Resenha: Suum – Buried Into The Grave (2018)

O que é que tem na água que os italianos bebem para que lá se produza tanta banda de Doom Metal com altíssima qualidade? Em qualquer vertente do Gênero Maldito, a Itália é dona de alguns dos melhores representantes. Em se tratando de Doom Metal clássico, aquele em que o Black Sabbath é injetado na veia sem dó nem piedade, uma nova banda do País da Bota surge e já se destaca: é o Suum, de Roma, a Cidade Eterna.

Fundada em 2017, o grupo lançou recentemente seu debut intitulado Buried Into The Grave através da gravadora russa Endless Winter, que também já lançou a banda brasileira de Death/Doom Aporya. Composto de sete faixas que totalizam confortáveis 35 minutos, o álbum brinda o ouvinte com aquele Doom Metal clássico e puro. Nada do odor fétido do Death Metal, nem de vocais cavernosos guturais e completamente despido de alguma beleza do Gótico. O Doom Metal do Suum é aquele ensinado pelo Black Sabbath, porém mais variado e dosado com o peso do Candlemass, sem trazer, todavia, o apelo épico da banda de Leif Edling. Bandas como Procession e Witchsorrow fazem esse tipo de Doom Metal hoje em dia, mas os italianos fazem a mesma coisa a sua maneira peculiar. Inclusive com alguma influência do Blues, que foi bem encaixada e aproveitada no Doom Metal do grupo. E é isso que mais agrada e chama a atenção em Buried Into The Grave.

O álbum se inicia com o baixo distorcido a puxar o riff de Tower Of Oblivion, que traz consigo guitarras em wah-wah e a bateria com uma levada arrastada (tente não se sentir enforcado com o riff que se inicia após o solo). Um ritmo um pouco mais rápido (dentro dos limites do Doom) puxa a faixa 02, Black Mist, que dá continuidade ao clima lúgubre de sua antecessora. Uma certa influência de Blues é o que destaca a faixa 03, a que dá nome ao disco. Ora, cabe lembrar que o Doom nasceu do Blues, tendo em vista que o Black Sabbath sempre transitava pelos dois estilos.

As três primeiras músicas têm algo em comum: todas trazem um segundo riff que surge após um solo ou uma ponte e que servem de ligação para a volta dos vocais de Mark Wolf. E esses riffs sempre trazem uma carga soturna mais forte que os riffs principais das músicas, de modo que cada composição fica variada e rica, com as qualidades do Doom sempre postas em evidência.

Last Sacrifice traz uma certa aura setentista em seu começo, antes de cair para um Doom sujo e mortal após sua metade. O ouvinte concentrado logo é transportado para uma caverna úmida e de pouca luminosidade. Estando lá dentro, os ouvidos do ouvinte testemunham mais um Blues/Doom que se inicia em Seeds Of Decay, a mais variada do álbum. Saindo do Blues negro, a música passeia pelo Doom imponente ensinado pelo Candlemass e depois vai para um empoeirado Stoner graças ao wah-wah da guitarra, que sempre entra em ação em momentos providenciais. O interlúdio instrumental The Woods Are Waiting é negro e ao mesmo tempo etéreo, como se você estivesse sentado à beira de uma fogueira, a noite, no Bosco Archiforo, uma das mais belas florestas italianas. O fim se inicia grandioso e imponente com a música Shadows Haunt The Night, pesadíssima e esfaceladora. Seu solo é o que mais se destaca em todo o álbum, antecedendo o pesaroso fim do mesmo.

Ao longo de toda a audição de Buried Into The Grave, os vocais de Mark Wolf se destacam pela interpretação sofrida e pelos ecos que dão a impressão de que a voz vem de um distante monastério nas montanhas. O guitarrista Painkiller não deveria se chamar assim; um pseudônimo mais apropriado seria Hand Of Doom, tamanha sua destreza em performar riffs cavernosos, solos emblemáticos e elaborar timbres pesadíssimos com seu arsenal de efeitos. Tudo que ele executa é seguro pelo forte alicerce criado pelo baixista Marcas e pelo baterista Rick. A mixagem favoreceu tanto os tons de sua bateria que em alguns momentos eles soterram os vocais, como na faixa dois, Black Mist. Afora isso, a forte sujeira na instrumentação reforça o peso e o lado negro das composições do Suum. O ótimo trabalho de estúdio foi assinado pela própria banda e registrado no Devil’s Mark Studios em Roma.

Que os italianos sabem criar Heavy Metal de um jeito que só eles sabem é fato! O mesmo se aplica ao Gênero Maldito, de modo que a continuidade do legado do finado Black Sabbath está seguro por muitos anos graças a nomes como o Suum. Cada músico desta banda possui vários outros projetos, então não teremos certeza quando o Suum lançará um novo álbum. Pode levar o tempo que for preciso, desde que retornem com a qualidade igual ou mesmo superior a este debut.

Se conseguirem.

Buried Into The Grave – Suum (Endless Winter, 2018)

Tracklist:
01. Tower Of Oblivion
02. Black Mist
03. Buried Into The Grave
04. Last Sacrifice
05. Seeds Of Decay
06. The Woods Are Waiting
07. Shadows Haunt The Nigth

Line-up:
Mark Wolf – vocais
Painkiller – guitarras
Marcas – contrabaixo
Rick – bateria

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Sobre: Bruno Rocha

Bruno Rocha

"Cearense de Caucaia, estudante e professor de Matemática, cafélotra e torcedor do Ferroviário. Desde a adolescência caminha nas veredas da música pesada e desde então é um aficionado e pesquisador de seus diversos gêneros e épocas. Tem preferência pelo Doom Metal, mas ama Depeche Mode e flutua facilmente de Burzum a Kraftwerk, passando por Stratovarius e por Genival Santos. Também atende pela Blitz Metal e pela Epicus Doomicus Metallicus."

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