Porto-riquenhos do Modules anunciam a metalcore We Won’t Break. Ouça!

Seu nascimento pode até ser estruturado perante uma sonoridade de caráter sintético, mas é inegável que, diante de sua continuidade, ela transmite sinais de tensão associados diretamente a um toque de densidade. Sombria e capaz de proferir um contexto cheio de vulnerabilidade motivado pelo aspecto da incerteza, a faixa é preenchida por um sintetizador capaz de construir o mesmo efeito que Serj Tankian entrega na introdução de Aerials, single do System Of A Down: uma mistura de brilho que lembra uma onda triangular enriquecida por harmônicos com um sustain uniforme.

Ganhando uma sobreposição de timbres sintéticos que se posicionam na dianteira sonora com um sabor adocicado, a canção caminha de forma a amadurecer a sua base de aspecto sombrio e gutural. Imitando uma atmosfera erudita em razão de sua similaridade em relação às tonalidades alcançadas pelos violinos, o sintetizador acaba engrandecendo as brisas esotéricas da obra, de forma a brincar com o contraponto entre o umbral e o angelical.

Quando a guitarra finalmente entra em cena, a faixa assume um movimento marcado pela aquisição de uma sonoridade introspectiva limpa que chama a atenção por ser respaldada de inclinações esotéricas e contemplativas. Capaz de, a partir dessa constatação, transpirar sinais de reflexão associados a bons traços de melancolia, a faixa surpreende por mergulhar em um ambiente insano, rascante e profundamente melodramático.

Perante linhas líricas construídas em uma base de screamo muito bem expressa por Kelvin Rodriguez, o que confere uma amplitude carnal às emoções expressas, a faixa, invariavelmente, se mostra presa à presença do desespero e da angústia. Caminhando entre guitarras distorcidas em um misto de acidez e melancolia nostálgica ofertadas pela sensibilidade de Omar Garcia e Alberic Nieves, a composição ainda explora o uso do bumbo duplo, por parte de Nicholas Cruz Narváez, como forma de garantir, à esfera rítmica, uma amplitude de pressão, firmeza e pulso.

Apresentando contornos lacrimais ao acessar seu refrão, a música passa a ser contemplada por versos líricos interpretados com timbres límpidos que se combinam ao riff cristalino e agudo da guitarra. Sem se desvirtuar da dramaticidade como o seu principal mote sensorial, We Won’t Break traz os porto-riquenhos do Modules mergulhando na pungência do metalcore.

Enquanto isso, o grupo se permite oferecer uma mistura equilibrada de grooves pesados e com afinação baixa, melodias cativantes, texturas atmosféricas e refrões melódicos. Tudo de forma intensa, impulsiva e com uma versatilidade vocal que impressiona pela facilidade com que o screamo e o gutural se convergem com a limpidez natural do timbre do vocalista.

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