Resenha: D.R.I. – Dealing With It (1985)

Essa ideia meio generalizada de que o Pantera colocou o Texas no mapa da música pesada está bastante equivocada. Muito antes da banda de Dimebag Darrell revolucionar o mercado, uma outra formação, de conterrâneos seus, também agiu para alterar as direções do metal, se não diretamente, pelo menos por sua influência e, o mais inusitado, é que não era uma banda essencialmente do estilo.

Admito que demorei um pouco para assimilar a proposta dos Dirty Rotten Imbeciles, convenientemente abreviados para a sigla D.R.I. Quando eu finalmente ouvi seu primeiro disco, na época em que a banda estava começando a ficar conhecida aqui pelo Brasil, em grande parte por interseção do Slayer. Aquelas músicas me pareceram muito estranhas a princípio. Eu gostava de velocidade, mas não estava habituado ao impacto que essa exercia sobre a duração das faixas. E, além disso, ainda havia a questão da própria estrutura das músicas. Estando habituado ao padrão intro-estrofe-refrão-estrofe-refrão-solo-refrão-final, era estranho encarar uma música que limitava-se a um riff – um único riff – repetido umas quatro vezes com um sujeito disparando palavras por cima. Mas, como qualquer outra coisa que lhe desperte alguma atração, você insiste e retorna para aquilo, e vai aos poucos decifrando aquela proposta que, em pouco tempo, viria a ser batizada com o nome de Crossover.

“Dealing With It” é o segundo álbum da banda, e sua posição central entre a estreia e o trabalho seguinte, não representa apenas uma sequência temporal, mas lógica também. O disco está no meio do caminho entre a crueza Punk do primeiro – com uma capa que não deixa margem para dúvidas nesse sentido – e a pegada Thrash do terceiro. A emergência do seu Hardcore se sustenta sobre faixas que ainda são muito curtas, ainda são muito rápidas, mas tem um pouco mais de desenvolvimento, chegando até a arriscar-se um pequeno solo de guitarra em “Nursing Home Blues”. A audição completa e atenta do trabalho ajuda a identificar as inspirações que geraram clássicos absolutos como “Reign In Blood”, do Slayer, e que, juntamente com  discos como “Speak English Or Die”, do S.O.D., formataram bandas como Nuclear Assault, no passado, e formatam bandas como Municipal Waste, no presente.

A formação do D.R.I. sofria de inconstância em seus primeiros anos e gravitava ao redor do vocalista Kurt Brecht e do guitarrista Spike Cassidy. Na época desse álbum, atuavam também o baterista Felix Griffin e o baixista Mikey Offender, cujo timbre e palhetada fazem toda a diferença em “Equal People” e “The Explorer”. Como se trata de um disco com 25 composições, é normal que tenha um rol extenso de destaques, entre os quais apontamos “Karma”, “Reagonomics”, “I´d Rather Be Sleeping”, “God Is Broke”, “Couch Slouch”, “Mad Man”, “Marriage”, “Counter Attack” e “I Don´t Need Society”, apenas para não corrermos o risco de listar o álbum inteiro.

A partir de “Crossover”, o D.R.I. estabilizou o seu estilo e prosseguiu mantendo um padrão, mas, como está dito, trata-se de pegar a fase inicial e desenvolver mais cada uma das músicas. “Dealing With It” é uma peça fundamental para que se compreenda as engrenagens da música underground da década de 80 e os seus desdobramentos a partir de então.

Formação

Spike Cassidy – guitarra

Kurt Brecht – vocal

Felix Griffin – bateria

Mikey Offender – baixo

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Sobre: Anderson Frota

Anderson Frota

"Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse"

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