INTRODUZINDO: Pain of Salvation é uma banda sueca de metal progressivo liderada por Daniel Gildenlöw , que é o principal compositor, letrista, guitarrista e vocalista da banda. O Pain of Salvation tem concentrado seus esforços no lançamento de álbuns conceituais, caracterizados por trabalhos de ampla gama vocal, oscilação entre passagens pesadas e calmas e harmonias vocais complexas. Liricamente, a banda tende a abordar questões contemporâneas, como sexualidade, guerra, meio ambiente e a natureza de Deus, da humanidade e da existência.

RELEASE: BE é o quinto álbum de estúdio do Pain of Salvation, lançado pela gravadora Inside Out Music em setembro de 2004. Assim como os outros membros da família, trata-se de um álbum conceitual com enfoque na existência de Deus e da humanidade. Junto com a banda, o trabalho apresenta adição de uma orquestra de nove partes – The Orchestra of Eternity – que aparece com destaque ao longo do álbum. É o último álbum a apresentar Kristoffer Gildenlöw no baixo e é o primeiro álbum do Pain of Salvation a ser dividido em mais de três capítulos.

Segundo Daniel Gildenlöw, BE tenta explorar as muitas facetas da existência humana. Começa com a narração do Animae, alguém ou algo que / que existe desde que se lembra e contempla a natureza da sua existência e depois começa um percurso de compreensão com as palavras: “ Vou me chamar de DEUS e vou passar o resto da eternidade tentando descobrir quem eu sou “

A história continua a partir daí. Os personagens que aparecem e desaparecem ao longo da história são os seguintes:

DISSECANDO O DISCO: considerei a introdução do disco um tanto perturbadora. Uma narração – que parece uma conversa entre duas entidades – compõem Animae Partus. Na sequencia, Deus Nova, que poderia ser uma canção de abertura, mais se parece com uma continuação da introdução, só que com uma instrumental mais presente. À esta altura, já me pergunto quando o disco vai começar de verdade… digo, as intros soam muito bem, criam o clima, apenas penso que deveriam ser mais diretas. Imago inicia com uma batida tribal, com ingresso progressivo de outros instrumentos (de corda, não muito usuais). Destaque também aos vocais que acompanham o clima do tribalismo. Achei incrível a captação de sons ao final da faixa, utilizando-se fones é como se o ouvinte fizesse parte do que esta acontecendo. O interessante é que mal se percebe o fim de uma faixa, e o início da próxima. Pluvius Aestivus abre um piano clássico, ao mesmo tempo frio, sombrio e triste, mesclando um toque elegante de altivez. Uma instrumental fantástica, que na minha opinião, valeu o disco. Lilium Cruentus – seguindo o costume – se inicia sem marcar o término da antecessora. Os vocais estão de volta e a instrumental é bastante progressiva, porém, detém muitos elementos de Metal Moderno e New Metal. Nauticus lembra um pouco daquelas canções tribais de Viking Metal ou Pagan Black Metal, com instrumental de cordas suaves e um cântico que soa quase como um mantra ao fundo. Dea Pecuniae é a track mais longa do disco, e detém um pouco da essência da ode Bohemian Rhapsody, do Queen, no sentido de que se inicia como um espetáculo da Broadway, progredindo levemente e transmutando-se para uma segunda parte mais tensa, com sonoridade expressiva. OBVIAMENTE, não estou comparando a magnifica obra milenar de Freddie Mercury e Cia., com a não menos importante obra de Daniel Gildenlöw e Cia. -a referencia que fiz foi apenas “em como a música se apresenta, se desenvolve. OK?

Vocari Dei consiste inteiramente em mensagens de voz a serem deixadas na “secretária eletrônica de Deus”. Para abordar essa música, a banda pede aos assinantes de seu boletim informativo que liguem para um determinado número de telefone e digam o que gostariam de dizer a Deus. Diffidentia se inicia repentinamente e logo às três primeiras notas, inevitavelmente um relance de High Hopes – eterno clássico do Pink Floyd – saltou à mente. Novamente, as músicas em NADA se assemelham, contudo, impossível não denotar que as três primeiras notas coincidem. Nihil Morari é uma canção bem melancólica, que expressa profunda dor em seu âmago, mas, que aos poucos, recebe uma dose de agressividade. Dor se transformando em ódio. Algo assim… Latericius Valete é mais uma instrumental, com ótimo desenvolvimento – funciona quase como uma introdução a Omni, que prossegue como continuação da antecessora. Iter Impius funciona como uma ópera, iniciando com uma narração em forma de cântico, progredindo juntamente conforme a instrumental vai preenchendo as lacunas da música e encerrando com um ápice extremo. Lembra um pouco de Pink Floyd, naturalmente. Martius Nauticus II encerra o disco, não apresentando nenhuma grande novidade.

OPINIÃO DO REDATOR: particularmente, o gosto pessoal deste redator se retém quanto à audição do Rock/Metal Progressivo, não como um todo, mas sim em parte. Após muito tempo – e muita insistência – aprendi, dentro do Rock Progressivo, a compreender a obra de bandas como Pink Floyd, Yes, Asia e Genesis, as quais tenho hoje como grandes nomes dentro de minha cartilha pessoal de preferidas. Entretanto, “progredindo” no mundo do Metal Progressivo, não “aprendi”, ainda, a compreender muitas das bandas que se apresentam dentro do gênero, além claro do Dream Theather, que utiliza muitos elementos do Heavy e do Power Metal, contribuindo para tal compreensão ser atingida mais facilmente. Chegando por fim ao foco, o Pain of Salvation não se trata de uma banda “surpreendente” aos meus ouvidos, digo, a temática lírica e a produção do disco em pauta é algo simplesmente fantástico, contudo, parece que “falta algum tempero”, que não foi adicionado. Por fim, destaco que o disco possui sim uma vibe bem concisa, bem peculiar e particular, apenas, com uma única audição, não me foi possível atingir esse nirvana energético para a conclamada ascensão espiritual objeto tema da obra.

Pain Of Salvation – BE
Gravadora – Inside Out Music
Lançamento – setembro de 2004

Faixas:

1. Animae Partus
2. Deus Nova
3. Imago
4. Pluvius Aestivus

5. Lilium Cruentus
6. Nauticus
7. Dea Pecuniae
8. Vocari Dei
9. Diffidentia
10. Nihil Morari

11. Latericius Valete
12. Omni

13. Iter Impius
14. Martius Nauticus II

Formação (no disco):

Daniel Gildenlöw – guitarra, vocal principal
Fredrik Hermansson – piano de cauda, cravo e teclados
Kristoffer Gildenlöw – baixo e vocal harmonia
Johan Hallgren – guitarra e vocal harmonia
Johan Langell – bateria