SER FÃ É TUDO DE BOM

Roadie Metal Cronologia: Annihilator – Remains (1997)

Eu sou favorável a ideia de que as bandas devem experimentar à vontade. Devem incutir elementos, explorar estilos, qualquer coisa que lhes dê na telha. Mas que o façam dentro de um certo limite. Que seja amplo esse limite, mas que exista. O nome de uma banda é uma marca e traz uma gama de significados para o público. Se pretende realizar algo radicalmente diferente, por que não o fazer com outro nome?

Essa é uma opção que poderia ter sido aplicada parcialmente para esse disco. De fato, “Remains”, do Annihilator, poderia ter sido lançado como um trabalho solo de Jeff Waters, tamanha a distância que algumas das faixas chegaram em relação ao que entendemos como Annihilator. Mas, para sermos bem realistas, como podemos falar em um trabalho solo de Jeff Waters, quando o Annihilator não chega a ser, efetivamente, uma banda?

Sim, possui nome e aparência de banda, mas não creio que em algum momento tenha realmente sido uma. Ali parece haver uma porta giratória de integrantes, de uma forma que, dificilmente, alguém poderia dizer que o Annihilator já teve algo semelhante a uma “formação clássica”. Jeff é o Annihilator e, nesse disco, isso foi levado as últimas consequências. Em “Remains”, Jeff está mais sozinho do que nunca.

Tirando a participação de John Bates, nas guitarras em “No Love”, e de Dave Steele fazendo alguns vocais em “No Love” e “Wind”, o restante foi gravado unicamente por Jeff, tendo ele também cuidado das programações de bateria e da produção. O contexto temporal também não era dos mais propícios. Os gigantes do estilo estavam vivendo fases peculiares em suas carreiras, como se percebia pelos álbuns “Reload” (Metallica), “Jugulator” (Judas Priest), “Demonic” (Testament) e “One Second” (Paradise Lost). O Metal do norte da Europa estava em voga, com Tiamat, The Gathering, Stratovarius, Hammerfall e In Flames lançando alguns de seus principais discos. Dentro desse cenário, Jeff investiu numa pegada voltada para o Metal Industrial, mas sem conseguir resultados satisfatórios. Faixas como “Murder” e “Sexecution” poderiam ser confundidas com sobras de estúdio do Ministry, onde o compositor inseriu uma série de efeitos e resolveu que cantar sussurrado era uma boa ideia.

A coisa não muda de figura nas faixas seguintes e, quando chegou em “Never” eu já estava soprando de impaciência. O nome do álbum começava a fazer sentido para mim: “Restos” como uma das traduções possíveis. Era isso que estava parecendo. Restos não aproveitados em outras oportunidades e que foram remontados para esse lançamento. Não há mudanças relevantes até a sexta música, “Dead Wrong”, mas em “Wind” surge um sopro de esperança, sem trocadilhos.

Comparado com o que lhe antecede, “Wind” parecia estar no disco errado. Não é uma música espetacular. Isso não existe nesse disco, mas tem um clima mais agradável, como uma balada dark pesada. A partir de agora, o disco começa a mudar de figura, quase como se tivessem juntado, dentro de uma mesma capa, dois EPs diferentes. “Tricks and Traps” dispensa os efeitos irritantes e abre o caminho de retorno para o Thrash Metal. “I Want” prossegue com as boas intenções, que atingem os melhores resultados em “Reaction”, de longe a melhor faixa do disco, principalmente para quem chegou até aqui buscando identificar a banda cujo nome estampa a capa.

A última música, “Bastiage”, é uma instrumental sem muita variação e que não faria falta se tivesse sido deixada de lado. Este, enfim, é um disco estranho, dividido em si mesmo e que não possui um direcionamento claro. Começa indo para um lado e, de repente, dá uma guinada em outra direção. Caso queira começar a se aventurar pela discografia da banda, não inicie por este trabalho. Existem outros bem superiores, mas, se insistir, faça o seguinte: comece a ouvir na ordem inversa das músicas até chegar em “Wind”. As demais, ficam por sua conta.

Músicas

  1. Murder
  2. Sexecution
  3. No Love
  4. Never
  5. Human Remains
  6. Dead Wrong
  7. Wind
  8. Tricks and Traps
  9. I Want
  10. Reaction
  11. Bastiage

 

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Sobre: Anderson Frota

Anderson Frota

"Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse"

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