Após lançar clássicos eternos do Power/Heavy Metal como “Somewhere Far Beyond”(1992), “Imaginations from the Other Side” e chegar no seu auge criativo com “Nightfall in Middle-Earth”(1998) eis que a tropa liderada pelo vocalista Hansi Kürsch, chega ao seu sétimo registro de estúdio, “A Night at the Opera” lançado em 2002.
Após sair do ápice, o grupo alemão não conseguindo manter a mesma inspiração do álbum anterior, lançou o álbum que por muitos é considerado o fiasco da carreira, um disco ameno, morno, insosso.
Brigas internas e desentendimentos entre o baterista Thomas “Thomen” Stauch e o frontman Hansi Kürsch, fizeram que ao final da turnê do álbum, Thomas se desligasse do grupo, após 20 anos de posto.
Em meio à essas situações, “A Night at the Opera” surge com composições que não transmitem aquela sensação do Blind Guardian de outrora. Faixas totalmente fora de sintonia com a qualidade que a banda estava acostumada a apresentar a seus fãs. Exemplo disso, “Precious Jerusalem”, faixa de abertura, que soa sem criatividade, com um andamento totalmente inusitado pros padrões dos germânicos. “Battlefield” é mais um daqueles temas que a banda tenta ressuscitar velhos sucessos, trazendo aquele pequeno segundo de nostalgia que logo se acaba, tornando-se desprezível.
O álbum segue-se com mais tropeços, simplificados por faixas como “Under The Ice”, com um riff sem inspiração que mesmo com o esforço de Hansi com linhas vocais belíssimas não consegue salvar a faixa, que é mais um tiro de misericórdia do registro. “The Soulforged” segue a audição, transmitindo a impressão de ser aquele som extra, não tendo nada a acrescentar, a não ser para colecionadores de plantão que sempre compram várias edições do mesmo só pelo fato das diferentes bônus.
O fiasco ainda conta com “Age Of False Innocence”, que mostra o quão desorientado o quinteto estava, sonoramente sem motivação, em poucos momentos até começa animar mas o desfecho é inglório. “The Maiden and the Minstrel Knight” consegue conquistar o prêmio de faixa mais massante do registro, tentando soar como aqueles temas felizes de folk, porém sem originalidade nenhuma, por consequência se tornando a faixa execrável do disco.
https://www.youtube.com/watch?v=1Cxp0KCqubk
Nem só de tristezas vive o homem, melhor dizendo o “A Night of The Opera”. “Punishment Divine”, vêm como esperança de salvação pro álbum não ser uma “lambreta”, com um riff marcante, com dois solos de guitarra impecáveis e temos também “Sadly Sings Destiny” que traz uma faixa melodiosa que cativa o ouvinte por toda sua extensão, tendo uma aula à parte dos vocais Hansi que consegue remeter à excelente discografia anterior.
Infelizmente pra haver um auge, tem que haver um declínio, e sem dúvida este álbum fosse um resto de estúdio ou um conglomerado de B-Sides seria mais honesto e audível aos fãs do Blind Guardian, podendo ser traçada uma comparação, de que o “A Night of The Opera” está pro Blind Gurdian assim como o “Virtual XI” está para o Iron Maiden, O “St. Anger” está para o Metallica e o “CODA” está para o Led Zeppelin.
Formação:
Hansi Kürsch (vocal);
Marcus Siepen (guitarra);
André Olbrich (baixo);
Thomas Stauch (bateria e percussão).
Faixas:
01 – Precious Jerusalem
02 – Battlefield
03 – Under the Ice
04 – Sadly Sings Destiny
05 – The Maiden and the Minstrel Knight
06 – Wait for an Answer
07 – The Soulforged
08 – Age of False Innocence
09 – Punishment Divine
10 – And Then There Was Silence

