Resenha de show: 10 fatos do Festival Crossroads – Dia Mundial do Rock

by Daniela Farah

Dia Mundial do Rock é uma coisa muito séria no Brasil. Ainda mais em uma cidade como Curitiba, que tem rock na veia. Por aqui comemorar esse dia é tradição. 13 de julho é quando todas as casas de rock, do batel ao underground, tem uma programação extensa e de qualidade. Também nessa data as principais bandas da cidade acabam trabalhando o dobro, que dirá quem tem mais de uma banda, nessa dança das cadeiras que todo músico sabe bem como é.

Acontece que há algum tempo o Crossroads tem levado essa festa para um outro nível. Primeiro foi a mudança para Live, em seguida a inclusão de bandas autorais e por aí se seguiu um caminho muito interessante até efetivamente se tornar um grande evento. O Festival Crossroads – Dia Mundial do Rock atingiu um patamar incrível em 2019, com atrações nacionais, locais, covers e autorais. Uma grande mistura para uma grande variedade de público.

E isso é muito bom! Como prova, seguem 10 fatos que marcaram o Festival Crossroads – Dia Mundial do Rock de 2019.

Fotografia Angela Missawa.

10 fatos do Festival Crossroads – Dia Mundial do Rock

1) O Festival Crossroads – Dia Mundial do Rock criou uma ação especial esse ano, digna de muitas palmas. O Rock For Education foi um conjunto de ações, com entrada social, para arrecadar fundos para causas sociais, em parceria com o instituto Up For Good, de Curitiba e chancelado pela Endeleza. Também contou com o apoio da Tagima, que contribuiu com três guitarras autografadas pelo Motorocker, TN/She e Matanza Inc. Elas foram rifadas e seus ganhadores são: Helenita Lauper, André Loyola e Marcus Vinicius Marciniak.

2) Quem tem filhos e quis aproveitar esse dia, teve uma programação especial e até atrações específicas, como o Rockids e o Rockinho para as crianças e o Kinder Park. Muita gente reclama que o rock não tem futuro, mas quais ações realmente se pautam nisso? Abrir essa porta para expandir a cultura entre os pequenos é um ponto muito positivo. E os pais roqueiros agradecem, claro!

3) Outro ponto positivo, e que mostra a atenção que a organização teve com a diversificação do público, foram os espaços. Um deles era o da Gringas Nail Concept, em que foi possível fazer a unha durante o evento. Para os fãs de Jack & Coke, havia uma barraca da Jack Daniel´s especial para isso. Quem quisesse fazer uma tatuagem no meio do festival? Podia sim. Quem ficou responsável por isso foi a Ink It Tattoo.

4) O dia 13 de julho de 2019 foi de tempo bom e sol em Curitiba. Quem chegou cedo (e saiu tarde!) ao Festival Crossroads – Dia Mundial do Rock pode aproveitar 44 atrações musicais. Foram cinco palcos com 18 horas de música, para diversos gostos. 10 mil pessoas foram conferir de perto as atrações especiais que a organização do Festival selecionou. Bandas como Afoostic, Sulround, Pigs & Diamods, TN/She, Meinteil, Rejection são muito conhecidas pela qualidade sonora que entregam em seus tributos. Ainda também os legendários Black Maria, Djambi e Crackerjack.

Afoostic. Fotografia Angela Missawa.

5) The Secret Society é uma banda de altíssima qualidade e que tem conquistado cada vez mais fãs a cada apresentação. É impossível ficar imune ao som pesado, combinando melancolia familiar e, ao mesmo tempo, desconhecidamente interessante. Com anos de história no currículo, a banda é formada por Guto Diaz no baixo e voz, Fabiano Cavassin na guitarra e Orlando Custódio na bateria. O setlist: “Deciduous”, “Beyond the Gates”, “Fields of Glass”, “Mephistofaustian Transluciferation”, “The Final Cut”, “Rites of Fire”, “Rubicon”, “The Architecture Of Melancholy”, “Cry for Love” (Iggy Pop cover).

