Motörhead – 34 anos de “Orgasmatron”

by Flávio Farias

Em 9 de agosto de 1986, o MOTÖRHEAD lançava “Orgasmatron”, sétimo álbum de estúdio da carreira. O álbum marca a estreia da banda com a GWR Records e é o único de inéditas a contar com o baterista Pete Gill. Ele tocou no álbum anterior, “No Remorse”, mas este é um disco de regravações.

Orgasmatron” marca o fim de um hiato de três anos desde seu último álbum de inéditas, “Another Perfect Day”, que embora tenha sido bem recebido pela crítica, não foi um sucesso de vendas. O quarteto se reuniu durante onze dias no “Master Rock Studios”, em Londres, com a produção de Bill Laswell. E se o caro leitor acha que Lemmy gostou do resultado apresentado pelo produtor, aspas para o saudoso líder da banda, em sua autobiohrafia:

No fim das contas, Bill era bom para conseguir sons, mas ele ferrou com tudo na mixagem. Foi um álbum muito melhor quando ele o levou para Nova Iorque do que quando ele o trouxe de volta. Foi terrível. “Orgasmatron” era uma lama.

O disco em princípio se chamaria “Ridin’ With the Driver”, que é também o nome de uma das canções, porém, mais tarde eles mudaram para “Orgasmatron” e como já era tarde demais para alteração na imagem da capa, acabou sendo utilizada a imagem do trem, previamente escolhida. A arte é assinada por Joe Petagno. Bem, chega de delongas a vamos destrinchar as nove faixas do aniversariante de hoje:

A música que abre o play atende pelo nome de “Deaf Forever” e é um Rock and Roll bem rústico, com riffs que vão se repetindo durante as estrofes. O timbre das guitarras é bem sujo e conta com um solo bem legal. O baixo distorcido e inconfundível de Lemmy anuncia a faixa a seguir: a poderosa “Nothing up my Sleeves”. Ela tem um andamento mais rápido do que a faixa anterior e mostra a banda em plena forma.

Ain’t my Crime” tem uma levada rápida também e bons riffs, uma pegada mais Punk da banda. Já“Claw” se destaca pela bateria de Pete Gill, que é relativamente rápida e também tem riffs contagiantes, enquanto que “Mean Machine” é curta e direta, trazendo de novo a atmosfera Punk em uma música muito rápida e enérgica, sendo a mais curta do play, com menos de três minutos.

Se você está no vinil, é hora de virar o lado da bolacha e a faixa que abre é “Builty” for Speed, mais voltada ao Hard Rock, com uma levada bem interessante e um belíssimo solo. “Ridin’ with the Driver”, a faixa que daria o nome ao aniversariante do dia, traz novamente o MOTÖRHEAD flertando com o Punk Rock em outra música com a energia no seu nível mais alto e com a velocidade bem latente.

Doctor Rock” ajuda a manter o nível do álbum no topo, com seu clima visceral. A música do Motörhead é simples e eles não precisam mais do que isso para agradar. E o encerramento se dá com o carro chefe: a faixa título. Que eu particularmente conheci na versão do Sepultura, assim como alguns dos leitores. E a original é mais arrastadona do que a versão dos brasileiros. Os riffs mais uma vez se repetem durante as estrofes e aqui o MOTÖRHEAD chega a soar quase Doom Metal.

Em 35 minutos temos uma excelente audição, ainda que não seja o melhor que a banda apresentou em sua vasta carreira, não é um álbum a ser desprezado. Algumas das faixas deste play fizeram parte do setlist da banda durante muito tempo. Tal como o anterior, “Orgasmatron” não foi um sucesso comercial, mas novamente obteve boa resposta da crítica musical.

No ano de 2005, O aniversariante do dia foi classificado na posição 313 no livro da revista “Rock Hard” sobre os 500 melhores ábuns de Rock e Metal de todos os tempos. Nos charts, o álbum alcançou a 21ª posição no Reino Unido, 42ª na Alemanha, 69ª na Holanda e 157ª na “Billboard 200”.

Enfim, o legado do MOTÖRHEAD está aí para ser explorado por nós. Sabemos que a banda nunca lançou um disco mediano ou ruim, então “Orgasmatron” é a certeza de diversão. E vale salientar que este álbum serviu como grande inspiração para os brasileiros do SEPULTURA, que inclusive, durante a fase Max Cavalera, teve a faixa título encerrando os shows. Vamos celebrar este disco, pois como eu costumo dizer, eu ouço gente morta.

Orgasmatron – Motörhead
Data de lançamento – 09/08/1986
Gravadora – GWR Records

Tracklisting:
01 – Deaf Forever
02 – Notinh up my Sleeve
03 – Ain’t my Crime
04 – Claw
05 – Mean Machine
06 – Built for Speed
07 – Ridin’ With the Driver
08 – Doctor Rock
09 – Orgasnatron

Lineup:
Lemmy Kilmster – Baixo/Vocal
Phil Campbell – Guitarra
Würzel – Guitarra
Pete Gill – Bateria

You may also like

EnglishItalianJapanesePortugueseSpanish