Hoje, mais uma vez, fui escalado para ouvir Doom Metal, estilo do qual não sou fã. Minha última experiência, porém, com este estilo no Roadie Metal Cronologia não foi das piores com a banda Novembers Doom, que acabou me surpreendendo e garantindo um 8.5 no meu conceito. Veremos se desta vez com o My Dying Bride terei a mesma surpresa agradável.

Para nos localizarmos um pouco, a My Dying Bride foi formada em 1990 na Inglaterra e é considerada uma das precursoras do gênero Death Doom e Gothic. O álbum que analisarei hoje, “A Line of Deathless Kings”, é o 9º em uma linha de 12 álbuns em sua carreira. Neste momento da carreira, o então baterista Shaun-Taylor Steels (que estava na banda desde 1999) deixou a banda devido a problemas no calcanhar e foi substituído pelo não creditado John Bennett, sendo esse o único álbum da banda no qual o baterista participou.

O álbum se inicia com a faixa “To Remain Tombless“, que começa bem pesada com a guitarra extremamente distorcida em palm mute e uma bela execução de bateria de John Bennett. No entanto, o clima da música é levemente cortado pela voz “sem sal” do vocalista Aaron Stainthorpe, que parece não ter nenhuma potência. No refrão, com um reverb adicionado à voz de Stainthorpe, fica um pouco mais interessante. Mas ainda sim é uma voz um pouco estranha, um tanto desafinada, sendo superada inclusive pelas partes onde o vocalista simplesmente cochicha. A menos disso, o instrumental é impecável, misturando uma pegada old school de Death Metal, com algumas influências do Black Metal. A banda se utiliza de elementos como a interferência do amplificador na música também, o que a torna bem interessante.
A segunda faixa, “L’Amour Détruit”, que significa “amor destruído”, é um pouco mais melódica que a anterior, e de alguma forma parece que a voz de Stainthorpe incomoda um pouco menos nesta. Esta é a faixa mais longa do álbum, com 9:08, mas não cansa muito apesar do tamanho. A dinâmica da música mantém o ouvinte interessado, alternando entre partes pesadas e partes mais leves.
A faixa seguinte, “I Cannot Be Loved“, demonstra que a banda realmente tem essa pegada “Gothic” com seu riff de entrada: uma guitarra pesada e a outra fazendo um dedilhado limpo e até um pouco desafinado. Aqui, como também nas faixas anteriores, a habilidade do baterista John Bennett é um enorme destaque. O músico consegue fazer trabalhos incríveis com todas as peças da bateria, mesmo em cima de riffs um tanto quanto simples.
And I Walk With Them“, a quarta faixa, começa com um riff à la Black Sabbath (em seu primeiro álbum), trazendo de volta as origens do Doom Metal. É a primeira música onde o teclado de Sarah Stanton tem um certo destaque, deixando a música bem sinfônica. Um pequeno solo de guitarra faz aparição em conjunto com a habilidade incrível do baterista em dominar pedais duplos, dando um gosto diferente a esta música. Faixa bem interessante.
Com uma emenda e um belo piano tocando sozinho em meio ao silêncio, inicia-se “Thy Raven Wings“. Nesta faixa o vocal tem uma diferença notável: está acompanhado de uma segunda voz grave que dá um bom suporte à voz principal, isso torna a voz de Stainthorpe muito mais agradável e tolerável. Até agora esta foi a faixa com a melodia mais bonita do álbum.
Love’s Intolerable Pain” retoma o peso do álbum, com um início bem energético. É uma música, assim como a faixa inicial, bem focada no instrumental, e como nas outras, com muita dinâmica, tornando-a muito agradável. Pela segunda vez no álbum, o vocalista Aaron Stainthorpe tenta alguns berros estilo Black Metal que casam muito bem com a música. Esta música talvez seja a melhor do álbum.
A sétima faixa, “One of Beauty’s Daughters” testa alguns elementos interessantes que trazem uma diversidade maior à mesa. Efeitos diferentes na guitarra que vão além da distorção simples, coro adicionado pelo teclado, entre outros, fazem com que a música não seja repetitiva no álbum e tenha uma pegada bem moderna, incluindo uma bateria sampleada. Além disso a música é uma ótima “banger“. Particularmente, me lembrou muito a banda Dimmu Borgir em alguns momentos.
A penúltima faixa, single do álbum, “Deeper Down” é a única que tem também um videoclipe que a acompanha. Além disso, não é uma composição nova do álbum, é uma faixa que já havia sido lançada no EP de mesmo nome lançado alguns meses antes. Justamente quando eu ia dizer que a faixa não tinha nenhum destaque, começa uma sessão extremamente death da música, com o riff pesado, bateria rápido e o vocal em growling. Incrível.
A segunda mais longa e última faixa do álbum, “The Blood, the Wine, the Roses” é na verdade uma faixa que se inicia com um grande apelo mainstream. Stainthorpe inicia a faixa cantando o nome da música, seguido por riffs bem puxados para o heavy metal clássico e death clássico. A música toda parece que é construída como um hit, com melodias pegajosas e bem encaixadas. Um belo trabalho para encerrar o álbum. A música surpreendentemente se encerra numa pegada extremamente rápida que daria um ótimo Wall of death ao vivo. Com isso, superou “Love’s Intolerable Pain”.

O álbum, em resumo, é bem construído, bem composto e muito bem executado. Um destaque enorme para o baterista John Bennett que faz um trabalho incrível em todas as músicas.
Eu simplesmente acho, em minha humilde opinião, que os vocais limpos de Aaron Stainthorpe são sinceramente medianos. São sem potência, desafinados, com trejeitos que não combinam com o estilo. Se o vocalista focasse nos vocais mais agressivos que realiza no meio de algumas músicas, o álbum seria muito melhor.
Não é meu estilo de música para escutar, ouviria casualmente ou num ambiente, mas creio que mais um álbum inteiro nessa pegada não me agradaria. Porém, mesmo assim, reconheço a qualidade da banda e o motivo pelo qual o My Dying Bride tem o reconhecimento que tem.

Faixas:
1 – To Remain Tombless
2 – L’Amour détruit
3 – I Cannot Be Loved
4 – And I Walk With Them
5 – Thy Raven Wings
6 – Love’s Intolerable Pain
7 – One of Beauty’s Daughters
8 – Deeper Down
9 – The Blood, The Wine, The Roses

Banda:
Aaron Stainthorpe – Vocais
Andrew Craighan – Guitarra
Hamish Glencross – Guitarra
Adrian Jackson – Baixo
Sarah Stanton – Teclado

Equipe adicional:
John Bennett – Bateria

“The Blood, The Wine, The Roses”, faixa de encerramento do álbum.
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