Resenha: Eisbrecher – Eisbrecher (2004)

by Giovani R. Turazi

O horizonte se move para perto e todos são estrelas
Vivemos como deuses e depois comemos capim pela raiz
As sombras se tornam maiores; Não conhecemos a inveja
Desperdiçando a sua juventude e me presenteando com o teu tempo

NR: Trecho extraído de “Willkommen Im Nichts” – Eisbrecher

HISTÓRICO: Eisbrecher é uma banda originária de Fürstenfeldbruck, Baviera (Alemanha), inserida dentro de um segmento conhecido como “Neue Deutsche Härte” – (traduzido: Nova Dureza Alemã), que trata-se um segmento musical surgido na década de 90′, bastante difundido na Europa – com suas grossas raízes na Alemanha. Convém-se definir como sendo um (sub) gênero musical derivado do Metal Industrial, que mescla seu estilo ao tradicional Heavy Metal.

Alexx Wesselsky, que foi o fundador do Megaherz – outra banda do mesmo segmento / gênero musical – por motivos de “diferenças de interesses” com os demais membros (criadas em 2003), optou por sua saída da banda, que já alçava altos vôos com seus 10 anos de vida, para dedicar-se a outro projeto musical – que viria a ser o Eisbrecher – que é a ideia de duas combinações de ideias musicais, conceitos, e gostos. Alexx teve apoio de Noel Pix (o qual compôs os synths e programação para dois álbuns do Megaherz) e juntos fundaram o Eisbrecher.

O nome da banda, “Eisbrecher“, traduzindo do Alemão significa “Quebra-Gelo” (referência àquela “ponta” proeminente na proa de uma embarcação, que detém a serventia de “rasgar” o gelo para o corpo do barco passar). As letras da banda freqüentemente incluem termos de gelo e navegação. Os membros da banda, freqüentemente se vestem de marinheiro e roupas militares em seus concertos.

DISSECANDO O DISCO: a faixa de abertura se chama “Polarstern” (traduzindo, Estrela Polar), sendo um compilado de samplers, com Alex declamando uma serie de frases “aleatórias”, que parecem referir às dimensões de um grande navio (conforme mencionado no histórico acima); muito embora, pode também ser referente à uma nave espacial, visto que no idioma Alemão os termos náuticos para as naves tem denominações equivalentes às dos barcos. Em todo o caso, tal descrição teria alvo mais provável as características de um transatlântico, ou um porta-aviões, pelo tamanho. Aos mais exploradores e didáticos – em um contexto analítico – poderiam esses alemães estar descrevendo a Arca de Noé. Quem sabe… “Herz Steht Still” se mostra um dos hits do disco, com uma letra “romântica” e ao mesmo tempo “atormentada”. Musicalmente, a cadência da música captura a atenção do ouvinte facilmente. Caso Herz Steht Still não tenha agradado, “Willkommen im Nichts” – um dos maiores clássicos da banda até hoje – com certeza irá arrancar um sorriso da sua boca. A música possui um desenvolvimento progressivo muito interessante, com o vocal de Alex se tornando mais agressivo em conformidade com a intensidade da letra, que aliás, apesar de ter grande profundidade de sentimento ainda tem uma forte conotação sexual para a visão poética deste sentimento. O refrão considero um dos melhores do disco, com influência nítida do bom e velho Heavy Metal. “Schwarze Witwe” retoma aquele clima “cósmico”, característico do Industrial, sugando o ouvinte para outra dimensão. A track tem uma cadência bem baixa, beirando quase a um pop. Destaque para os vários efeitos de synth, que todo fã de eletro adora ouvir. Os backs vocais femininos também promovem uma sensação muito agradável aos ouvidos. “Ruhe” é a primeira instrumental do álbum, trata-se de uma canção relaxante tendo o piano como base, e alguns synths no fundo. Passa rapidamente, fazendo ligação direta com “Angst?”, que tem a missão de acordar àqueles que se concentraram demais na instrumental. A música é forte, porém bem “quadrática”; aborda como tema o medo, de uma visão objetiva e subjetiva de sua essência. A sétima faixa é uma das mais comerciais do disco, e facilmente candidata a uma das melhores. “Fanatica” tem uma letra mais direta, com pouca profundidade – os versos apenas descrevem as características de uma mulher, que seria uma dançarina. Mas, mesmo assim, a música agrada. Uma curiosidade, é que foi neste contexto que recebi uma iluminação quanto ao termo “Tanz” que sempre foi direcionado ao “Industrial”, pois significa “dance” no alemão – o que seria um claro direcionamento referindo o Metal Industrial a um ritmo dançante, com raízes oriundas da música eletrônica. “Taub-Stumm-Blind” é a mais extensa do disco, com pouco mais de 5 minutos, mas com a mesma levada da maioria. Mais uma vez os vocais de Alex entoam com força, frente a mais uma daquelas letras “românticas com doses de perturbação”. A tradução do título seria algo como “Surdo, Mudo e Cego”. A presença dos synths é muito densa neste ponto. “Dornentanz” tem um início que facilmente pode ser assimilado ao “Rammstein”, com uma levada de bpm mais baixo, e foco no refrão. A letra é romântica, com perversão bem mais amena que as anteriores. “Hoffnung” é a outra instrumental que o disco apresenta, essa com o dobro de duração da antecessora, e também muito diferente, pois, trata-se exclusivamente de samplers e synths – basicamente algo como uma homenagem ao Depeche Mode. A faixa que detém a responsabilidade de carregar consigo o título do disco, assim como a bandeira da banda, não decepciona. “Eisbrecher” tem pegada, tem um riff de peso, tem um refrão cativante e uma letra forte, profunda e que expressa bem o poder que a banda deseja imprimir. O trecho do refrão “Quando a noite não fala mais nenhuma palavra; E o gelo em torno de nós está quebrando” pode expressar um universo de emoções, se bem refletido. “Frage” é a mais “balada” do disco, e sim(!) a mais romântica. A poesia contida na música vale o esforço da tradução. Se bem que nos dias de hoje, isso não denota esforço algum… “Zeichen Der Venus” (Signo de Venus), é ainda mais profunda e poética que sua antecessora, muito embora denote alguns momentos de “ira” atrelada ao amor descrito. Apesar de terem o mesmo direcionamento, são tracks bem distintas. “Mein Blut” é outra faixa que logo nos remete aos mestres do Industrial Rammstein: uma faixa simples, com uma levada bem down, e uma letra profunda, que pode fazer alusão a um duplo sentido (ou, até a outros entendimentos, se bem analisada). “Sakrileg II” encerra o disco, trazendo a presença densa dos synths de volta. A letra da música é forte, profunda, e é declamada de uma forma “potente” por Alex, elevando o ânimo do ouvinte para encerrar o disco com um sentimento positivo pelo mesmo.

