Resenha: Heilung – Futha (2019)

by Tatianny Ruiz

Para quem diverge entre o rock e metal já não é nenhuma novidade experimentar o ápice de criações genuinamente brilhantes, algo que ultrapassa os limites do sentido e funcionam como um catarse sucumindo emoções e sentimentos, no entanto, entre tantos trabalhos suntuosos alguns se destacam pela grandeza de criatividade, originalidade, dedicação e acima de tudo sensibilidade. Compreenda, algumas bandas soam como cura para seus ouvintes e é sobre cura e magnificência que eu os falo agora.

Eu tenho esperado por algum tempo antes que eu pudesse realmente compreender todas as nuances deste projeto/banda que tem a cura até mesmo no nome, HEILUNG, o culto xamanico com as facetas alemã por Kai Uwe Faust, dinamarquesa por Christopher Juul e norueguesa por Maria Franz e o álbum FUTHA.

HEILUNG tem chamado a atenção da cena europeia e rapidamente avança pelo mundo com seu neo-folk enraizado na era celta e viking de uma maneira profunda, estudada e coerente que apenas poucos possuem o dom de transmitir de uma forma tão honesta e coerente.
Fundada em 2014 por Kai que além de possuir um vocal transcendental é também especialista em tatuagens nórdicas antigas, a banda levaria um ano antes que o primeiro álbum ‘Ofnir’ fosse lançado. Dois anos depois eles estariam ganhando lugar em grandes festivais, incluindo o norueguês Midgardsblot Metal Festival no qual eu tive o prazer de encontrá-los pela primeira vez.

A performance ao vivo foi filmada e publicada como “Lifa” recebendo impressionantes mais de três milhões de visualizações e se tornando um álbum ao vivo, e realmente eles realmente mereceriam isso, a apresentação no festival foi um momento emocionante e inacreditavelmente brilhante, fato que deu a eles um lugar na lista dos dez melhores desempenhos de 2017 pela Metal Hammer e finalmente o contrato com a gravadora Season of Mist.

Falar sobre HEILUNG entre as casas das classificações costumeiras do nosso dia-a-dia musical é uma tolice, e você talvez esteja se perguntando porque uma banda como essa está aqui na Roadie Metal, e eu responderei a você de imediato, o folk atualmente é um dos gêneros em maior expansão entre a cena mundial, o nosso próprio Brasil possui muitos nomes de alto potencial e você precisa fazer um pouco mais do que ouvir álbuns no conforto do seu lar, a presença destas bandas em diversos festivais se tornou um número crescente e sempre funcionam em total harmonia com vários outros tipos de músicos, boas vindas as bandas do setor extremo.
Passados tantos detalhes também é preciso ressaltar que você deve esquecer os instrumentos costumeiros, HEILUNG trespassa mais uma vez o comum e traz ao ouvinte uma mescla quase inacreditável de tambores, chocalhos, sinos hindu, lanças, com tantos detalhes tão incomuns quanto o sangue humano em um deles, bem, talvez incomum para esta brasileira que vos fala mas não para quem nasceu e transpira seus próprios antepassados.

Agora sim, munidos de todo o ritual HEILUNG nos passamos ao álbum, começando fora de linha em “Norupo” e sua doce atmosfera em canticos femininos e breves momentos de instrumentos de sopro. Eu realmente gosto como isso soa e Kai corta a faixa em vários momentos com sua voz texturizada tibetana.
Outra curiosidade sobre Kai e sua voz incomum está na entonação mongol, considerando suas veias alemãs e bandas mongois surgindo como The Hu, isso é bastante impactante, caso de “Othan” e a magia gélida deste instrumental espiritual.
Nós falamos acima sobre a era viking e HEILUNG ainda tem algumas raízes na obscuridade, então avançamos até “Svanrand” e o álbum ganhará mais vigorosidade ampliando o terreno para que a voz de Maria se imponha docemente.

A partir de agora chegamos a uma faixa que literalmente hipnotiza os ouvintes, “Traust“. A trilha inclusive recebeu lugar no anúncio do Midgardsblot e entre sinos e as vozes etéreas que correm através dos tambores HEILUNG enfeitiça seu público emanando tanto energia quanto possível. Você precisará ter ouvidos atentos enquanto abraçar esta aura sonora impecável, os chocalhos estarão lá, os vocais entonados de Christopher e Kai também e toda a trilha fornece um dos mais impecáveis momentos nesta obra. Sim, obra, estes músicos são incrivelmente únicos, convergendo cultura, história e folclore em pura magia em meio aos anos 2000.

Continuamos a avançar entre a respiração ofegante e os sons de batalha de “Vapnatak“, e alguns sons naturais como chuva, trovões e partes faladas também terão lugar na cena. Eu preciso mencionar outro detalhe neste ponto, HEILUNG utiliza-se de idiomas variados em suas letras, indo do gótico, latim e alemão até as variações do norueguês antigo, então atenção ao conteúdo, esta banda sempre soará única.
Possivelmente não agradando a todos mas alcançando em seus ouvintes muito mais do que o fervor do metal, HEILUNG segue trazendo ao mundo a beleza de suas tradições, sonoramente e visualmente, e eu realmente recomendo que você mergulhe em obras como esta a exemplo de Laboratorium Pieśni, mas este é assunto para outra hora.
Apreciem HEILUNG!

Nota: 9/10

Track listing
1 – Galgaldr
2 – Norupo
3 – Othan
4 – Traust
5 – Vapnatak
6 – Svanrand
7 – Elivagar
8 – Elddansurin
9 – Hamrer Hippyer

Membros da banda
Christopher Juul – Todos os instrumentos
Maria Franz – Vocais
Kai Uwe Faust – Vocais

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