Em sua passagem pelo Brasil na turnê de lançamento do novo álbum “The World in Focus”, a banda sueca de Metal, Mile deu uma entrevista exclusiva para a Roadie Metal. O vocalista Marcus “Masken” Karlsson, o baixista Niklas “Nike” Tidholm, os guitarristas Fredrik Palm e David “Dave” Wallberg, e o baterista Dennis Kjellgren contaram sobre a formação da banda, suas influências, e o que eles acharam do Brasil. Confira a entrevista na íntegra:

Como foi a formação da banda?
Masken: Nós começamos em 2012. Eu e o Fredrik deixamos a nossa banda e levamos nosso baixista conosco e depois pegamos Dave e Dennis para completar o grupo em 2013. E em 2015 nosso baixista nos deixou e ficamos com Nike em seu lugar, fazendo um excelente trabalho até agora. Então foi assim que conseguimos o grupo que somos hoje.

Quando vocês começaram a ouvir Metal?
Masken: Oh, eu acho que é uma pergunta muito individual. Eu acho que comecei a ouvir Iron Maiden e Hammerfall quando eu estava no começo da adolescência, talvez entre 10 e 13 anos.
Fredrik:
Eu acho que eu ouvi um pouco mais tarde, talvez aos 14, 15 anos talvez? Sim.
Dennis: Eu acho que eu tinha 9 ou 10 anos quando eu comecei a ouvir Slipknot e Arch Enemy. Sim. Foi isso.
Nike: Eu acho que eu comecei a ouvir metal quando eu tinha por volta de quatro anos ou algo assim. Na verdade é a minha primeira memória, eu estava ouvindo Rainbow, mas eu comecei a ouvir de verdade quando eu tinha 9, 10 ou algo assim, os clássicos Black Sabbath, Iron Maiden e músicas dessa época.
Dave: Eu descobri Metallica quando eu tinha 14 anos. Mudou a minha vida. (todo mundo riu!). Então foi isso!
Nike: Ele ama Metallica, por isso. Ele ama!

Quais são suas influências?
Masken: Eu acho que são diferentes para cada membro da banda. As minhas influências são Slipknot, Avenged Sevenfold, talvez um pouco de Five Finger Death Punch. Muito mais pesado do que a música que a gente faz. Nós não somos tão pesados quanto Slipknot mas pegamos muitas influências dos riffs de guitarra deles, então, sim é a minha maior influência.
Dennis: Slipknot, Arch Enemy, ah, são muitas bandas. Não só de Metal, pode ser rock, pop e hard rock.
Pop? Quais suas influências no pop?

Dennis: São muitas bandas, eu não consigo me lembrar, mas ainda sim no gênero pop.
Fredrik: Se eu tiver que escolher duas bandas eu definitivamente iria de Queen e Iron Maiden, são as duas melhores bandas da minha vida. Totalmente.
Nike: Eu diria que sou muito influenciado por bandas como Rage Against the Machine, Korn, Slipknot também, e bandas suecas como In Flames e Arch Enemy, também um pouco de Metalcore como Killswitch Engage é uma grande influência para mim, eu gosto muito deles, assim como As I Lay Dying também, para dizer algumas delas.
Dave: Eu diria
Metallica!

Dave: Sim! Eu diria Metallica, Metallica e Metallica. Mas Megadeth é uma grande influência também.

E vocês escutam alguma banda brasileira?
Nike: Sepultura!
Dave: Além de Sepultura?
Nike:
Cavalera Conspiracy, mas meio que tem a ver com o Sepultura, porque o vocalista do Sepultura fez sua própria banda, mas claro que você já sabe disso. E é o que eu escuto, então Cavalera Conspiracy e Sepultura é o que vem na minha mente.
Masken: Bom, depois dessa turnê que estamos fazendo agora, vamos ouvir Syntz também, Furia Inc. e
Nike: Syndrome!
Masken: Sim, Syndrome, eles não existem mais, mas o som é bom.
Nike: Sim, o som deles é bom.
Masken: E algumas pessoas que nós encontramos na turnê, ótimas pessoas, ótima música, tem muita música boa no Brasil.

E as bandas suecas?
Nike: Sim, In Flames, é uma grande influência, como também Arch Enemy, de novo, claro, Soilwork, At The Gates, as bandas clássicas de Gothenburg. Eu diria Sonic Syndicate também por que eu gosto deles, então.
Masken: Engel!
Dennis: Avatar! Avatar!
Masken: Avatar e Engel! Sim!
Nike:
E também um pouco do death metal clássico de Estocolmo, tipo Dismember é sempre bom ouvir. E sim.
Masken: Vou esclarecer aqui que o Niklas está falando por si mesmo agora, e não pela banda.
Nike: Sim! Desculpe!
(todo mundo riu)

O que vocês podem nos dizer sobre o “The World ind Focus”?
Masken: Sobre o cd?
Sim!
Masken: Bem, ele foi um pouco melhor produzido do que o primeiro álbum. Então tivemos mais tempo e todo o processo de escrever as músicas foi mais pensado. Eu acho que o Fredrik pode explicar melhor sobre isso. Está certo, Fredrik?
Fredrik: Sim, eu acho que nós focamos mais na escrita das músicas e fizemos partes mais complexas que talvez você tenha que escutar algumas vezes para entender o que fizemos o que fizemos. O primeiro álbum foi pesado, rápido e muito simples, e é realmente fácil de ouvir. Mas agora precisamos evoluir, então fizemos músicas mais complexas e focamos mais na melodia e no refrão, elas também são mais longas, com mais partes instrumentais.