Eisbrecher – Eisbrecher

OPINIÃO: Para os adeptos do Industrial / Tanz, este primeiro registro do Eisbrecher pode se tornar um daqueles “álbuns de cabeceira”, ou seja, é um daqueles discos que “dá-se o play e se esquece”, pois todas as faixas fluem naturalmente. Obviamente, há os pontos mais altos e mais baixos no trabalho, mas, visivelmente, de uma forma que promova uma alteração de picos de sensação durante a audição. Há os que não se agradem, que tem preferência por “pau nos corno” direto… pois bem, não encontramos essa proposta aqui.

Para um álbum de estreia, que foi produzido há 16 anos (lançado em Janeiro de 2004), considero um trabalho excelente. Aos que conhecem a carreira da banda – e aos que se interessam a partir de agora – é notável uma “evolução” sonora, digo, no sentido de mudanças sutis, isso sem perder suas raízes. Enquanto este álbum de estreia auto-intitulado tem um estilo mais eletrônico, seu sucessor, é de longe mais pesado, tendo um estilo mais “metálico”, o que passa a se tornar uma característica sólida na banda nos futuros trabalhos. É válido destacar que a banda mantém-se sempre fiel à suas raízes, sendo que a semelhança entre os primeiros álbuns com os mais recentes não é completamente irreconhecível, assegurando a identidade do grupo que permanece firmemente ligado ao gênero de metal industrial.

CONCLUSÃO: Eisbrecher (self-tittle) é um disco que mostra-se bem completo, bem estruturado, e bem maduro, mesmo sendo um debut. Evidentemente, os mais céticos irão mencionar que Alex Wesselsky não se trata de um amador no segmento, por ter trabalhado anteriormente com outra grande banda do gênero, contudo, vale ressaltar que o Eisbrecher carrega consigo tão somente a sonoridade vocal de Alex, deixando as características do Megaherz em seu próprio berço. Naturalmente, um ponto ou outro pode denotar certa influência, assim como percebemos a nítida influência de Rammstein no som do Eisbrecher, mas, a isso ninguém esta escape – já diria Tony Iomi.

Formação Atual:

Alexx Wesselsky – vocais
Noel Pix – guitarra / teclas / prog.
Jürgen Plangger – guitarra
Achim Färber – bateria
Rupert Keplinger – guitarra

Eisbrecher – Eisbrecher
Lançamento: 26 de Janeiro de 2004
Gravadora: ZYX Music

Track List:

“Polarstern”  

“Herz Steht Still”  

“Willkommen in Nichts”  

“Schwarze Witwe”  

“Ruhe” (Instrumental)

“Angst?”  

“Fanatica”  

“Taub-Stumm-Blind”  

“Dornentanz”  

“Hoffnung” (Instrumental)

“Eisbrecher”  

“Frage”  

“Zeichen der Venus”  

“Mein Blut”  

“Sakrileg II”  

  • 8/10
    Eisbrecher - Eisbrecher (2004) - 8/10
8/10

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