O álbum é um dos mais consagrados da carreira do cantor, que representa uma guinada em sua carreira, devolvendo-o definitivamente ao sucesso após se tratar do alcoolismo entre o final dos anos 70 e início dos 80. Quase todas as músicas fora escritas em parceria com o produtor Desmond Child e estão recheadas de participações mais que especiais.

Algo muito legal e uma ideia que sempre funciona bem, é colocar a mesma melodia se repetindo sob a regência de acordes diferentes, desde que uma coisa não deixe de se encaixar na outra. Poison tem isso logo no começo. Nada é mais chato do que aquilo que é previsível e o disco já começou bem.

A faixa Spark in the Dark, tem um riff que destaca-se principalmente pela semelhança harmônica com a música Sweet Dreams, especialmente na versão que foi regravada pelo Marilin Manson. Tirando isso e a letra meio sem graça, os timbres vocais e instrumentais são perfeitamente escolhidos. E a troca de tonalidade em um dado momento da canção, também é uma agradável surpresa.

House of Fire, tem um refrão pegajoso, bem daqueles que você precisa ouvir mais umas três outras músicas do álbum pra tirar da cabeça. Muito bem construído e em acordes tipicamente previsíveis dentro do que o cérebro absorve e aceita na hora. Acertaram em cheio nessa. É o tipo da música que funciona até no churrascão da família.

Agora sim, lá vem um daqueles sons perfeitos pra cair no meio da estrada e voltar só amanhã! Why Trust You pode entrar na playlist de qualquer um que ame o motociclismo ou a liberdade. O solo de guitarra, une precisamente o virtuosismo e o feeling de uma forma rara de se encontrar, o que torna essa parte muito esperada pra quem já está numa segunda audição.

E claro, tinha que ter uma balada daquelas que poderiam facilmente entrar em qualquer uma daquelas coletâneas Love Metal (vai dizer que você nunca teve ao menos uma entre as milhares que inventaram!). Only my Heart Talking. O mais interessante é que mesmo quebrando o ritmo que o álbum seguia até aqui, de forma alguma a música desagrada ou traz aquela sensação de que não deveria estar em meio às demais.

A loucura volta a reinar no ambiente, regida por uma bateria muito bem timbrada que chega a se sobrepor em qualidade ao restante da mixagem instrumental. O refrão de Bed of Nails não convence tanto quanto os das demais canções que já apareceram até o momento. Mas todas as intervenções da guitarra convencem. Insistir no refrão não foi uma boa idéia e por vezes chega a murchar o conjunto da obra.

Embora o mais simples de todos, o riff inicial de This Maniac´s In Love With You é o melhor do álbum inteiro, e a voz de Cooper está muito bem encaixada (não falando de afinação e sim de timbre). A presença dos teclados fazendo uma cama harmônica mais leve do que o usual, também funcionam como diferencial, além de mais um solo excelente. E por falar em harmonia, os acordes foram muito bem escolhidos e agradáveis justamente por fugirem do usual.

Trash, a faixa-título, é digna de seu posto! Não tem como não viajar nas oscilações entre os versos e o riff que se repete como uma marretada, principalmente quando é acompanhado pelo prato de condução da bateria. Geralmente, a faixa que nomeia o álbum é a que mais fica na sua cabeça quando você escuta, e essa cumpriu bem seu papel.

Hell is Living Without You é a segunda balada presente no álbum, colocada numa posição estratégica na lista, que poderia facilmente ser seguida à risca numa turnê do referido álbum, já que a dinâmica entre canções fortes e outras mais lentas favorece num show. E que solo! Notas longas e tocadas com paixão, como deve ser!

Você pode até achar a comparação nada a ver com nada, mas no início da faixa I´m your Gun, a voz de Cooper se assemelha muito à do Axl Rose na música “The Garden”. Tirando isso, ela é uma ótima forma de terminar um álbum. Como dizemos no Ceará, é um negócio aperreado. E é claro, mais uma vez a guitarra salva e faz seu trabalho magistralmente. É muito bom ouvir gente que não põe o virtuosismo acima de tudo. Sem dúvida, foi um ótimo álbum de se ouvir e falar sobre.

Faixas:
01. Poison
02. Spark in the Dark
03. House of Fire
04. Why Trust You
05. Only My Heart Talking
06. Bed of Nails
07. This Maniac´s In Love With You
08. Trash
09. hell is Living Without You
10. I´m Your Gun

Integrantes:
Alice Cooper – vocais
John McCurry – guitarras
Hugh MCDonald – baixo
Bobby Chouinard – bateria
Alan St. John – teclado

Convidados:
Steven Tyler – vocais em “Only My Heart Talkin'”
Jon Bon Jovi – vocais em “Trash”
Kip Winger – vocais em “I’m Your Gun”
Joe Perry- guitarra em “House of Fire”
Richie Sambora – guitarra em “Hell Is Living Without You”
Steve Lukather – guitarra em “Hell Is Living Without You”
Kane Roberts – guitarra em “Bed of Nails”
Guy Mann-Dude – guitarra em “Spark in the Dark”, “Why Trust You” e “This Maniac’s In Love With You”
Tom Hamilton – baixo em “Trash”
Joey Kramer-  bateria em “Trash”
Mark Frazier – guitarra em “Trash”
Jack Johnson – guitarra em “Trash”
Paul Chiten – teclados adicionais
Steve Deustch – sintetizadores
Gregg Mangiafico – teclados (efeitos especiais)

Backing vocals:
Myriam Valle
Maria Vidal
Diana Graselli
Desmond Child
Bernie Shanahan
Louie Merlin
Alan St. John
Tom Teeley
Michael Antony
Stiv Bators
Hugh McDonald
Jango
Jamie Sever
Joe Turano

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