Resenha: Coletânea Roadie Metal – Volume 10 (2017)

Décimo volume. Quantas bandas já não passaram pela história dessa Coletânea que é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores – se não o maior – mostruário de novos artistas de Rock/Metal em nosso país? Evidentemente que a heterogeneidade é a regra aqui. Diferentes estilos, diferentes níveis de qualidade de produção, diferentes metas. Nenhuma das faixas aqui presentes deve ser encarada como a representatividade de toda uma obra que cada um tenha a oferecer, mas são exemplos de suas intenções e seus objetivos, então vejamos o que eles têm a dizer…

Como a própria Coletânea é uma saudação ao Metal, nada mais adequado do que iniciá-la com uma música de exaltação ao estilo e essa é a especialidade dos mineiros do Exorddium, com a empolgante “Hail”, cantada em português e que nos traz o clima do começo dos anos 80 no Brasil, que também é resgatado pelo Alma Negra, em sua participação, com a mesma vibração.

Mas o Metal Brasileiro strictu sensu surge mesmo com a Tupi Nambha, uma das bandas mais interessantes dos últimos anos e que resgata a língua de nossos antepassados em suas letras. A musicalidade tribal faz contraste com

As transições entre Symphonic e Folk pelas quais passam uma boa parte das participações registradas. É o caso de Perpetual Legacy, Spherastral, com uma faixa repleta de clima dramático, e Atrorium, do Piauí, com bastante variedade no arranjo da canção “One More Victory” e com menção especial para a condução precisa por parte do seu baterista. Ainda nessa linha, a Anfear se destaca pela melodia de bom gosto, soando como se fosse uma espécie de Blackmore´s Night com um pouco mais de peso.

Do Symphonic pulamos para as levadas com pegada Punk e o The Melties foi uma boa surpresa, com uma faixa bem concisa e empolgante. Da mesma forma se saiu bem o KabeSatélite, com a música “Verme” seguindo uma linha que bebe na fonte dos mestres Replicantes.

Sumerius e Peltstrok fizeram aparições corretas, em canções de acordes fortes, com ênfase na emoção, tal qual também demonstrou Rui Campos em sua canção “Sobre o Tempo”. Rui, porém, não foi o único artista que assinou uma aparição solo aqui, pois também o fizeram o guitarrista Hector Ribeiro, na excelente instrumental “Between Life and Death”, e Johnny o´River, em “Koctive”, embora essa última me pareça ter sido prejudicada pela produção, ou pela falta dela. A música tem boas ideias, mas alguns detalhes, como as batidas na caixa, parecem soar com variações de volume em certos momentos.

Retornando para o Metal Tradicional, Dixie Heaven e Horder of Souls trazem a tradição maidenesca para o disco, com condução mais thrasheada por parte da segunda. O Volúpia segue nessa mesma linha, mas mergulhou mais fundo em suas influências, de uma forma que estas chegam a se sobrepor aos aspectos individuais de sua musicalidade. Sua identidade está presente, resta apenas deixá-la ocupar o primeiro plano nas composições. Por fim, o Em Chamas soa correto, mas a melodia vocal das estrofes poderia ser mais bem trabalhada, pois soou muito retilínea, demasiadamente colada ao riff de sua composição.

O próximo CD tem o seu espaço tradicionalmente destinado aos sons mais extremos e nosso ensolarado país tem uma tradição de competência nesses meandros obscuros. É o que comprovam os golpes iniciais deferidos por Inner Flames, Place to Die, e que crescem na intensidade dos blast beats do The Damned Human Flesh, que ainda encontrou espaço para a inserção de melodia dentro de sua furiosa faixa. Essa mesma proximidade com a melodia é que faz da Hollow Head um dos destaques, com uma música que alcançou o fino equilíbrio de soar atrativa, tanto para quem prefere sons old schools quanto pegadas mais atuais.

