Resenha: Wolf On Fire – Echolomania (2019)

by Tatianny Ruiz

Desde a minha vinda para a Noruega eu sempre assumi a missão de desbravar os fiordes de ponta a ponta do país em busca do que está escondido no cenário musical da escandinávia além do peso e da obscuridade previamente determinada pelo público brasileiro, eu sei, você pode citar alguns bons nomes mas falar sobre hard rock aqui é pisar em solo arenoso e incerto, pelo menos é o que muitos pensavam.
Como eu sempre digo “tudo tem uma exceção” e se edificando no passar dos anos e nadando na maré contrária das influências do país está a banda WOLF ON FIRE, fundada em 2011 em Stavanger pelo vocalista e guitarrista Christian Øvrevik.

Foto de divulgação

Em meio a uma cena defasada em músicos dos gêneros extremos Christian assumiu uma grande missão para encontrar integrantes que aceitassem a proposta e isso se fundamentou com um baixista islandês, um barbudo de Haugesund e um cara contundente de Rennesøy, e assim estava constituído um time abrasador prontos para incendiar a cena local norueguesa e mais.
Contribuindo com influências de uma ampla variedade de gêneros WOLF ON FIRE se formou como uma banda referência de hard rock mais madura e cativante se beneficiando da escuridão dos estilos que os rodeiam, o que os rendeu finalmente uma posição mais firme capaz de entregar um álbum de estréia a altura de sua proposta inicial.
Lançado no dia 18 de janeiro de 2019 pelo selo WOF RecordsEcholomania‘ foi produzido pela própria banda com o auxílio de algumas outras pessoas qualificadas durante os anos. A bateria foi gravada no estúdio da banda norueguesa Skambankt bem como a mixagem por Kristoffer Grude no Black Rhino Music, masterização pelo conceituado Alan Douches no West West Side Studio (Mastodon, Roky Erickson, Kvelertak, Converge, etc) e arte de capa por Trine e Kim Design Studio de Oslo.

Dadas todas as informações nós agora mergulhamos neste lançamento do último ano na faixa título “Echolomania” e existe muito peso sendo empregado aqui, Christian possui uma voz muito vigorosa e me fez lembrar de alguns nomes consagrados do hard rock britânico. Eu me lembro de ouvir o termo “hard rock de macho” (risos) a muitos anos atrás, uma denominação para uma musicalidade mais centrada e dinâmica do que o hard rock “festivo” que a maioria associa ao gênero e nós podemos perceber que Wolf On Fire se encaixa exatamente nisso. As guitarras são pulsantes e mesmo faixas como “Spirit Of Dolus” mantém uma sombria e insinuante compostura, meticulosamente instigante.

Esqueça aquela linha do hard rock de temas superficiais, esta banda se aproveitou das atmosferas, melodias e riffs cravados do metal negro e injetou no gênero envenenando cada palavra, eu realmente gosto disso, existe uma certa dramatização que me fez lembrar de W.A.S.P e sua selvageria, principalmente em “Monster Of Creation“. Os solos são curtos mas existe um sentimento alucinógeno e sedutor nesta banda, um drink infernal para qualquer apreciador da vertente.

Alguns momentos de elevação são muito bem empregados e nos tomam de volta ao hard/heavy rude e imaculado do passado sem perder o brilho da própria identidade, e entre gritos de aclamação e violões acústicos “Queen Of Desire” se torna um dos melhores momentos deste trabalho. Eu quase posso ver isso sendo executado ao vivo e certamente enlouqueceria o público.
Arild fornece uma superfície muito firme na bateria a todos os outros integrantes e a sonoridade massissa é plano de vôo aberto para os vocais, embora um pouco mais de efeitos sejam utilizados do que eu gostaria.
A sonoplastia deste álbum também é algo que merece destaque, quase soando como um pesadelo macabro e cheio de momentos de suspense.
O álbum ainda apresentará alguma cadência em “How To Talk To Indians“, um tipo de interlúdio antes que a faixa se desdobre em camadas mais épicas e condensadas em melodias deliciosas, e quanto delicioso é ouvir isso, quase como sentir de volta aquela irônia sarcástica como a muito tempo eu não ouvia, aliás também é preciso reconhecer as guitarras se entrelaçando neste ponto, algo que traz muita classe ao álbum e finalmente com Thomas assumindo a dianteira.
Dødens Stemme” rebate o contraste do cenário norueguês e eu realmente gosto nesta mescla perturbadora que Wolf On Fire foi capaz de criar, para ser franca, eu nunca tinha visto uma banda de hard rock tocar em temas tão obscuros sem que isso parecesse tão artificial antes, mas certamente eles o fazem e eu mal posso esperar pelo próximo lançamento.

https://open.spotify.com/artist/3F61DIeLSqVeKMYuii9LyS?si=kLTs7BjWToyFfQzVFB9e6A
Wolf On Fire – Echolomania
Data de lançamento: 18 de janeiro de 2019
Gravadora: WOF Records

Tracklist:
1 – Echolomania
2 – Dødens Stemme
3 – Spirit Of Dolus
4 – Monster Of Creation
5 – The Punisher
6 – Queen Of Desire
7 – How To Talk To Indians

Foto de divulgação

Membros da banda
Christian Øvrevik – Voz e guitarra
Thomas Helgeland – Guitarra
Jóakim Snær Sigurðarson – Baixo
Arild Nådland – Bateria

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  • 8.5/10
    Wolf On Fire - Echolomania (2019) - 8.5/10
8.5/10

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