Roadie Metal Cronologia: Helloween – Unarmed – Best of 25th Anniversary (2009)

Bem, não sou exatamente um fã do Helloween da fase do Andy Deris, mesmo porque ouvia religiosamente os três primeiros álbuns da banda e isso faz você ter uma posição meio xiita com lançamentos após essa fase, e a coisa fica mais complicada quando o disco é uma coletânea de grandes músicas da banda em versões de gosto duvidoso.

“Unarmed – Best of 25th Anniversary” é um álbum comemorativo dos 25 anos de carreira do grupo, contando com versões rearranjadas e regravadas de grandes sucessos da banda.

Helloween

Dr. Stein: é uma canção basicamente “feliz” e pra mim representa melhor o termo “happy, happy Helloween”, e essa versão até casou com a faixa acrescentando arranjos de piano e naipe de metais. Gostei bastante do refrão e o solo de sax, mas é aquela coisa… parece música de final de filme da Pixar.

Future World: tem um estilão mais Folk, longe de qualquer resquício metálico. O mais engraçado nisso é que a voz de Deris combina com esse andamento mais lento do que o original porque acentua mais os médios e os graves, e dessa forma a música se torna agradável e audível. Há uma percussão no final e em certos momentos os arranjos de voz no refrão me fez lembrar o Pink Cream 69 do disco Endangered.

If I Could Fly: ficou Pop Music puro. O baixo dá um clima meio dançante à música e essa versão caberia muito bem em um repertório de alguma boy band. O solo de guitarra meio latino e o piano clássico dá uma sofisticação, um certo requinte.

Where The Rain Grows: virou uma balada nesse disco. A original é um exemplo do estilo Power Metal desses alemães, porém aqui nos deparamos com arranjos de violão bem ao estilo fogueira à noite. Ficou muito Poison essa versão.

The Keeper’s Trilogy (Halloween/Keeper of The Seven Keys/The King For A 1000 Years): é, de longe, a que mais me empolgou com arranjos belíssimos de orquestra e coral dando um clima bem épico e grandioso. Como a faixa tem mais de 17 minutos, ao longo dela podemos ouvir estilos de diferentes lugares. Uma hora ouvimos algo que nos faz lembrar músicas tradicionais russas, outra hora há um certo clima latino que culmina em corais clássicos, enfim uma miríade de ótimos e belos arranjos. O final retorna à base da Halloween… perfeito!

Perfect Gentleman: ficou muito acústica, porém o refrão acentuou-se. Apenas isso.

Forever & One: tem um “quê” de Savatage com voz e piano. Um pouco mais da metade da música, um belo arranjo erudito se faz presente e faz a faixa ganhar novos contornos.

I Want Out: foi a que mais mudou o arranjo. Com as guitarras utilizando pouquíssima distorção – ou quase nada – o groove é o grande protagonista. Violão e um coral de crianças no refrão completam essa versão sem peso.

Falling To Pieces: começa introspectiva, mas de todas apresentadas aqui é a mais Pop com certeza. Mesmo com arranjos clássicos no refrão e algumas raras incursões latinas, é difícil imaginar que seja o Helloween. Uma típica faixa que poderia fazer parte do repertório do Maroon 5.

A Tale That Wasn’t Right: é o grand-finale com Deris utilizando toda a potência da sua voz e provando que é um grande vocalista que pode cantar notas difíceis com dramaticidade. O belíssimo arranjo é bem clássico, quase operístico, ou seja, carregado de emoção.

Why: veio de bônus e temos o violão fazendo a base e há uma percussão ao fundo que imprime um certo dinamismo. A base do refrão tem um estilo meio White Stripes e o solo, por incrível que pareça, tem todo um clima de tango.

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Bom, sinceramente, algumas músicas me surpreenderam e outras considerei maçantes. Vale pela ousadia em criar versões inusitadas, e que fogem daquele ambiente ortodoxo do Metal. “Unarmed” do Helloween tem que ser degustado sem pretensão e sem pré-conceitos. Só assim pra entender o contexto da coisa.

Formação:
Andi Deris (vocal);
Michael Weikath (guitarra);
Sascha Gerstner (guitarra, vocal de apoio);
Markus Grosskopf (baixo);
Dani Löble (bateria).

Faixas:
01 – Dr. Stein
02 – Future World
03 – If I Could Fly
04 – Where The Rain Grows
05 – The Keeper’s Trilogy (Halloween/Keeper Of The Seven Keys/The King For a 1000 Years)
06 – Eagle Fly Free
07 – Perfect Gentleman
08 – Forever & One
09 – I Want Out
10 – Falling To Pieces
11 – A Tale That Wasn’t Right
12 – Why? (faixa bônus)

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Sobre: Vitor Rodrigues

Vitor Rodrigues

O sacerdote vodu do death/thrash metal. Um cronista focado nos acontecimentos ao seu redor. Inspirado na indignação do mundo de hoje e na paixão dessa nação chamada headbangers. Todos estes atributos se aplicam ao talento conhecido como Vitor Rodrigues. Nascido na cidade de São Paulo, filho de pai paraense e mãe baiana, Vitor Rodrigues traz no sangue a força do negro e do índio em suas veias. Seu primeiro contato com a música se deve ao seu pai Vitor da Silva Rodrigues que trazia para casa vinis que gostava de escutar. Valsas, chorinhos, sambas se misturavam com um pouco de jazz, música estrangeira e outros ritmos. Aos 5 anos volta para São Paulo com toda a família e com idade escolar começa a freqüentar o colégio N. S. das Mercês se destacando artisticamente. Quando é transferido para um colégio particular conhece um amigo que toca violão e juntos começam a compor alguns blues. Com o tempo montam o que seria a primeira banda chamada Reasons To Heaven no final de 1987. A banda passou por várias formações e no final de 1991 encerra as atividades. O único registro é uma fita demo intitulada Damned Viper. Em 1992 é convidado pelo seu ex-baterista do Reasons To Heaven, Amílcar Christófaro, para se juntar à nova formação da banda Torture Squad. Com Crisitano Fusco e Fulvio Pelli nas guitarras e Castor no baixo, a banda inicia os ensaios. Vitor, devido à influência indireta dos discos de seu pai, começa a criar seu próprio estilo, mas foi com bandas como Metallica, Sepultura, Death, entre tantas outras que o seu estilo de vocal começou a ser moldado. Outra influência que teve bastante relevância foi King Diamond e suas fantásticas mudanças de timbre de voz fazendo a transição do grave e agudo, e vice-e-versa, de uma maneira confortável. Isso possibilitou a Vitor Rodrigues um novo campo para que ele pudesse explorar. Do ano de 1992 até hoje, 2009, ele gravou 5 álbuns de estúdio, 1 álbum ao vivo, 1 dvd e 1 single e fez participações especiais em muitas bandas nacionais como Claustrofobia, Hangar, Tuatha de Dannan, Genocídio, entre outras. Nunca fez aula de canto, mas em compensação sempre procura saber tudo relacionado sobre voz e performance de palco. Aliás, são 20 anos dedicados ao metal, compondo e se apresentando em palcos brasileiros e europeus. Em 2012 deixa o Torture Squad e forma o Voodoopriest lançando um EP homônimo em 2013 e o álbum debut “Mandu” em 2014 obtendo sucesso de crítica e público. Vitor Rodrigues é considerado um dos maiores vocalistas brasileiros de metal da atualidade e nas eleições de melhores do ano está sempre entre os cinco melhores vocalistas do Brasil. Sempre atuante e antenado lança seu blog e seu canal do soundcloud, opinando sobre assuntos pertinentes, e espalhando conhecimento musical respectivamente.

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