Letras que falam da situação escrota de nosso Brasil, infelizmente serão sempre atuais devido aos incontáveis escândalos político-financeiros sempre sofridos. Um exemplo claro disso, é o Ratos de Porão, com músicas dos anos 80 que caem como uma luva nos conturbados dias atuais. Mas em meio a esse cenário dramático, onde milhões de pessoas sentem o reflexo desses crimes, também temos a banda goianiense Mugo.

Formado em 2006, o Mugo traz em sua bagagem três álbuns de estúdio; ‘Go To the Next Floor’ (2009), ‘The Overwhelming End’ (2012) e o mais recente ‘Race of Disorder’ (2017) – todos lançados de maneira independente. Esse último, é tema do texto de hoje.

Que eu sou chegado numa arte de capa, isso não faço questão de esconder, aliás, gosto de deixar isso bem explicito em meus textos, já que além do gosto pessoal, são detalhes que geralmente passam despercebidos. E aqui, ‘Race of Disorder’ nos apresenta um trabalho artístico muito interessante e profissional. Confesso também, que o selo “Parental Advisory: Explict Content” e o formato em digipak (mesmo nem sempre sendo muito prático para se guardar) deram lá um charme extra ao material.

Em oito faixas, Pedro Cipriano (vocais), Guilherme Aguiar (guitarra), Faslen de Freitas (baixo) e Weyner Henrique (bateria) se desdobram em um Metal violento, com doses de Thrash, Death, Groove Metal e talvez algo de Core aqui e ali. Uma sonoridade atual, bem gravada e produzida, que faz um belo par ao já citado caso das letras, também é facilmente percebida. Ah, e tudo isso em menos de 43 minutos de uma musicalidade que te empolga pelo instrumental e “revolta” pelo o que é cantado – nada que você não tenha visto no telejornal da sua emissora de confiança ou pelas ondas da internet mesmo.

Nada como abrir os trabalhos com a faixa título “Race of Disorder”, mostrando fúria e diversidade logo nos primeiros instantes. Conduzidos por uma bateria nervosa, os riffs cortantes dão a tônica da abertura, que inclusive ganhou um vídeo clipe. “Seeds of Pain” exibe uma pegada que não dá pra ser muito bem interpretada, sendo que soa Thrash aqui, Death ali e Groove acolá, que como todas as outras faixas, mostra o cuidado com a diversidade no processo de composição. Falando em Thrash a direta “Corruption” já é mais voltada ao estilo, mesmo que com uma breve mudança em seus instantes finais, e só fico imaginando sua execução nos shows, sendo responsável por um belo agito por parte do público.

“Sanguessugas” é a primeira das três faixas cantadas em português, com uma aura um pouco mais sombria. “Deliverance” vem em seguida e é ponto em que se reforça o fato de que os vocais de Pedro Cipriano soam bem versáteis – caso você ainda não tenha percebido isso -, indo do rasgado a um gutural mais fechado em poucos segundos. Não se engane pela levada mais cadenciada de “Think Twice”, apenas aumente o som! Para o fechamento, temos as outras duas faixas em nossa língua pátria, com a sugestiva e furiosa “Terra de Ninguém” e a grandiosa “Elo Quebrado”, que no bom refrão me lembrou um pouquinho a banda mineira Eminence.

Chega de papo, e aperte esse play você também!

Faixas:
01. Race of Disorder
02. Seeds of Pain
03. Corruption
04. Sanguessugas
05. Deliverance
06. Think Twice
07. Terra de Ninguém
08. Elo Quebrado.