A capa original deste disco mostra uma imagem de duas guitarras, modelo Flying V, cruzadas e pegando fogo. É uma boa capa, mas todo mundo sabe que várias bandas tem históricos de capas diferentes, em mercados diferentes, para um ou outro disco. No caso do Accept, a capa do álbum “Restless and Wild” que foi lançada no Brasil, corresponde a do lançamento japonês do mesmo. Por que isso ocorreu? Não sei e nem me importo. Decisões de gravadora, provavelmente. Só me importo com o fato de que fomos privilegiados nesse caso. Aquele instantâneo da banda no palco, com luzes vermelhas, cercada de amplificadores, e Udo Dirkschneider estrangulando o baixista Peter Baltes transmite de forma absoluta como é, ou como deveria ser, a experiência de uma autêntica banda de Heavy Metal em cima de um palco.

“Restless and Wild” é apenas o quarto disco do Accept e demonstra uma evolução absurda em relação ao seu anterior, “Breaker”, que já é também, por si só, um disco de excelência ímpar. Se dá para imaginarmos o impacto que “Restless and Wild” teve sobre os fãs do lado de lá do Atlântico, que já acompanhavam a banda em sua paulatina evolução, imaginem o que aconteceu do lado de cá, visto que o álbum foi o primeiro de sua carreira a ser lançado entre nós.

O resumo do significado do disco já pode ser aferido pelo fato de que muitos atribuem a sua primeira faixa, “Fast As A Shark”, o mérito de ser uma das músicas precursoras do Thrash Metal. Não há muito o que contestar aí. “Fast As A Shark” literalmente escancara as portas com sua rifferama e sua levada de bateria precisa e veloz, em uma composição repleta de variações e na qual Udo dá um show de interpretação, levantando ou abaixando a voz, fazendo pausas, de acordo com o que pede a narrativa do ataque de um assassino em uma rua abandonada.

Escutar essa música pela primeira vez, e a sua inesquecível intro, é ter a imediata constatação de que presenciou-se um clássico instantâneo desse estilo, mas “Restless And Wild” não se sustenta apenas nela. A cada quatro ou cinco minutos de audição do disco, outro clássico se fará presente, seja a faixa-título, a não-balada “Neon Nights”, a dinâmica de “Demon’s Night” ou a absurdamente espetacular “Princess Of The Dawn”, com seu solo que se funde intermitantemente à base da música para puxá-la em direções diversas. Cada canção desse disco parece possuir algum momento em seu arranjo onde um detalhe ou outro irá se destacar e lhe cativar pela criatividade e pelo inusitado.

Por fim, caso você seja um apaixonado por Heavy Metal em sua acepção mais tradicional, irá certamente eleger “Flash Rockin’ Man” como uma de suas preferidas, já que essa é mais uma do longo rol de músicas que têm por base a fórmula de riff mais usada de todos os tempos e cujos exemplos mais célebres podem ser encontrados em canções como “Power And The Glory” (Saxon), “Stand Up And Shout” (Dio) e “2 Minutes To Midnight” (Iron Maiden).

“Restless And Wild” costuma disputar com “Balls To The Wall”, seu sucessor, o posto de disco preferido da banda no coração de seus fãs. Trata-se de uma discussão sem perdedores e vencedores, embora na qual eu me posiciono sempre por aquele primeiro, mas o que dizer de uma banda que, mesmo com algumas poucas escorregadas, registra tantos acertos em sua história e que continua, até os dias de hoje, com 38 anos passados após seu álbum de estreia, a nos apresentar trabalhos que podem incrementar essa pauta de disputa de preferências? É claro que aceitamos!

Formação:
Udo Dirkschneider (vocal);
Wolf Hoffmann (guitarra);
Peter Baltes (baixo);
Stefan Kaufmann (bateria).

Faixas:
01 – Fast As A Shark
02 – Restless And Wild
03 – Ahead Of The Pack
04 – Shake Your Heads
05 – Neon Nights
06 – Get Ready
07 – Demon’s Night
08 – Flash Rockin’ Man
09 – Don’t Go Stealing My Soul Away
10 – Princess Of The Dawn