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Resenha: Anguere – Cadeia (2017)

A banda paulista Anguere não se permite desperdiçar a passagem do tempo com inatividade. Estão regularmente presentes nos palcos ou produzindo música, lançando sempre algo novo. É um trabalho sério, e essa seriedade estende-se para todos os aspectos daquilo que eles apresentam, incluindo, naturalmente, as letras.

O EP “Cadeia” tem apenas três músicas e menos de dez minutos de duração, mas não se engane: cada momento de sua audição é válido. O trio parte, literalmente, para a porrada, da forma mais direta que você possa conceber. O início de “Barricada” apresenta um ritmo de Thrash sem firulas, com levadas grooveadas que lembram o Sepultura antigo e que, quando Thiago Soares começa a cantar, mesclam-se com o Hardcore mais agressivo. Sem meias palavras!

O discurso proferido pelo Anguere não é irônico, não é sarcástico, nada do tipo. Não busca, como costumamos dizer, “rir da desgraça”. Muito pelo contrário. Ele é duro e usa expressões ríspidas para tornar bem claro o descontentamento com os rumos de nossa sociedade. A raiva é autêntica e é ela que faz de “Cadeia” a melhor faixa do EP. Alternando partes rápidas com sequências mais arrastadas, o timbre pesadíssimo da guitarra de Cleber Roccon justifica a escolha da música para nomear o disco.

A sequência de canções se encerra com N.O.I.A. (Ninguém Olha para Indivíduos Atormentados), com as mesmas características das anteriores, consonante com a personalidade da banda. A triste realidade dos viciados em crack é retratada com a devida brutalidade. Possuindo uma formação enxuta, é preciso fazer destaque para a atuação do baterista Adriano R. Prado, que cuida para preencher todos os espaços das músicas.

“Cadeia” é, sem trocadilhos, uma ótima porta de entrada para quem ainda não conhece o Anguere, além de alimentar a espera pela entrega de mais um trabalho completo. Porradas na cara e na consciência dispensam o uso de recursos poéticos. Precisam apenas ser incisivas e esse EP apresenta isso com êxito pleno.

Formação

Thiago Soares – vocal

Cleber Roccon – guitarra

Adriano R. Prado – bateria

Músicas

01.Barricada

02.Cadeia

03.N.O.I.A.

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Sobre: Anderson Frota

Anderson Frota

"Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse"

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