Resenha: Venom Inc. – Avé (2017)

A banda se separa e os membros dissidentes formam um novo projeto. Até aí, nada de extraordinário. Mas, digamos que o tal novo projeto replique o nome da banda originária, apenas acrescido de um sufixo. Digamos também que a menção ao nome de origem tenha também o preciosismo de reproduzir o mesmo grafismo do logo original! Me parece que deve ter advogados fazendo hora extra para lidar com essa situação tão inusitada… Porém, a batalha jurídica soa minimizada quando comparada com a contenda musical e, na presente fase processual, o Venom Inc. apresentou uma petição que dificilmente poderá ser embargada: o recém-lançado álbum “Avé”!

Contando com a formação responsável pelo clássico “Prime Evil”, ou seja, Tony “Demolition Man” Dolan, no baixo/vocal, Jeff “Mantas” Dunn, na guitarra, e Anthony “Abaddon” Bray, na bateria, “Avé” já desponta como um dos melhores trabalhados gerados sob a marca “Venom”, em qualquer uma de suas encarnações. O Black Metal, como estilo, sofreu intensas mudanças ao longo do tempo, e fãs de bandas como Mayhem talvez não consigam fazer a associação daquilo que conhecem com a música que o Venom Inc. apresenta, mas se Mantas e Abaddon não puderem ser considerados como Black Metal, então ninguém mais pode. O som está bastante cru, sujo, abusado, e se for necessário apontar um destaque no trio, esse certamente vai para Abaddon, que parece não ter sido afetado pela passagem do tempo, conforme demonstram suas viradas.

A abertura é coroada pelo peso absoluto e clima sinistro de “Ave Satanas”, mas é a partir de “Forged In Hell” que o fogo infernal começa a queimar com mais intensidade, em uma faixa cujo riff principal lembra a eterna “Welcome To Hell”. A velocidade aumenta para a insânia Thrash de “Metal We Bleed”, que já nasce obrigatória para ser desencadeada nos shows!

Uma levada de baixo pedal dá início à climática e insinuante “Dein Fleisch”, com uma cadência levemente industrial que a torna uma das melhores do disco, precedendo “Blood Stained” até chegar em “Time To Die”. Nesse momento, nenhuma resistência permanecerá incólume, pois o ataque violento dessa faixa faz dela uma das melhores do disco… Ah, eu já disse isso??? Não importa, o nível aqui está tão intenso que qualquer uma das músicas pode ser considerada nesse patamar, inclusive a próxima “The Evil Dead”!

“Preacher Man” retorna ao peso macabro e abre espaço para “War”. Mantas apresenta solos curtos e eficientes, sem embromação, pois sabe que a força do Venom está na base contundente de suas músicas. “I Kneel To No God” foi feita para que seu refrão seja entoado com os punhos erguidos e é a penúltima antes que “Black´n´Roll” surja para concluir esse rolo compressor sonoro chamado “Avé”. Enquanto existem tantos discos por aí que desafiam a boa vontade e a paciência do ouvinte, o álbum de estreia do Venom Inc. termina e lhe deixa com a sensação de que passou rápido demais. Tão rápido quanto as faixas insanas e maníacas desse trio que escancara autoridade em cada segundo do disco. Ao final, a questão do nome é um detalhe que não irá importar. Sim, é certo que será chamativo para que você se sinta atraído para escutar o trabalho, mas passadas as onze músicas não fará diferença, pois você não irá lembrar sequer de seu próprio nome!

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Sobre: Anderson Frota

Anderson Frota

"Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse"

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