Resenha: Fatal Beast – Blasfêmia, Violência e Ódio [EP – 2017]

Mato Grosso do Sul é um Estado prolífico em bandas de metal, mas poucos sabem disso. Só em Campo Grande, a capital, conta com uma onda de bandas em atividade que hoje compõe “a quarta geração” de bandas – se formos contar a partir da década de 80 – que muitas vezes ficam de fora dos holofotes compondo solidamente o anonimato que muitas vezes é característico do underground. Em grande parte das vezes, as bandas mais seminais e influentes são aquelas que ficam seu som, em pegadas e estilos já consagrados. Muito comum, assim, que exista uma demanda para gêneros mais extremos.

Sabendo disso a Fatal Beast se armou com o melhor que tinham a oferecer, e destilaram todo seu metal com um foco perturbador no oculto, na agressividade, na fúria e em todo ódio que podiam destilar sonoramente. O resultado é um EP sólido, onde se consegue perceber influências como Venom, Sodom, Destruction (com aquelas pegadas rápidas, riffs bem pensados e uma boa dinâmica), mas ao mesmo tempo não perde àquela característica brasileira, que torna óbvio na primeira ouvida de eles moeram toda o “refino”, atiraram no ácido, tornando cada nota mais corrosiva e doída de se assimilar de primeira ouvida.

 

Mas estamos falando de uma banda blackened thrash metal aqui, certo? Então nesse caso é uma formula altamente recomendável, especialmente se você gosta do gênero. Pessoalmente identifiquei elementos de Dorsal Atlântica na musicalidade. Especialmente na primeira música, “Maldição Perpétua”. Até a maneira com que Filipe profere a letra com aquele gutural que faz parecer sentir nojo e desprezo, o fato dele fazer aqueles agudões em falsete, depois partir pro gravão no gutural me lembra muito a pegada do Carlos Vândalo, especialmente na época do “Antes do Fim”. Muitos riffs, especialmente os mais rápidos, que casam bem com a bateria cadenciada, lembram um pouco a “pegada hardcore” da qual Dorsal se orgulhava tanto, mas ao mesmo tempo tem um flerte bem mais complexo do que o gênero (hardcore) apresenta.

Mas a ambiência do EP não fica apenas nas pegadas energéticas, a distorção meio “sujona” deixa o aspecto meio “black metal” sempre presente. De modo que você consegue facilmente correlacionar a banda, com outras bandas do gênero – e é ai que eu vejo semelhança do que eles fazem com o Venom.

A setlist é curta, apenas 5 músicas mesclando inglês e português. O EP todo tem nem 20 minutos de duração, com um total 16 minutos e 40 segundos, mas é um primeiro registro sólido, e deixa portas abertas com boas expectativas em relação a trabalhos futuros. Infelizmente o EP ainda não está disponível em cópia física, mas já pode ser conferido em todas plataformas de mídias digitais. Clique aqui, para ouvir no Spotify.

 

Formação:
Filipe Welington (Vocal/Guitarra)
Havyner Moura (Guitarra)
Carlos Thrash Attack (Baixo)
Junior Fremiot (Batera)

Tracklist:
01- Maldição Perpétua
02- Fatal Beast
03- Obscure Darkness
04- Desespero
05- Trilha Negra da Mão Esquerda

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Sobre: Hélio Canto

Hélio Canto

Fã e entusiasta pró-ativo do heavy metal desde os 12 anos, sua imersão no som teve como ponto de partida na estreia do vídeo-clipe de Memory Remains do Metallica na MTV. Atualmente vocalista da banda de thrash groove Hellmotz, mora em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e também é professor de História, Inglês além de baterista.

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