Ah, o Children Of Bodom. Me lembro que quem me apresentou essa banda com um CD piratão é um cara que eu não suportava, mas que agradeço por esse CD. Era um compilado de várias faixas, inclusive aquele cover da Britney Spears de “Oops! I Did It Again“, o que acabou se tornando motivo de muitas risadas.

Com o tempo fui conhecendo melhor a banda, com a chegada da internet o acesso ficou mais fácil e acabei me aprofundando na discografia da banda. E hoje, com “Hexed“, a banda chega ao décimo álbum de estúdio. Com as faixas liberadas de forma antecipada, a ansiedade aumentou e o álbum se tornou um dos mais aguardados desse primeiro semestre para mim.

Vamos ao álbum! “This Road” abre com velocidade e um riff muito bem feito, com os vocais rasgados tradicionais de Alexi Laiho. Na metade da faixa tem uma quebra do ritmo muito boa, que dá outra cara a faixa, com o riff me lembrando muito algo do Kreator ou Slayer quando fazem essas mudanças de tempo.

O single “Under Grass and Clover” tem uma intro bem influenciada pelo Power Metal, com os teclados em dando harmonia. A bateria tem destaque nos versos e o refrão é baseado no riff da intro. Faixa direta e convincente.

Glass House” tem os pedais duplos trabalhando bastante, seu riff pode parecer manjado, mas é bom. É uma faixa rápida com um tom mais sombrio. Seu refrão é muito bom, além de seu solo, que poderia ser mais longo, temos apenas dez segundos dele.

Uma faixa interessante é “Hecate’s Nightmare“, mais cadenciada em seu início, com um clima bem irreverente. Tem o refrão bastante tenso, com o teclado dando um clima bem denso. Uma das melhores faixas do álbum.

A próxima é “Kick in a Spleen“. Outro riff poderoso comanda a faixa, com os pedais duplos mais uma vez se destacando. Se refrão é muito bom, com um coro ajudando o vocal principal. Sua ponte também merece destaque com o teclado mandando um belo solo, assim com o solo posterior, agora das guitarras. WildchildFreyberg trabalharam muito bem aqui.

Aqui em “Platitudes and Barren Words” é onde temos o casamento perfeito de harmonia e melodia, enquanto o riff de uma guitarra comanda a faixa, a outra acompanha com a harmonia muito bem encaixada. A faixa é bem pesada e melódica, como manda o roteiro da banda.

A faixa-título é bem pesada, rápida e melódica. Teclado e guitarras fazem um duelo interessante aqui, também com os pedais duplos mais rápidos do que nunca, com muita precisão. Também é a faixa mais longa do álbum, com pouco mais de cinco minutos. Seu final ainda conta com um performance tímida do baixo junto com o teclado.

Relapse (The Nature of My Crime)” é outra faixa bem direta, com ótimo riff e com o teclado dando as caras mais um vez com destaque. “Say Never Look Back” é um pouco elaborada, com riffs bem trabalhados e uma ótima performance de Raatikainen nas baquetas.

Mais cadenciada, “Soon Departed” é bem pesada por conta disso e esse é o seu destaque, se destoa das outras faixas. Atenção nos solos da reta final da faixa, são ótimos.

Knuckleduster” vem pra fechar o álbum, com ótima performance de todos. Uma dobradinha de guitarras com o teclado abre bem a faixa, que também conta com ótimos solos. Porém, acho que não tem o final perfeito para uma faixa de fechamento de álbum, mas é boa.

Na versão Deluxe ainda temos as faixas “I Worship Chaos” e “Morrigan” em versão ao vivo. Não é preciso dizer que a banda é espetacular nos shows, então, sem muitos comentários para as mesmas. Ainda temos um remix de “Knuckleduster” com um Industrial muito bom, lembrando bastante algo do Nailbomb ou até mesmo do Fear Factory.

Em geral, é um ótimo álbum, não tão competente como “I Worship Chaos” de 2015, faltam mais faixas mais marcante, algo que faça o ouvinte ter vontade de colocar no repeat, o que até temos, como “Under Grass and Clover” e “Platitudes and Barren Words“, mas poiam ter pelo menos mais duas assim. Quando a produção e mixagem, é impecável, cristalina e agradável. Conseguimos ouvir todos os instrumentos, bem encaixados, sem nenhum se sobressaindo sobre outro.

Em um mês onde temos duas grandes bandas do Death Metal melódico lançando álbuns com uma semana de diferença, é impossível não haver comparações e, falando do In Flames, os suecos levaram a melhor sobre os finlandeses nessa, mas por pouco. Quem ganha são os fãs do estilo, que tem dois álbuns bastante competentes logo no primeiro trimestre de 2019.

Formação:
Alexi “Wildchild” Laiho (Vocal, Guitarras);
Jaska Raatikainen (Bateria);
Henkka T. Blacksmith (Baixo);
Janne Wirman (Teclado);
Daniel Freyberg (Guitarras).

Faixas:
01. This Road
02. Under Grass and Clover
03. Glass Houses
04. Hecate’s Nightmare
05. Kick in the Spleen
06. Platitudes and Barren Words
07. Hexed
08. Relapse (The Nature of My Crime)
09. Say Never Look Back
10. Soon Departed
11. Knuckleduster
Bonus Tracks:
12. I Worship Chaos (Live)
13. Morrigan (Live)
14. Knuckleduster (Remix)