Menos é mais, e é por isso que a Veumor com sua levada descompromissada me chamou a atenção. Com certeza uma banda de quem desejo escutar logo mais material. Bem como a Lamento, outra que merece ser acompanhada de perto, com toques de Crossover Thrash que me lembraram um pouco de Suicidal Tendencies em certos momentos. O Thrashall também executa seu som de forma bem direta e com um ritmo que favorece o mosh, mas faltou apenas um pouquinho mais de apuro na produção da faixa que soa próxima do abafado. Complementando essa pegada, o vocal próximo do Hardcore faz o diferencial para o Gravekeepers, cuja música “Senhor do Caos” apresenta também um refrão bem pensado, com backing vocals eficientes e um solo bem timbrado.

O Thrash/Death prossegue com o Ufrat escancarando sua competência na faixa “Confronting Death”, da mesma forma que o fazem o MonsterHead, One Thousand Dead e Sons of Rage em suas participações. O Collapse NR também transparece bastante fúria em sua faixa “Chega!”, mas não foi favorecido pela mixagem, ficando o seu som um pouco embolado. Já o Revenge Ritual apresenta a sua “Jogado as Traças” com uma acelerada no refrão do tipo que espalha a insanidade nas plateias e a Crushing Souls faz jus ao seu nome com o ritmo literalmente esmagador de “Nossos Inimigos”.

As digressões solos também ocorrem nesse segundo CD e o Lone Hunter executa uma faixa instrumental que une peso, técnica e carisma. Kalonia é outro solista, mas que também soa prejudicado pela finalização da música, com vocais absolutamente soterrados na mixagem, dificultando sobremaneira uma melhor avaliação.

Entre 36 músicas da Coletânea, não há a presença de nenhuma banda da Região Norte e apenas 4 participações da Região Nordeste. Isso não é uma crítica a Coletânea, mas aos artistas dessas regiões que, caso realmente tenham o objetivo de levar sua arte a sério, devem correr atrás do que desejam. Assim foi com a Ação Libertária, da cidade de Natal, que ocupa o seu devido lugar nesse espaço e transparece, pela sua música, não ser do tipo de banda que fica aguardando as coisas caírem do céu. E esse recado se dirige a qualquer banda, de qualquer região, que também esteja encarando suas opções de forma mais relaxada. Se for sua opção, ótimo, nada contra, mas, se não for, o Volume 11 vem aí. E o 12, o 13… Em qual deles nós iremos escutar o seu trabalho?

CD 1

01 – Exorddium – Hail

02 – Spherastral – My destiny

03 – Tupi Nambha – Invasão alienígena

04 – Dixie Heaven – Riding the thunder

05 – Holder of Souls – Holder of souls

06 – Anfear – Lady of the rivers

07 – Perpetual Legacy – Looking for the endless light

08 – Rui Campos – Sobre o tempo

09 – The Melties – Hit me

10 – Atrorium – One more victory

11 – Hector Ribeiro – Between life and death

12 – KabeSatélite – Verme

13 – Alma Negra – Verdades controvérsias

14 – Sumerius – Tudou ou nada

15 – Volúpia – Rebelião

16 – Peltstrok – Oceanos

17 – Em Chamas – Devil in my mind

18 – Johnny o´River – Koctive

CD 2

01 – Inner Flames – Expurgo

02 – Place to Die – The cohesion of your acts

03 – The Damned Human Flesh – Ruínas

04 – Lone Hunter – The Wake up of angry

05 – Hollow Head – Disrupted conduct

06 – Kalonia – The blame will haunt you

07 – Collapse NR – Chega!

08 – Ufrat – Confronting death

09 – Gravekeepers – Senhor do caos

10 – Veumor – Insula morgue

11 – Thrashall – Recaída

12 – Lamento – Elysium

13 – Ação Libertária – Cidadão de bem

14 – Crushing Souls – Nossos inimigos

15 – MonsterHead – This perfect game

16 – Revenge Ritual – Jogado às traças

17 – One Thousand Dead – Infernizando

18 – Sons of Rage – The two faces of a man

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Sobre: Anderson Frota

Anderson Frota

"Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse"

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