Roadie Metal Cronologia: Accept – Predator (1996)

Toda banda que possui certo prestígio já passou por altos e baixos em algum momento da carreira e com o Accept não foi diferente. A mesma banda que havia lançado álbuns como “Balls to the Wall” (1983) e “Metal Heart” (1985) foi responsável pelo disco que decretaria uma pausa de 12 anos (de 1997 a 2009) nas atividades. “Predator” chegou às prateleiras do mundo inteiro em 1996, sendo o último disco com o vocalista Udo Dirkschneider, que seguiria posteriormente para uma carreira solo que dura até hoje.

Sobre o disco divisor de águas da história do Accept, este começa com a faixa “Hard Attack”, que tem um ritmo mais cadenciado que o convencional, porém com um bom refrão, que logo remete ao AC/DC, guardadas as devidas proporções. “Crossroads” vem em seguida com uma pegada até interessante, com mudanças de andamento ao longo da execução. Porém a música só dá uma relativa empolgada nos solos do guitarrista Wolf Hoffmann.

Já “Making Me Scream” é um pouco mais pesada que as anteriores, mas ainda precisaria de muito mais para se tornar uma música realmente digna de uma banda como o Accept. “Diggin’ in the Dirt” tem boas viradas de bateria e um baixo mais presente, mas é bastante cadenciada, se tornando um pouco cansativa e sem inspiração. Em “Lay It Down” e “It Ain’t Over Yet” o vocalista Udo Dirkschneider dá lugar ao baixista Peter Baltes, que até faz um bom trabalho, mas as músicas corroboram para mais uma performance desprovida de criatividade e energia. Baltes canta ainda em “Primitive”, a última faixa do disco.

Falando em “It Ain’t Over Yet”, esta desponta como uma das mais chatas do álbum, com um andamento desnecessariamente arrastado e cheio de experimentações em um trabalho que ainda não apresentou uma única música minimamente convincente. “Predator” ressalta os experimentalismos do Accept, que parece mais perdido no disco que o Brasil no 7×1 contra a Alemanha. Apesar disso, a faixa tem uma boa aparição do baixo no refrão, mas é só isso.

“Crucified” aparenta ser um sopro de ar fresco em meio ao caos em que o disco está imerso. Ledo engano. A faixa tem sim alguns bons aspectos, como o andamento mais “acelerado”, mas as invencionices que o Accept apresentou durante o álbum acabam colocando tudo a perder, tirando um potencial de uma música que parecia promissora.

“Take Out the Crime” é melhorzinha que a maior parte do disco, com um bom solo de guitarra de Wolf Hoffmann e um desempenho mais interessante de toda a banda, inclusive com um pouco menos dos experimentalismos desnecessários predominantes em quase todo o trabalho. “Don’t Give a Damn” vai na mesma onda da anterior, mas com um refrão bem razoável e Michael Cartellone destroçando a bateria em algumas passagens.

Apesar do álbum não trazer o melhor do Accept, dá para dizer que “Run Through the Night” resgata um pouco dos bons tempos da banda. A música é excelente, com um andamento ao estilo Heavy Metal clássico com um refrão potente e um belíssimo solo do guitarrista Wolf Hoffmann. A melhor faixa do disco com sobras.

Porém a grata surpresa é sucedida por outra música fraquíssima, a derradeira “Primitive”. Aqui, como eu já havia dito anteriormente, o baixista Peter Baltes assume os vocais na faixa mais estranha do trabalho. “Primitive” resume toda a ruindade do disco com um refrão pobre e um instrumental que deixa bastante a desejar.

Definitivamente, o Accept fez muito bem em se afastar dos palcos tempos depois do lançamento deste horrível “Predator”, tanto é que na volta da banda, em 2009, com uma formação um pouco diferente, é verdade, foram lançados álbuns aclamados como por exemplo “Blood of Nations” (2012) e “Blind Rage” (2014), provando que às vezes é necessário dar uma pausa para respirar e poder recomeçar com força total.

Formação:
Udo Dirkschneider (vocal);
Wolf Hoffmann (guitarra);
Peter Baltes (baixo e vocal nas faixas 5, 6 e 12);
Michael Cartellone (bateria).

Faixas:
01. Hard Attack
02. Crossroads
03. Making Me Scream
04. Diggin’ in the Dirt
05. Lay It Down
06. It Ain’t Over Yet
07. Predator
08. Crucified
09. Take Out the Crime
10. Don’t Give a Damn
11. Run Through the Night
12. Primitive

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Sobre: Carlos Acioli

Carlos Acioli

Recifense, fã de metal desde os 13 anos de idade. Teve sua iniciação com o clássico álbum ao vivo do Iron Maiden no Rock In Rio de 2001. Gosta de várias vertentes da música pesada.

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