6) Matanza Inc se apresentou no Palco Dia Mundial do Rock, que ficava logo na entrada do festival. “Primeiro show em Curitiba desse recomeço, tamo junto, obrigado geral galera.”, disse o baixista Dony Escobar. Cabe dizer que foi um divisor de águas para os fãs de Matanza que ainda não tiveram a oportunidade de ouvir o novo som. Toda mudança de vocalista, em qualquer banda do mundo, gera um saudosismo em relação ao vocal anterior. Com o Matanza Inc não poderia ser diferente. O que é importante ser dito é que a nova formação da banda, com Vital Cavalcante no vocal, não ficou devendo em qualidade sonora, muito menos em energia do show. Entre as músicas escolhidas estavam “Lodo no Fundo do Copo”, “Eu Não Bebo Mais”, “Péssimo Dia”, “Pé na Porta, Soco na Cara”, “Tudo de Ruim Que Acontece Comigo”, “Eu Não Gosto De Ninguém”, “Para o Inferno” e “Pior Cenário Possível”. “Valeu pelo respeito e obrigado por apoiar a nova fase. Curitiba é f***.”, disse Escobar como quem sabe que todo apoio é importante para um novo começo.

Matanza Inc. Fotografia Angela Missawa

7) Dead Fish foi sinônimo de polêmica. Eles subiram ao palco deixando claro seu posicionamento político contra o presidente Bolsonaro. O público, que já gritava antes, foi à loucura. Há quem prefira não misturar os dois, e há quem diz que não tem como separar. De qualquer forma, Dead Fish já havia deixado claro seu posicionamento antes, assim como as músicas do novo álbum Ponto Cego. No setlist estavam “Sangue nas mãos”, “Não Termina Assim”, “Contra Todos” e “Joga o Jogo”.

Dead Fish. Fotografia Angela Missawa

8) Não dá para dizer que Motorocker é uma banda local. Mas também não dá para dizer que não são. Como uma boa banda de rock ´n´roll com raízes no clássico, as letras de suas músicas levam em consideração a curitibanice do curitibano. “Motorocker passa longe de ser uma banda de heavy metal, nós somos uma banda de rock´n´roll. E toda banda que se preze tem que ter um blues. Como Chuck Berry fazia, Little Richard, John Lee Hooker… Graças a eles que a gente tem esse emprego.”, disse o vocalista Marcelus.

Motorocker. Fotografia Angela Missawa

Quando eles subiram ao Palco Budweiser, o público correu para perto do palco. É bonito de ver os fãs do Motorocker, porque eles cantam a plenos pulmões junto com a banda. Certa vez ouvi que as resenhas dos shows do Motorocker não fazem jus a banda. E eu concordo. É difícil descrever a energia de estar ali. A troca entre os músicos e o público, a energia que tem em cada show e a familiaridade, porque ser fã do Motorocker é fazer parte de uma família.

Motorocker. Fotografia Angela Missawa.

Falar da qualidade musical, ou da experiência de palco, ou das letras que tem uma pegada fácil para os ouvidos é chover no molhado, porque o Motorocker entrega isso e muito mais. Entre as músicas tocadas estão: “Rock Na Veia”, “Igreja Universal do Reino do Rock”, “Blues Do Satanás”, “Acelera e Freia”, “Evil Hound”, “Loco de Gole”, “Pegada Seca”, “Vamo Vamo”.

Macumbazilla. Fotografia Angela Missawa.

9) Macumbazilla ficou com uma das últimas da noite. O trio de peso formado por André Nisgoski na guitarra e vocal, Carlos Piu no baixo e Júlio Goss na bateria, apresentou-se no Palco Jack Daniel’s, passado um pouco da meia-noite. Eles, que estão em processo de gravação, tocaram algumas músicas do material novo, que traz uma sonoridade com mais madura, além de peso e rapidez na medida certa. Foram elas “The Enemy (fast as fuck)”, “Hellhounds” e “Dark Hordes”. O hit “The Ritual” também esteve no setist junto com “Blood, Beer and broken teeth”, “Colossus”, a dobradinha “Blondie Phantom” com “Rebel Yell” do Billy Idol e um cover do Turbo Negro “I Got Erection”.

Macumbazilla. Fotografia Angela Missawa.

10) A ideia de sentar na grama, conhecer gente bacana, estar entre amigos ou curtir com a família te parece interessante? Pois esse foi com certeza um dos pontos altos. Fazer novas amizades, encontrar gente que fazia tempo que você não via, ou curtir com aquela pessoa especial, parceira que está contigo nos melhores momentos. E a melhor parte, ninguém precisa se estressar para escolher que banda ouvir.

É isso tudo que faz um festival ser incrível.

You may also like

EnglishItalianJapanesePortugueseSpanish