Resenha: Heretic – λειτουργία (2015)

A música instrumental sempre desafiou os limites da perfeição. E quando se trata de heavy metal a autoconfiança do músico é ainda maior, pois sabe que o público é um dos mais exigentes.

Em 2011, o Heretic de Goiânia/GO lançou Opus Heretika, que a banda considera como demo, logo após, em 2013, solta o EP Lamashtu, e só em 2015 debuta oficialmente com este λειτουργία (pronuncia-se Leitourgia).

Com uma base musical influenciada pelo death metal e estilos menos extremos, o trio que gravou esta obra se inspirou na arte helênica e, além de utilizar os instrumentos essenciais à boa música pesada, se valeu também de vários arranjos para dar uma atmosfera rica e essencial ao tema.

Produzido no Studio Sonoro de Goiânia, o álbum revelou-se como um misto de peso e virtuose tarefados pelas mãos de Guilherme Aguiar (guitarra), Diogo Sertão (baixo) e Laysson Mesquita (bateria). A banda ainda contou com a participação do multi-instrumentista Lucão, que adicionou linhas orientais ao disco. A capa que acompanha o clima sonoro foi um trabalho de João Brito.

Apesar de ser um trabalho instrumental com porções generosas de experimentalismo, Leitourgia encanta pelos riffs e solos que despejam peso e beleza em cada uma de suas dez músicas. Percebe-se a qualidade das composições logo na entrada, com Rajasthan Ritual, uma execução que expande horizontes.

Para quem gosta de algo mais direto, faixas como Ghost of Ganeesha e Unleash the Kraken contêm riffs que abusam do peso e da pegada da bateria, apesar de oferecerem também belas melodias no acompanhamento dos solos.

O ápice da virtuose em Leitourgia pode ser conferido em Sonoro, que é um banho de solos melódicos sustentados pelo trabalho de percussão de Lucão e suas tablas. A música pode deixar o ouvinte em estado de espírito absoluto, sem contar que a versão feita para Solitude (Black Sabbath), ficou ainda mais melosa.

Álbuns como este nos faz refletir em coisas inimagináveis que o homem é capaz de fazer pela música e, mais ainda, nos enche de orgulho por sabermos que é uma obra brasileira e também nos faz apagar da memória, nem que seja pelos seus 47minutos, todo o pavor que forma a musicalidade brasileira de hoje.

Formação:

Guilherme Aguiar – guitarras

Laysson Mesquita – baixo

Diogo Sertão – bateria

Lucão (convidado) – instrumentos orientais, guitarras, sintetizadores

Músicas:

01.Rajasthan Ritual

02.I Am Shankar

03.Lamashtu

04.Ghost Of Ganheesha

05.Unleash The Kraken

06.Sensual Sickness

07.Sonoro

08.Solaris

09.Solitude (Black Sabbath cover)

10.The Hedonist

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Sobre: Leonardo Brauna

Leonardo Brauna

"Desde meados dos anos 80, Leonardo M. Brauna vem se dedicando a sua paixão, o Heavy Metal. Abomina ideologias políticas e religiosas dentro da música e sempre procura valorizar a arte underground em todos os seus sentidos. Como jornalista, colabora com a revista Roadie Crew e integra a equipe do radialista Gleison Júnior no site Roadie Metal. - " Um dos nomes mais respeitados e reconhecidos da cena Nacional" (Gleison Junior)

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