Nota-se, por todo o fluxo da narrativa, que Sebastian Bach tem a perfeita compreensão de seu papel como profissional do entretenimento. Quem adquire um livro dessa natureza quer, pelo menos a princípio, desfrutar de momentos de lazer acompanhando boas histórias. Nesse sentido, o livro tem o mérito de nunca deixar o leitor para baixo. Há momentos mais tristes ou tocantes, mas que não chegam a transmitir uma carga emocional pesada para o leitor. Tudo flui com bastante leveza, como se fosse uma coletânea de pequenas crônicas e aventuras pitorescas, bem parecido com o que amigos fazem quando se reúnem e ficam resgatando suas lembranças, naquele clima de “lembra daquele dia em que…”.
Por outro lado, talvez o grande defeito da obra esteja em seu título. “Minha vida no Skid Row”. Não é bem assim. Aliás, talvez seja até um pouco decepcionante para quem esteja esperando um maior aprofundamento sobre o dia-a-dia daquela banda ou de sua dinâmica interna de funcionamento. É provável que Bach, movido pelas suas mágoas e pela forma como tudo se encerrou, tenha evitado entrar em maiores detalhes sobre os ex-colegas. De repente, somos informados de que o vocalista viajava em um ônibus separado, mas não sabemos porque isso se deu, o que levou a essa diferenciação. Quando músicos de bandas como Kiss, Aerosmith, Metallica, Pantera, Motley Crue, Bon Jovi e Guns’n’Roses surgem na história, fica nítido o contraste existente na forma como as memórias do relacionamento do autor com eles transparece mais detalhada e interativa do que com sua própria banda.
Então não mergulhe na leitura querendo saber mais sobre fatos como o que ocorreu ao redor da realização do último show da formação clássica do Skid Row, realizado em um festival no Brasil, pois o evento é apenas mencionado e segue-se adiante. Seguir adiante, por sinal, foi justamente o que Bach fez, pois sua carreira prosseguiu após o aparte e adentrou em diversificações bem-sucedidas para além do universo de discos e turnês, investindo em participações em séries de televisão e em atuações nos palcos da Broadway, da qual a mais destacada foi na montagem de “O Médico e o Monstro”.
Toda a empatia gerada pelo autor é construída logo nas primeiras páginas, no momento em que acompanhamos o desenvolvimento do garoto apaixonado por música e quadrinhos, que sempre recebeu apoio do pai artista plástico – uma presença muito forte na sua vida – e que vislumbrou no Kiss os heróis que guiariam o seu futuro. Não obstante a romantização de seu próprio personagem, o que nos resta é a imagem de alguém com traços fortes de humildade, sendo que essa impressão surge através da quantidade imensa de “desculpas” que o autor pede ao longo do livro. Uma autobiografia pode ser uma válvula para celebrar o próprio ego, e isso corresponde ao padrão mais constante, mas nesse presente caso ela soa mais como sessão de terapia, sem ranço de desabafo ou transferência de culpa, mas apenas pela vontade de rever sua trajetória e lembrar, junto com os leitores, tanto as boas coisas quanto as besteiras feitas, exatamente daquela mesma forma que os amigos costumam fazer.