E como foi o processo de produção do novo álbum?
Fredrik: Muita coisa começa com um ótimo riff de introdução, e então nós tentamos descobrir como continuar. E então Masken escreve algumas letras e faz os vocais em cima do riff e quando chegamos no refrão, nós pensamos “oh, ok, agora precisamos de um ótimo refrão” e então podemos esperar dois minutos e ele vem ou talvez fiquemos presos nele por meio ano até chegar no “nós podemos fazer um refrão?”, “nós podemos fazer um refrão?”, não podemos! Aí, quero dizer, para este álbum nós jogamos fora quase 20 músicas que não gostamos.
Meu Deus!
Fredrik: Sim. Então geralmente é porque temos uma boa introdução, um bom verso, e então vamos para o refrão e não, nós não temos um refrão então temos que jogar tudo fora e começar de novo.

E como vocês fazem esse processo, alguém de vocês começa com “eu tenho uma música, uma ideia”, ou o que?
Masken: Sim! Não é incomum que alguém tenha um riff ou alguma coisa que queira mostrar e então nós pegamos aquela parte e construímos em cima. Esse é o processo ideal, pegar as influências de todo mundo nas músicas. Não sempre, claro. Ás vezes Fredrik tem uma música pronta, já escrita e “O que vocês acham sobre isso, caras?”. E então nós escutamos e é ótimo, então mantemos, mas o processo ideal é alguém vir com um riff e nós tentamos aperfeiçoar juntos.

Esta foi sua primeira vez no Brasil, certo? E como foi esta experiência?
Dennis: Incrível!
Masken:
Ótima!
Nike: Ótima!
Dave: Ótima comida, ótimo tempo, ótimas pessoas, coxinha!
Coxinha? (risos)
Dave: Eu amo coxinha!
Fredrik: Coxinha frango!
Nike: E caipirinha. Com certeza, caipirinha!
Masken:
Tem sido incrível. O público foi maravilhoso e amigável e todas as pessoas que nós encontramos nos convidaram para a casa delas e…
Fredrik: Cozinharam para nós!
Masken: Sim, eles cozinharam para nós.
Fredrik: Nós tivemos ótimos churrascos com os amigos que fizemos aqui e eu acho que foram mais amigáveis que na Suécia. Pelo menos eu acho que sim.
Dennis: Nós nos tornamos uma família. Eles queriam que fôssemos uma família então foi muito agradável.

E sobre os shows em São Paulo e Balneário Camboriú? Como foi com o público?
Masken: Bom, Manifesto (bar) foi o primeiro show e nós não tínhamos ideia do que esperar. Mas então fomos para Balneário Camboriú e foi, foi ótimo. Na verdade, eles avisaram a gente que “Caras, vocês precisam se preparar, as pessoas podem enlouquecer na frente do palco e fazer muito headbang, e conhecer as suas músicas”. E nós ficamos tipo “Aham, claro! Vamos ver.” E foi insano.
Nike: Sim!
Masken: Ontem, ou hoje a noite, foi fantástico. Nós nunca vimos nada parecido com isso. Então nós somos muito gratos por termos sido capazes de fazer isso e gostaríamos de agradecer todo mundo que nos ajudou a fazer isso acontecer. Então as pessoas no Brasil são ótimas e nós vamos ver hoje a noite se Curitiba pode corresponder isso. (Saiba como foi o show) E também o show em São Paulo foi muito bom.
Nike: Sim. Ótimo palco. E toda aquela música. E as pessoas que vieram foram ótimas também e o headbanging e cantando as nossas letras, mas sim. Mas ontem nós ficamos impressionados em Camboriú. Foi muito intenso.

E o que vocês esperavam quando vieram para o Brasil?
Masken: Bom, eu não esperava que alguém saberia nossas letras!
Mesmo?
Todos: Sim!
Fredrik: Mas ontem muita gente conhecia as letras e faz você pensar “Isto está acontecendo?”. Não posso acreditar que a música que você escreve no seu apartamento, sabe, pode viajar para o Brasil, e alguém aprende a letra e canta na sua frente no palco. Então, eu acho, que não estava preparado para isso.
Masken: Algumas pessoas entraram em contato conosco no Youtube e escreveram comentários como “vocês virão para o Brasil?”. E então nós respondemos: “sim, estamos trabalhando nisso”, e então quando finalmente aconteceu nós dissemos que estávamos vindo e algumas pessoas escreveram: “Ah, não é perto da minha cidade, estou triste.” e coisas assim. E então, quando nós chegamos em São Paulo, nós encontramos uns caras que seguiam a gente desde o começo, em 2013. E ficamos “Wow. Obrigado por vocês terem vindo.” E então nós fomos para Balneário e mais uma vez uns caras que seguiam a gente desde 2013. E nós caímos na real e ficamos “obrigado”. Na verdade, isso fez cair uma lágrima dos nossos olhos, nós estamos muito orgulhosos e gratos.
Dennis: Isso dá muita energia também. Ficamos mais enérgicos quando as pessoas nos conhecem e sabem as letras também. Ficamos tipo “Aaaahhhh, yeaaaahh.” Vamos fazer isso!
Dave: Nós queremos dar mais cada vez e então hoje à noite nós vamos…
Nike: com tudo…
Masken: Que temos!
Nike: 250% hoje à noite!
Fredrik: É o último show, então, com certeza, vamos estourar alguns fusíveis hoje à noite.

Obrigada pela entrevista!
Todos: Obrigado você!

Quer saber como foi o show? Confira a resenha aqui.