Resenha: Jinjer – Macro(2019)

by Allan Sampaio

On the top ja começa com um riff do que eu chamaria de caótico, pelo uso de acordes dissonantes, o que é bem parte da caracteristica da banda, mas quando se trata de uma banda que tem a modernidade como inspiração maior, você passa a entender algumas partes e melodias, nesse caso, ela já começa a parte vocal bem bruta, certas vezes eu nem diria que é uma mulher cantando (e não interpretem isso como machismo), mas se tem uma coisa que eu me surpreendo é essa transição vocal da Tatiana do gutural para o vocal limpo, mesmo nos show ela faz isso com facilidade e qualidade, a grande parte legal dessa música é o uso do compasso com todos juntos, sim, todos, bateria, vocal, baixo e guitarra, lembra bastante o que o Meshuggah faz, e se tratando de metal moderno, quase tudo vai lembrar Meshuggah.

Pit ou Consciousness é o que eu chamaria de música pra trilha de filme de luta, acho que também poderiam usar nas lutas do UFC (risos), é uma bela faixa, com um ótimo destaque pra bateria do Vlad Ulasevich, tem 70% do vocal urrado, e tem uma quebra de compasso bem interessante, também conta com uma queda no andamento, em que o vocal gutural se faz mais evidente, e mais uma vez eu digo, que vocal limpo maravilhoso ela tem, apesar da faixa ter pouco mais de 4 minutos, ela é bastante dinâmica.

Judgement (& Punishment) é groovada, bem bacana, lembra o Gojira(olha eu não disse Meshuggah), e pasmem , a música tem um reggae, e logo vem a porrada com gutural, e se divide em vocais limpos, mas o ponto alto da música é esse reggae, porque de fato é cereja do bolo pra construir toda a melodia restante da música entre mudanças de compasso e andamento, e pra mais da metade da música, até o Death Metal bastante direto e reto você vai ouvir, e nesse caso aqui, a  música inteira é o destaque.

Retrospection começa e russo, e migra pro inglês, a letra me parecer ser algo bem íntimo da própria Tatiana, pelo que contém , tem algumas mudanças de vocais, e eu não sei dizer qual parte gostei mais, porque todas a mudanças caíram muito bem para o que foi feito pra essa música, até as partes que você já nota a mudança pra algo mais técnico, ou a parte do Death Metal mais uma vez inserido em uma música, mesclado com Djent e Prog Metal, é uma faixa bastante interessante, mais uma de destaque.

Pausing Death, Reta com a Av. Presidente Dutra, no início pelo menos, mas logo ja começa as “quebradinhas”, tem alguns riffs que soam como se tivesse abafadores, dando um aspecto mais seco, mas nitidamente é um riff bem complicado, uma das mais difíceis do cd, e imagino que será a mais complicada pra executar ao vivo, tem Death, tem groove, tem contratempo, tem bastante palm-mute, e tem uma ótima queda com destaque para o Eugene, o desta que vai pra ele, porque além desse momento, toda a linha de baixo é bastante interessante e de grande dificuldade.

Noah é a cara do Meshuggah com o Gojira, Djent, pesada, bastante uso de pedal duplo, e em certas vezes parece mesmo o vocalista do Meshuggah, mas é aquilo, Jinjer mostra suas influências, mas também mostram como fazem o metal moderno do seu jeito, Tatiana não só fez uso do gutural e do vocal limpo, ela abusa do drive nessa música, apesar de ser uma faixa com pouco mais de 4 minutos, ela é uma daquelas que tem bastante mudanças e você simplesmente não vê ela passar.

Home Back é bem bruta em seu início, mas a Tatiana com essas mudanças vocais é surpreendente, porque  esse vocal de voz média, não muito grave e nem agudo, traz uma força, a música em bem intrincada em todo o instrumental, e no meio da música o “tal” do Eugene vem de novo mostrando o porque de ser um dos meus preferidos da atualidade, e segue uma bossa nova, meio que puxando pro Jazz, que da uma cara nova pra música, e logo a insanidade volta, e caminhando pro fim, Tatiana fez uso de guturais mais graves que o comum, eu pelo menos não ouvi ela fazendo isso com frequencia, mais uma faixa de destaque.

The Prophecy, é bem a cara do Brutal/Progressive Death Metal, mas claro adicionado alguns vocais limpos, mas é só alguns mesmo, porque logo o andamento cai , e só se ouve urro desesperador, mas é por alguns poucos segundos também,  a grande cara dessa música está calcada no Death Metal e no maravilhoso blast beat feito pelo Vlad, o cara realmente é versátil, completo e tem as mãos e pés bastante pesados, uma faixa pra ser bem notada no álbum.

IainnereP, é basicamente uma faixa instrumental, porém bastante desta em alguns momentos, tem pianos, pads, alguns momentos de destaques para cada instrumento, fizeram uma boa faixa de encerramento.

E nesse quarto lançamento dessa novíssima banda que a cada lançamento vem conseguindo uma multidão de fãs mundo a fora, trouxe algumas novidade com mais uso do Death Metal e a mescla com alguns outros gêneros, eu diria que acertaram em tudo o que tentaram apresentar em Macro, eu sei que já estão e espero que a banda colha mais frutos ainda por conta de sua personalidade e talento, o quarteto é excelente , todos em seus instrumentos são excelentes, são nove faixas ótimas, então…

vida longa ao Jinjer.

Nota: 8,5/10

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