Definitivamente, o Kiss é uma banda marcante. Original até a medula óssea, inconfundível em seu instrumental, singular em sua vestimenta e maquiagem. Embora seja um grande pilar de sustentação do Hard Rock, influenciando bandas posteriores – inclusive dentro do Metal -, além de uma verdadeira febre mundial desde os anos 70, naturalmente, sempre há quem não goste. Este que vos fala é um deles.

Não ser simpatizante do Kiss – ou de qualquer banda, em casos alheios – não impede (e nem deve), de forma alguma, o reconhecimento de importância e de excentricidade. A mim, especificamente, não impede sequer de gostar de uma música ou outra (como “Strutter”, “Rock ‘n’ Roll All Nite”, “Forever”, “Lick It Up”, etc…), muito embora eu não goste da banda como um todo.

Contudo, também sou daqueles que, entre outros com quem já tive ou tenho contato, não se cativam com o Kiss do século XX, mas têm alguma afetividade pelo Kiss do século XXI graças aos álbuns “Sonic Boom” (2009) e principalmente “Monster” (2012). Centrando as atenções no primeiro mencionado, ele quebra o jejum de 21 anos que os nova-iorquinos passavam sem lançar um disco de inéditas – desde “Psycho Circus”, lançado em 1998. “Sonic Boom” também é o primeiro álbum sem o guitarrista Ace Frehley, substituído por Tommy Thayer (também vocalista) desde 2002. Eric Singer (bateria e vocal) também estava fixo novamente desde 2004, ambos formando quarteto com Gene Simmons (baixo e vocal) e Paul Stanley (guitarra e vocal).

kiss-2009“Sonic Boom”, pra variar, é um álbum bem ao estilo Kiss. Suas composições apresentam aquela positividade e atmosfera festiva clássicas da banda, remontando aos tempos de febre de Rock ‘n’ Roll. Talvez pela época em que foi lançado, comparando com todos os dezoito discos que vieram antes, ele soa mais pesado e consistente, até pela boa produção que Greg Collins e Paul Stanley realizaram no Conway Recording Studio, em Hollywood (Califórnia). Mesmo sem Ace Frehley, o conjunto se mostra sólido e apresenta solos realmente excelentes.

As linhas vocais acabam se tornando um ponto de interesse no trabalho devido às alternâncias de vocalistas. Apesar da maioria das músicas ser cantadas ou por Stanley, ou por Simmons, Singer e Thayer também desempenham seus papéis de cantores nas faixas “All For Glory” e “When Lightning Strikes”, respectivamente. Essa diversidade, mesmo que nem tão inédita ou explosiva assim, dá uma quebrada em um possível sentimento de desgaste ao ouvir o trabalho na totalidade. Isso porque são 11 faixas dentro de apenas 43 minutos totais, todas com graus de semelhança não apenas entre si, mas também entre a carreira da banda como um todo. Afinal, é isso que, bem ou mal, faz do Kiss, Kiss. Mas é isso que propicia um clima de intensidade e faz o disco parecer durar mais do que realmente dura.

Como é comum no Kiss, pelo menos ao meu ver, o álbum começa forte com a vigorosa “Modern Day Delilah” e a inconfundível voz de Paul Stanley, e prossegue ainda com força com “Russian Roulette”, cantada por Gene Simmons. Contudo, ao longo do álbum, parte da força é perdida, mesmo que as canções se mantenham boas, até que o disco volta a ficar mais chamativo com a excelente “I’m An Animal”. Esse contraste é o que faz eu não gostar muito da banda, mas em “Sonic Boom”, há um desconto. O disco é muito bom.

Nem mesmo para mim é o melhor álbum do Kiss (seria estranho eu falar em melhor álbum de um grupo que não integra meu rol de bandas queridas), nem costuma ser relacionado pelos fãs, mas certamente o que foi feito aqui, pelo peso e certa dinâmica, acaba por ser positivo. Ótimo trabalho.

Formação:
Paul Stanley (vocal e guitarra);
Gene Simmons (vocal e baixo);
Tommy Thayer (guitarra e vocal);
Eric Singer (bateria e vocal).

Faixas:
01 – Modern Day Delilah
02 – Russian Roulette
03 – Never Enough
04 – Yes I Know (Nobody’s Perfect)
05 – Stand
06 – Hot and Cold
07 – All For Glory
08 – Danger Us
09 – I’m An Animal
10 – When Lightning Strikes
11 – Say Yeah


https://www.youtube.com/watch?v=dqEvjOXyAYI

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