Décimo quinto álbum da banda alemã de Hard Rock, Unbreakable retorna à fórmula que foi utilizada nos trabalhos de maior sucesso do grupo, mesclando tanto as já conhecidas baladas que ajudaram em muito a consolidar o som dos caras mundo a fora quanto as pedradas com as quais já estamos acostumados.

Na primeira faixa intitulada Through My Eyes, logo de início a guitarra chega com uma intro que em partes lembra ao longe o trecho mais marcante de outra composição já clássica chamada Send Me An Angel, impressão essa que se desfaz em breve com os primeiros riffs carregados de distorção. Ponto alto a ser ressaltado aqui é o solo de guitarra iniciado aos 3:07 além da sempre impecável performance vocal de Klaus Meine.

 

E como não poderia deixar de ser, lá vamos nós com mais uma balada daquelas dignas de uma versão do Calcinha Preta (Deus queira que eles nunca ouçam essa música e a estraguem!)! Uma coisa interessante é que o solo que introduz a canção começa no tom de dó maior, mas inteligentemente na entrada do vocal que fica repousando sob o domínio do acorde de sol que é o quinto grau, o mesmo se transforma em tônica, causando um efeito bastante agradável. Mesmo que você não seja músico e não tenha entendido patavinas do que eu disse, ouça o início da canção e preste muita atenção nos exatos 5:46. Além disso, há outras sacadas harmônicas que apenas gênios como os Scorpions são capazes de conceber.

Agora com um dos riffs mais viscerais e penetrantes da carreira da banda, New Generation simplesmente é uma porrada do início ao fim, um teste de resistência pra pescoços treinados mesmo sendo lenta. Como sempre, A exemplo de seu colega Rudolf Shenker, o guitarrista Mathias Jabs não erra a mão jamais quando o assunto é solo, a capacidade deles de impor expressão em cada nota é absurda! É como se cada nota tivesse um propósito, levando ao ouvinte toda a fúria que a música necessita.

Maybe I Maybe You vem com uma letra linda acompanhada por um piano executado à altura da atuação mais uma vez majestosa de Klaus,  que não é mais nenhum garoto, porém ainda tem um vocal simplesmente flamejante e que causa inveja em muita gente que não tem metade de sua idade. Algo a se destacar aqui é a mudança de clima total quando a banda inteira entra junto, com linhas pesadíssimas em cada instrumento até mesmo remetendo a um trecho muito famoso de William Tell Overture, um deleite aos amantes da música clássica.

My Cyty My Town é um Hard de respeito, com direito a todos os clichês e ainda mais algumas sobras! O que de forma alguma a torna uma canção ruim, com refrão em tom maior conduzido lindamente pela bateria e terminando em um riff que transporta quem ouve até um clima mais country.

Deep and Dark é um exemplo de como fazer música de fossa sem soar Emo. Dá até vontade de fazer uma cagada pra depois poder reclamar das desgraças da vida tomando café e ouvindo essa música. Além da letra, temos a harmonia que é composta por uma progressão simples e que embora já saturada de tanto uso por outras bandas em outras composições (isso não configura plágio), não soa ruim e é uma prova de como se pode fazer muito com pouco.

https://www.youtube.com/watch?v=VN-ko0gfMAE

E tome riff nas suas orelhas! Love’em or Leave’em é mais uma daquelas que fazem a gente sentir vontade de pegar a vassoura e sair tocando guitarra imaginária por aí! Preste bastante atenção no contraponto que as guitarras fazem juntamente ao vocal no refrão, coisa de gênio meu irmão! Coisa de quem estuda música, vive-a e sabe o que faz com o instrumento que toca!

James Kottak nunca foi exatamente um virtuose em seu instrumento, mas o que ele economiza em virtuosismo, esbanja em bom gosto na hora de construir suas partes. É aquele tipo de baterista com o qual você pode tocar contrabaixo sem precisar olhar para trás, tamanha é a segurança e consciência que o cara passa. Se você for baterista, isso pode ser conferido em Borderline, que contém tudo o que descrevi, além de duetos e solos vocais muitíssimo bem trabalhados.

De harmonia fácil e uma ótima pedida pra quem dá aula de guitarra pra iniciantes poder usar como exercício e exemplo, Someday is Now é uma daquelas músicas em que a banda inteira economiza em seus respectivos instrumentos, afinal de contas, a molecada precisa conseguir tocar alguma música do álbum pra poder dizer: mainhêeeeee! Tô tocando uma música dos Scorpions!

Você… você mesmo que é cantor de Rock! APRENDA COM O MESTRE! Klaus Meine simplesmente sabe como usar a dinâmica, brincando com a sutileza e a agressividade conforme a canção Can You Fell It pede. Somente alguns anos de experiência e muita estrada rodada podem trazer a um músico, a consciência de que a canção não nos serve e sim nós servimos a ela.

Agora sai da frente que eu vou digitar dançando com o notebook na mão, porque eu sou é doido! Blood Too Hot me traz lembranças de quando eu tive minha primeira banda e tocava isso em todos os ensaios! Olha só que bateria, que vocal e que som de baixo na medida!!!! Doido, só digo uma coisa: if your blood is too hot stand up and rock with me que lá vem o melhor solo do álbum inteiro aos 45:53!

Existe gente que toca legalzinho, tem gente que toca bonito, e tem gente extraordinária como esses dois demônios que comandam as guitarras aqui. This Time consolida a capacidade de Rudolf e Mathias de criarem riffs fantásticos! Acompanhem do início ao fim e ouça do que estou falando.

E a audição é finalizada com mais um hard típico e incorrigível. Uma coisa diferente aqui é a equalização do microfone que difere de todas as músicas cantadas anteriormente, o que dá ao timbre do vocalista um som mais setentista. De fato, Unbreakable é um álbum daqueles que vou ouvir sempre várias vezes seguidas!

Faixas:

1. Through my Eyes

2. She Said

3. New Generation

4. Maybe I Maybe You

5. My City My Town

6. Deep and Dark

7. Love’em or Leave’em

8. Borderline

9. Someday is Now

10. Can You Feel It

11. Blood Too Hot

12. This Time

13. Remember the Good Times

 

Membros:

Klaus Meine- Vocais

Mathias Jabs- Guitarra

Rudolph Shenker- Guitarra

James Kottak- Bateria

Pawel Maciwoda- Baixo