Jimmy Kay, do The Metal Voice, conversou com o vocalista do Helloween, Michael Kiske, enquanto a banda se prepara para embarcar para a etapa norte-americana da turnê Pumpkins United, que começará em 7 de setembro na cidade de Las Vegas.

A entrevista está disponível abaixo (em inglês):

Quando perguntado como surgiu a reunião da Pumpkins United:

“Por muito tempo isso era totalmente impossível para mim porque eu estava magoado e cheio de raiva e não quis ter nada a ver com isso. Por muito tempo eu não quis me envolver na cena do Metal, e foi bem profundo. Mas nos últimos dois anos antes da reunião, sem perceber, as coisas mudaram e eu percebi que algo estava diferente quando me encontrei com (o guitarrista) Michael Weikath em 2013. Foi em um festival na França e, de repente, eu estava em frente a ele e ele disse algo como ‘Michael, o que eu fiz que você não podia me esquecer?’. Então eu disse ‘você sabe o que eu penso, eu esqueci você há muito tempo’. Não havia raiva, que foi o que senti. Nós conversamos um pouco e foi como isso começou.”

“Eu não tinha consciência que ao longo dos anos as coisas haviam mudado em mim. Tenho aprendido muito durante os anos em que estive fora do Helloween, estando por conta própria sem uma banda e gerenciamento. Em todos esses anos eu aprendi tanto e depois de um tempo eu não podia mais ficar com raiva em relação ao que aconteceu no Helloween. Acho que foi um sinal para haver a reunião.”

Quando perguntado por que havia tanta mágoa com a banda no passado:

“Quando eu converso com Weikath ou outra pessoa a respeito dessa parte do passado, percebo que todo mundo tinha um ponto de vista para o problema. Todos haviam lidado com algo completamente diferente. Para mim era um sinal claro que não tinha nada realmente acontecendo, nenhuma razão objetiva para nada, era subjetivo. Foi apenas para acabar.”

Quando perguntado especificamente o que deu início à reunião:

Kai Hansen sempre quis isso, ele sempre me falava que adoraria fazer uma reunião pelo menos mais uma vez e eu lembro que depois de falar com Weikath na França em 2013, percebi que algo tinha mudado em mim. Depois de um show com o Unisonic na Espanha, nós fomos ao backstage e Kai me viu e perguntou ao Michael se nós faríamos algo mais uma vez em nome do Helloween, que seria idiota e eu disse ‘você sabe que estou aberto à ideia’.

Quando perguntado sobre o que acha de dividir o palco com Andi Deris:

“Quando comecei a trazer a ideia à tona, eu não pensei em dividir o palco com Andi, pensei que seria parte de uma turnê de reunião (da formação) do Keeper of the Seven Keys. Mas o gerenciamento estava me dizendo que não poderia fazer isso, que não poderia criar outro Helloween que competiria com o atual Helloween. Não daria certo, teríamos que fazer algo juntos. Eu lentamente percebi que ele estava certo e então comecei a gostar da ideia porque manda uma bela mensagem com os dois vocalistas. Não conhecia o Andi Deris, nunca o vi antes e era a sua sombra pelos vários anos em que foi criticado pelos meus fãs e ele era a minha porque ele pegou o meu emprego. Nós não nos conhecíamos mas tínhamos um efeito um no outro. Nós dois estávamos muito nervosos quando nos encontramos pela primeira vez e foi interessante ver o quão bem nos damos como pessoas, nós nos gostamos agora  e isso ajuda muito. Eu gosto de estar com ele.”

Quando perguntado sobre os detalhes do novo álbum de estúdio com o Helloween Pumpkins United, que será lançado em 2020:

“Esse não era o plano original. Como tudo deu certo na turnê e nos demos bem, dissemos ‘vamos fazer um álbum com dois vocalistas. Artisticamente, é uma coisa interessante de fazer porque somos tipos diferentes de vocalistas e você pode trabalhar com isso em termos de composições.”

“Sobre o direcionamento musical, eu não sou o compositor principal. Eu tenho uma opinião e não sei nem se eu vou escrever alguma música, mas tem outros músicos na banda que eu considero os compositores principais. Eles são Andi, Kai, Weikath e Sasha (Gerstner). O direcionamento musical vai depender do que eles trouxerem. Eu adoraria cantar alguma coisa ao estilo Keeper. Nós vamos escrever no ano que vem e procurar lançar o álbum em 2020, sem pressa.”

Para esclarecer as coisas, ele foi convidado a ir para o Iron Maiden quando Bruce Dickinson saiu:

“Não, com o Iron Maiden o problema foi que nós tínhamos o mesmo gerenciamento e fizemos turnê com eles, nunca houve uma discussão. Eu estava na Alemanha assistindo Music TV e o programa disse que era um rumor, mas agora é um fato que Michael Kiske é o novo vocalista do Iron Maiden. Isso só mostra o quão pouco você pode acreditar no que está na TV. Para ser honesto, eu amo o Maiden, mas não cantaria com a banda, não queria estar no lugar de Bruce. Eu quero ouvir o Bruce no Maiden.”

Quando perguntado sobre o uso de playback no início da turnê:

“Não foi tudo em playback. Estou feliz por ter feito isso uma vez porque nunca havia feito nada assim antes e eu certamente não vou fazer mais porque não posso, simplesmente não funciona. O problema foi que eu estava com a garganta inflamada antes do primeiro show. Eu queria ficar de fora e o gerenciamento disse que não podíamos começar a turnê com shows cancelados. Então, eles falaram comigo e a banda inteira decidiu e me disseram que tinham gravações minhas de seis semanas atrás. Foi a gravação do que fizemos em alguns ensaios e eles disseram ‘vai lá e canta e se o cara do som ver que você está perdendo a sua voz, ele vai colocar o playback no lugar’. Eu não quis fazer isso mas disse que tentaria. Então, eu estou tão acostumado a cantar ao vivo, é claro que eu estraguei tudo. Eu coloquei o microfone para o público quando o cara do som tinha soltado a minha voz. Fiz isso porque eles me convenceram. Nós só fizemos alguns pedaços aqui e ali. Eu não vou fazer mais. Na próxima vez que eu ficar sem voz, cancelarei o show ou faço do jeito que der.”

Fonte: The Metal Voice

Encontre sua banda favorita