Como fã de uma das mais importantes bandas de Doom/Death, sempre me perguntei o que exatamente houve com a My Dying Bride ao lançar o álbum Evinta. Para uma banda com um nível musical tão alto, que possui obras impecáveis em seu catálogo, que é um nome de ponta no gênero – chegando até a ultrapassá-lo –, lançar um trabalho de 129 minutos (no lançamento padrão, álbum triplo), em que as faixas se estendem longamente sem propor algo que as diferencie verdadeiramente parece algo incompreensível.

O press release da banda, na época, porém, mostra um grande orgulho do álbum e do projeto por parte do grupo, como podemos ler abaixo:

“Evinta. Um projeto quase 15 anos em construção. Uma ideia que ficou latente e nunca teve realmente um motivo para vir à tona até agora. Nove álbuns […] foram recriados novamente para marcar 20 anos de MDB. Música organizada para as paisagens sonoras do passado. Finalmente, o vigésimo aniversário nos permite lançar essa música de uma forma que ela estava desesperadamente, terrivelmente esperando. Aproveite a escuridão. “

Press Release My Dying Bride, 5 de abril de 2011

Uma mescla de temas “antigos” e criações ao redor de ideias previamente trabalhadas, Evinta é ao mesmo tempo um álbum inédito e uma espécie de recriação, porém sem o peso e a agressividade de outros álbuns, focando-se apenas na parte sinfônica. Com predominância de instrumentos e climas melódicos, apoiados em pianos e instrumentos de corda para orquestras, o álbum poderia ser uma obra-prima. A ideia por si só é boa.

Mas o resultado termina sendo redundante uma vez que ao longo de um álbum triplo, as músicas se arrastam com grandes e longos momentos de pouca ambiência que terminam por não ter um ápice, mas sim uma constante monotonia, com o instrumental se entrecruzando aos vocais declamados em forma poética/teatral.

Cada uma das músicas parece a anterior. Não surge um gráfico de crescendo e calmarias que tornariam Evinta uma viagem emocionante como o MDB parece acreditar que conseguiu fazer.

Ao ouvir o álbum pela primeira vez, todas as músicas me soaram como se eu estivesse ouvindo a introdução de algo que estava por vir. Todas as outras vezes que ouvi novamente, a sensação permaneceu. Nada realmente marcante, nenhum tipo de desenvolvimento ou conclusão parece se materializar. Infelizmente, com essa permanência no mesmo clima de música quase-ambiente, o álbum termina tendo o efeito de um disco new age.

O ponto positivo de Evinta é o que o My Dying Bride realmente possui: instrumentais e vocais de qualidade, uma gravação de primeira e o uso de instrumentos de forma bastante musical. Ou seja, a sonoridade é muito boa, mas o resultado artístico é ruim, pouco criativo, talvez preguiçoso diante de um conceito extremamente válido.

https://www.youtube.com/watch?v=mz6ytS8oZaQ

My Dying Bride – Evinta
Ano de Lançamento: 2011
Gravadora: Peaceville Records

Disco um

01. In Your Dark Pavilion — 10:03
02. You Are Not the One Who Loves Me — 6:47
03. Of Lilies Bent with Tears — 7:10
04. The Distance; Busy with Shadows — 10:46
05. Of Sorry Eyes in March — 10:35

Disco dois

01. Vanité Triomphante — 12:22
02. That Dress and Summer Skin — 9:39
03. And Then You Go — 9:22
04. A Hand of Awful Rewards — 10:21

Disco três

01. The Music of Flesh — 7:05
02. Seven Times She Wept — 4:06
03. The Burning Coast of Regnum Italicum — 11:50
04. She Heard My Body Dying — 8:31
05. And All Their Joy Was Drowned — 10:15

Formação:

Andrew Craighan – arranjo e direção musical
Aaron Stainthorpe – vocais masculinos
Jonny Maudling – piano e teclados
Lucie Roche – vocais femininos
Alice Pembroke – viola
Johan Baum – violoncelo

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