lançamento que apesar de ter grandes sucessos, teve uma difícil produção.

Em 1982, a banda inglesa liderada por Freddie Mercury teve a difícil realidade de encarar o fracasso de seu álbum, Hot Space, um álbum com uma sonoridade bem diferente das apresentadas nos trabalhos anteriores. Contudo, a proposta não foi bem aceita pelo público.

Portanto, o próximo passo de John Deacon (baixo), Roger Taylor (bateria e vocais), Brian May (guitarra e vocais) e Mercury (vocais) foi uma pausa para focar em projetos pessoais durante o ano de 1983. Mas isso serviu como gás para o grupo se reunir novamente e trabalhar no 11º álbum de estúdio.

A capacidade do quarteto em se reinventar musicalmente é sempre o destaque do Queen, que pessoalmente falando, fica além do simples rótulo de banda de rock. E The Works é mais uma obra de novo território explorado pelos britânicos.

Contudo, o caminho nem foi só de flores. As sessões de gravação foram bastante problemáticas. Prova disso é que o guitarrista Brian May afirmou que a tensão gerada pela guerra de egos foi tanta que pediu pra sair e voltou para a banda, diversas vezes.

Mas o álbum é composto por várias canções que se tornaram hits na carreira do grupo, como “I Want to Break Free“, “Radio Ga Ga” e “Hammer to Fall“, canções tocadas em todos os shows da banda, sendo muito pedidas pelo público.

The Works também foi muito importante para os brasileiros. O sucesso do álbum moldou as apresentações do Queen no primeiro Rock In Rio no Brasil, em janeiro 1985.

A grande sacada foi a retomada do Hard Rock feito pela banda, com bastante elementos característicos dos anos 80. E com a permanência forte de outros ritmos, como o pop, o funk e o eletrônico. Lançado em fevereiro de 84, The Works pode ser considerado um disco de transição pelo fato de resgatar elementos mais característicos da banda.

Iniciando os trabalhos, o grande hit “Radio Ga Ga”, composta pelo baterista Roger Taylor. Repleto de “elementos oitentistas”, como sintetizadores e bateria eletrônica, é uma crítica à dominação do formato televisivo da música, especialmente os videoclipes da MTV. A música tem andamento cadenciado, vocais fortes, refrão marcante e um memorável solo de Brian May.

O hard rock aparece forte em “Tear It Up”. Escrita por Brian May, tem riffs e um inspirado solo já abrindo a faixa. A cozinha é bem marcada, lentamente e forte, como uma referência a clássica “We Will Rock You”. Sem contar os constantes tons altos feitos com perfeição por Mercury.

Por falar em beloz vocais, a balada “It’s A Hard Life”, tem um show a parte de Freddie Mercury. Com os arranjos de piano bem no estilo de “Bohemian Rhapsody”, tem um refrão marcante que é impossível não cantar junto do mestre.

Em “Man On The Prowl” manda um rockabilly que nos lembra “Crazy Little Thing Called Love” de The Game (1980). Basicamente é uma música de três acordes e com andamento 3 por 4, bem simples. Composta por Freddie Mercury, foge dos elementos anos 80, sendo uma boa quebra de andamento, sem perder a bela sequência.

Mas esses elementos eletrônicos retornam com “Machines (Or Back To Humans)”. Aqui, Freddie Mercury divide os vocais com Roger Taylor, que utiliza efeitos sintetizados. Apesar de ter experimentos interessantes, o solo de Brian May é o grande destaque.

Mais um grande clássico, “I Want To Break Free” se tornou um grande hit. Escrita por John Deacon, a letra relata sobre frustração e a vontade de se libertar das amarras que o prendem. Conta com um solo de sintetizador e tem um ritmo envolvente. E sem falar no icônico clipe, mostrando os membros da banda vestidos de mulher, que ajudou no sucesso da canção.

“Keep Passing The Open Windows” é mais agitada, na linha que “It’s A Hard Life”, com o piano e os vocais ficando em primeiro plano. Ela vai crescendo e sua sonoridade se iguala ao restante do álbum. Há melodias interessantes feitas por John Deacon e um inspirado solo melódico de Brian May.

Mais peso e hard rock aparecem em “Hammer To Fall”. Inicia com riffs bem marcantes e com um andamento cadenciado, quase mesclando com um heavy metal. As guitarras de Brian May são o grande destaque, além do refrão com vocais divididos, que já é uma marca do Queen. Uma das minhas favoritas.

E fechando, “Is This The World We Created…?”, é uma faixa levada pelo violão e voz, cuja letra falasobre a pobreza na África. Curta e bela, não apresenta grandes alterações, mas com a voz de Freddie Mercury, não precisa de mais nada!

Portanto, pode-se concluir que The Works é um belo trabalho de retomada ao passado mas a mira do futuro do Queen, se tornando um clássico obrigatório no rock. E sem deixar de citar que a histórica performance no Live Aid em 1985, que ajudou a promovoer este novo momento da banda.

Queen – The Works
Data de lançamento: 27 de fevereiro de 1984
Gravadora: EMI

Tracklist

Radio Ga Ga
Tear It Up
It’s a Hard Lif
Man On The Prow
“Machines (or ‘Back to Humans’)
I Want To Break Free
Keep Passing The Open Windows”
Hammer To Fall
Is This the World We Created…?

Formação

Freddie Mercury – vocal
Brian May – guitarra
John Deacon – baixo
Roger Taylor – bateria

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