Quando conheci os Moonspell no início dos anos 2000 e qualquer coisa, tava a ir ao concerto dos meus amigos do “Enjoy”, uma banda de Indie Rock de Belo Horizonte que abriram para os portugueses. Era uma boa época em que gostávamos de ouvir músicas “gothic metal” na casa de shows Matriz e participávamos de grupos de amigos que entre outras coisas, também apreciavam RPG – e eu tava na onda dos ciganos e o Flamenco.

Para quem já conhecia, era uma grande oportunidade de ver os lusitanos frente à frente, e a nós do grupo de amigos, prestigiar a banda amiga. Mal terminou aquele adorável show de abertura, tivemos a impressionante entrada de Fernando com um cajado que havia uma linda caveira na ponta. Aquela imagem fixou-se em minha mente e era de facto um momento único. A cantar em inglês, os Lisboetas iniciaram um ritual de Doom ou Gothic Metal com os requintes que a banda, há anos tinha para oferecer.

Comprei os discos “Wolfheart“, “Irreligious” e o lançamento da época era o The Antidote de uma só vez!

A potência de Fernando Ribeiro, aliado aos seus companheiros realmente nos chamou a atenção e as letras e canções da banda encantaram. Foram trilha sonora de muitos momentos que vivi. E sempre havia um charme especial, quando ao ouvir OPIUM em inglês, encerrava-se a poesia de Fernando Pessoa em alto e bom som: ” Por isso eu tomo ópio, é um remédio, sou um convalescente do momento, moro no rés de chão do pensamento, e ver passar a vida faz me tédio

Por destino ou sei lá o que foi, em 2004 meu mundo particular começou à se converter para Portugal: Em 2005 já estava na Europa, 2006 em Porto e Lisboa e finalmente em 2007 até 2010 lá estava eu a morar no Porto. E lá mesmo, não me recordo o local (acho que na Maia) pude vê-los outra vez…E minha ligação hoje com este país é sanguínea, afetiva e voltou à ser minha residência. Meu coração nunca saiu daqui. E nunca deixou de ser dos Moonspell.

Não é atoa. Eles são de fato um patrimônio do Metal Português (dark metal) e tem todo merecido respeito. O que eles fazem com a música tem um sabor especial e a competência das suas linhas de composição “sombrias” e cheias de guitarras e teclados bem construídos, casam-se bem com o inglês x português que regionaliza algo que é mundial: O Metal.

 

Os Moonspell fazem homenagem neste disco, 1755 à tragédia sangrenta e inesperada de um abalo sísmico que atingiu, de Lisboa ao Algarve, durante o governo de D.Jose I mas que destacou o famoso Marquês de Pombal. A data fora 1 de novembro, data esta conhecida como Dia de todos os Santos, pela Igreja Católica e o calendário tradicional romano. O abalo seguido de maremoto causou significativas destruições (como incêndios e quedas de edifícios) e deixou um rastro de morte, através do óbito de mais de milhares de pessoas, 85% da população da capital lusitana!!!!

 “Enterram-se os mortos e cuidam-se os vivos” 

A frase é do Marquês de Pombal, na altura,  Ministro da Guerra que foi o responsável pela reconstrução de Lisboa com a máxima objetividade e reduzindo o impacto social. Para a igreja, um castigo; para os filosofos como Voltaire, Descartes e Kant era uma nova sociedade que ali se formava.

Para reenconstruir a cidade, tiveram que retirar imenso OURO da colônia brasilis, especificamente na Capitania de MINAS GERAIS. Sim, estado da capital Belo Horizontina. Onde eu os vi pela primeira vez…

Através de um álbum extremamente sinfônico, este começa com uma nova versão de  “Em Nome do Medo”. A adaptação, desta e de outras músicas, é de Jon Phipps, compositor que já fez trabalhos com bandas como  Sepultura a Amorphis e já havia colaborado com o Moonspell em Extinct (2015).

O álbum 1755 é um incrível trabalho conceitual de uma banda que comemora 25 anos de estrada e muito peito, muita atitude num país que não tem tradição no Metal, mas tem vários grandes compositores, intérpretes e é responsável por um dos mais belos estilos do mundo. O Fado.

“Lisbon on fire fallen, trembling without God” – canção In Tremor Dei

O que mais impressiona nesse maduro trabalho dos MOONSPELL que seu tradicional e sombrio tom instrumental que entra em contraste com a voz rasgante de Fernando e o mais explorado uso da lingua portuguesa de forma ampla e poética, parece atingir um verdadeiro abraço à cultura de seu país.  De igual forma, a música atravessa mais uma vez os oceanos e a relação colônia-império, agora é vista como homenagem apropriada: “Lanterna dos afogados” de Hebert Vianna é parte do trabalho, que forma a riqueza deste trabalho.

“Quando está escuro, e ninguém te ouve…” é um hino POP pros brasucas, e agora faz parte da história do Metal Português.

 

Os caras estão indo para uma turnê na América Latina e no Brasil que vai passar por Recife, Rio, São Paulo e BH. Em BH, mais uma vez conta com a produção de Márcio Siqueira. As datas são:

29.01.18 DE Hamburg, Grünspan

30.01.18 DE Bremen, Schlachthof

01.02.18 NL Tilburg, 013

02.02.18 NL Haarlem, Patronaat

03.02.18 DE Osnabrück, Hyde Park

04.02.18 DE Cologne, Essigfabrik

06.02.18 DE Bochum, Zeche

07.02.18 DE Frankfurt, Batschkapp

08.02.18 DE Nürnberg, Hirsch

09.02.18 DE Saarbrücken, Garage

10.02.18 CH Pratteln, Z7

12.02.18 IT Milano, Live Club

13.02.18 IT Bologna, Zona Roveri

14.02.18 FR St. Etienne, Le Fil

15.02.18 ES Barcelona, Salamandra 1

16.02.18 ES Madrid, Mon Live (former Penelope)

18.02.18 FR Limoges, CC John Lennon

19.02.18 FR Paris, La Machine Du Moulin Rouge

20.02.18 FR Lille, Le Metaphone

21.02.18 FR Besancon, La Rodia

23.02.18 DE Stuttgart, LKA Longhorn

24.02.18 DE Mannheim, MS Connexion Complex

25.02.18 AT Dornbirn, Conrad Sohms

26.02.18 AT Wien, Simm City

27.02.18 DE München, Backstage Werk

01.03.18 BE Antwerp,Trix

02.03.18 DE Flensburg, Roxy

03.03.18 DK Odense, Posten

04.03.18 NO Oslo, Vulkan Arena

05.03.18 SE Stockholm, Fryshuset Klubben

No BRASIL:

25- Teatro Odisséia – RIO

26- Carioca Club – São Paulo

28 – Recife – PE – Abril Pro Rock Festival

29- Belo Horizonte – MG – Autêntica

Veja o que eles falaram:

“Finalmente estamos indo para a América Latina e contamos com 4 datas só no Brasil. Sentimos que há uma grande vontade do povo irmão em ver este disco o que , depois de duros anos a tocar no Brasil para quem nos quisesse acompanhar, poucos ou muitos, nos deixa muito orgulhosos! Confira ai Recife, Rio, SP e BH e contamos regressar a outras cidades na segunda volta da tour 1755 em Outubro”

Uma noite longa para uma vida curta..

 

Moonspell –  1755 – Napalm Records

01- Em Nome do Medo

02- 1755

03-In Tremor Dei

04- Desastre

05-Abanão

06-Evento

07-1 de Novembro

08- Ruínas

09- Todos os Santos

10- Lanterna dos Afogados

11- Desastre (Spanish version)

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